Europa

Holanda vê um bom indício ao futuro, com uma vitória sonora sobre Portugal

Ronald Koeman precisou de apenas dois jogos para conquistar sua primeira vitória expressiva à frente da Holanda. Depois da derrota para a Inglaterra, na qual a Oranje até teve seus pontos positivos, desta vez o time atropelou Portugal. Triunfo inapelável sobre os atuais campeões continentais, por 3 a 0, no qual o sistema defensivo holandês mais uma vez merece elogios. E não apenas pela maneira compacta como atuou, repetindo em Genebra o que já havia acontecido em Amsterdã na última sexta-feira. As chegadas dos homens da retaguarda foram fundamentais para aumentar a força do ataque e construir o placar amplo.

Em sua escalação inicial, Koeman promoveu mudanças em relação ao confronto com a Inglaterra. Adaptou o 3-4-3 de sua estreia para o 5-3-2, com um ataque mais móvel, composto por Ryan Babel e Memphis Depay. Já no meio-campo, Donny van de Beek foi a novidade mais notável. Já a seleção portuguesa, embora mantivesse o 4-4-2 do triunfo sobre o Egito, mudou quase todas as suas peças. Fernando Santos repetiu apenas Rolando e Cristiano Ronaldo. Entre os outros nove que ganharam uma chance desde o início, destaque para Ricardo Quaresma, ainda que alguns deles tenham sido colocados fora da posição habitual.

O problema é que os testes de Portugal surtiram pouquíssimo efeito. Era um time desencontrado, que raras vezes ameaçou a meta da Holanda, por mais que mantivesse a posse de bola. Enquanto isso, os holandeses conseguiram ser fatais nas poucas chegadas, explorando as brechas lusitanas. O primeiro gol saiu aos 11 minutos, em jogada bem trabalhada que terminou com Van de Beek desviando para Depay arrematar. Aos 32, em um de seus avanços ao ataque, Matthijs de Ligt cruzou na medida para Babel escorar de cabeça. Já aos 46, após levantamento na área, De Ligt ajeitou para o capitão Virgil van Dijk fuzilar.

Durante o início do segundo tempo, Portugal até esboçou uma reação. Veio com três substituições, tentando abrir a defesa holandesa, mas Jasper Cillessen se mantinha seguro sob as suas traves, com duas grandes defesas. E a expulsão de João Cancelo, aos 16 minutos, cortou o barato dos lusitanos. Depois disso, o jogo diminuiu um pouco de ritmo, com os dois treinadores aproveitando as alterações para observar novas opções – rolando inclusive a estreia de Justin Kluivert. Os portugueses foram mais perigosos no fim. Porém, viram Cillessen se agigantar outra vez, com belas intervenções. E quando o goleiro não teve o que fazer, Van de Beek salvou na pequena área.

Para aquilo que a Holanda projeta, em um futuro com os “pés no chão”, o resultado do amistoso foi bastante oportuno. Obviamente, há correções a se fazer, mas o sinal é positivo – sobretudo ao diminuir as dúvidas quanto à defesa. Já Portugal vê as críticas atenuadas pelas muitas alterações. De qualquer maneira, o time esteve muito abaixo daquilo que pode apresentar, e usando jogadores que tendem a compor o elenco na Copa do Mundo – com seu craque no comando do ataque. Mesmo sendo favoritos à classificação em seu grupo no Mundial, ao lado da Espanha, os portugueses não devem se descuidar, encarando adversários mais difíceis do que seus nomes sugerem.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo