Europa

Herança maldita

Ter um bom desempenho no campeonato local por tantos anos acaba gerando como consequência o costume a participar mais ativamente dos torneios continentais, adaptando melhor os seus recursos financeiros e de elenco, de forma à manterem-se no topo do futebol nacional. Mas o que tanto Red Bull Salzburg e Rapid Viena têm feito nesta atual temporada faz imaginar no que eles erraram a mão.

Os fracos resultados do futebol austríaco nas últimas décadas dão um desconto para a pífia campanha da dupla na Europa League. Em oito jogos as duas equipes somaram apenas cinco pontos. O Rapid venceu apenas contra o CSKA Sofia, fora de casa, mas perdeu o jogo seguinte contra os búlgaros em Viena. O Red Bull caiu num grupo indigesto, com Juventus e Manchester City. E até conseguiu dois empates contra o time de Turim, mas tem cinco pontos a menos do que o Lech Poznan, muito pouco para um elenco quase duas vezes mais caro que o polonês.

Mas para piorar ainda mais a situação, nem na Bundesliga austríaca o duo consegue reverter a situação. Os taurinos ocupam o quarto lugar, com 26 pontos, e os alviverdes a sexta posição, com 23 pontos após 16 rodadas. Caso o campeonato terminasse hoje nenhum dos dois se classificaria para os torneios europeus. E as duas campanhas mostram uma trajetória similar: bom desempenho em casa, e resultados terríveis fora de seus domínios.

Ninguém somou mais pontos em casa do que as duas equipes. O Red Bull somou 17 pontos em Salzburg (mais de 65%), enquanto o Rapid 16 pontos no Gerhard Hanappi (quase 70%). Mas jogando fora o atual campeão tem apenas duas vitórias, e o Rapid apenas uma. Com essa inconstância dos grandes, quem agradece é o Ried, atual líder, com 31 pontos. Logo depois vem o Sturm Graz e o último representante do “trio de ferro” recente, o Austria Viena.

A esperança para o maior time e o mais rico do país é terminar logo a Europa League, e contar com a reação de aos poucos eles imprimem à ponta da tabela. Caso contrário os planos para a próxima temporada serão bem mais modestos.

Luzern sonha com o título, e Grasshoppers agonizam

A última rodada da Super League teve no Gersag Stadion, em Emmenbrücke, o duelo entre Luzern e Grasshoppers. De um lado o time do cantão da Lucerna, que precisou do play-off para não ser rebaixado na temporada retrasada, jogando no seu estádio provisório, já que o Allmend será substituído pela Swissporarena em 2011.

Do outro um espectro do maior campeão suíço, mas que desde 2003 não ganha um título. Uma equipe que só tem duas vitórias na atual temporada, e vaga pela última posição, ocupando o espaço da equipe rebaixada diretamente para a Challenge League, e que tem no banco de reservas Ciriaco Sforza, ex-jogador do próprio Grasshoppers, conquistando a Super League de 90/91 e a Copa da Suíça de 1988 com o time de Zurique.

Mas os tempos são outros, e mesmo com o Grasshoppers saindo na frente por duas vezes, a vitória foi do Luzern por 3 a 2, com um gol de João Paiva, um dos portugueses artilheiros do novo líder da Super League (graças à derrota do Basel para o Thun). O atacante, com sete gols, tem a companhia do meia Nelson Ferreira, que já fez oito em 15 jogos.

Ainda não terminou a primeira metade da temporada suíça, mas com o departamento médico recheado, sete no total, o mais novo sendo o meia Ricardo Cabañas, operado no joelho, e derrotas como 4 a 0 para o Sion e 3 a 0 para o Luzern em pleno Letzigrund, mostram que a recuperação pode não ser assim tão fácil.

Por outro lado o tamanho enxuto da Super League e a disparidade técnica das equipes ainda deixa o torcedor menos aterrorizado. Mesmo com apenas duas vitórias na competição o Grasshoppers está apenas três pontos atrás de Bellinzona (que hoje participaria do play-off) e de Neuchatel Xamax. Neste sábado o time de Zurique receberá o Bellinzona, jogo chave para trilhar o destino em 2011.

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Equipe Trivela

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