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Grupo D: Bayern, Man City, CSKA Moscou e Viktoria Plzen

O Grupo D conta com dois favoritos não só à liderança da chave, mas também ao título. Por tudo o que fez na temporada passada, o Bayern Munique é que mais merece o rótulo, contando com o elenco mais forte da Europa. Já o Manchester City precisa justificar essa posição, depois dos fracassos registrados nas duas últimas participações. E é bom os ingleses não bobearem muito, já que o CSKA Moscou vem em ascensão no Campeonato Russo e o Viktoria Plzen aprontou com alguns grandes na Liga Europa.

 

Bayern Munique

Como chegou à Liga dos Campeões: campeão da Bundesliga
Melhor campanha: Campeão (1973/74, 1974/75, 1975/76, 2000/01, 2012/13)

O cara

Franck Ribéry. A constelação de craques do Bayern é enorme e cada um teve seu momento importante na conquista do título em 2012/13. Porém, ninguém se sobressaiu mais do que o francês. Ribéry foi brilhante durante toda a temporada passada e, não à toa, recebeu o prêmio de melhor jogador da Europa. E já deixou claro que a fome de bola continua a mesma. É o talento suficiente para decidir em um lance, capaz tanto de balançar as redes quanto de deixar um companheiro na cara do gol.

Papo de bar

Se o Bayern já ganhou tudo na temporada passada, imagina agora, com o Guardiola? Vish, ninguém segura os alemães.

A realidade

Não há dúvidas de que o Bayern é o time a ser batido nesta Liga dos Campeões, ainda mais pela forma como superou os adversários de outros países – um inglês, um italiano e um espanhol, até a decisão contra o compatriota Borussia Dortmund. A contratação de Guardiola, todavia, significou mais alteração do que continuidade em Munique.

Lições do passado

A Liga dos Campeões é o torneio que requer atenção em todos os jogos. E o Bayern precisou levar um susto para acordar rumo ao título. Na segunda partida em 2012/13, os bávaros perderam do Bate Borisov por 3 a 1 – no jogo em que mais sofreram gols em toda a temporada. Depois disso, sobraram na fase de grupos. Além disso, o tropeço no jogo de volta contra o Arsenal nas oitavas mostrou que, mesmo com um bom resultado na ida, não dá para pensar que a classificação está assegurada – Barcelona e Juventus sentiram isso na pele depois.

Ponto forte

A criatividade. Para qualquer lado que você olhar no campo, haverá um jogador capaz de ter um lance de inspiração e decidir o confronto a favor do Bayern. E de maneiras diferentes. Schweinsteiger e Kroos fazem isso com a visão de jogo, Ribéry e Robben têm como pontos fortes as arrancadas, Mandzukic e Thomas Müller são os oportunistas. Isso sem contar no talento agregado com Thiago Alcântara e Mario Götze. Depois que Jupp Heynckes domou os egos na Allianz Arena, os astros puderam se sobressair sem que o estrelismo os afetasse.

Ponto fraco

A transição. Por mais que Pep Guardiola seja um dos maiores técnicos da história, seus primeiros meses em Munique têm trazido mais questionamentos do que certezas. As mudanças táticas foram ganhando forma aos poucos, mas, quando não funcionaram, o técnico recorreu ao sistema vencedor de Jupp Heynckes. Além disso, a defesa tem falhado com uma frequência preocupante – embora, neste ponto, a culpa de Guardiola seja mínima. A própria imprensa alemã tem tratado com ressalva a postura do catalão, enquanto o diretor Mathias Sammer reclamou que os jogadores estão se escondendo demais atrás da figura do novo técnico.

Curiosidade

Se a Alemanha nazista vencesse a Segunda Guerra Mundial, o Bayern Munique nunca seria uma potência. Os Roten conquistaram seu primeiro título alemão em 1931/32, um ano antes da ascensão de Hitler ao poder. O presidente Kurt Landauer e o técnico Richard Dombi, que eram judeus, se exilaram com o início da perseguição e o clube foi classificado como judaico, precisando retornar ao semiprofissionalismo.  Vários foram os episódios de resistência dos jogadores do Bayern, o mais notável em 1943, quando disputaram um amistoso na Suíça e reverenciaram Landauer, presente nas arquibancadas. Em 1947, o dirigente reassumiria a presidência.

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Manchester City

Como chegou à Liga dos Campeões: vice-campeão da Premier League
Melhor campanha: Primeira fase (2011/12 e 2012/13)

Yayá Touré é um dos principais jogadores do Manchester City desde que foi contratado, em 2010 (AP Photo/Scott Heppell)
Yayá Touré é um dos principais jogadores do Manchester City desde que foi contratado, em 2010 (AP Photo/Scott Heppell)
O cara

Yaya Touré. O meio-campista mais bem pago do mundo faz valer seu salário. O marfinense não se cansa de decidir partidas para os Citizens e é o grande motor da equipe. Diante do excesso de peças ofensivas que têm sido utilizadas por Manuel Pellegrini, Touré se torna ainda mais importante no equilíbrio. Um monstro fisicamente, combina virtudes na marcação, na saída de bola e nos chutes de fora da área.

Papo de bar

O que adianta ter dinheiro se não tem camisa? O Manchester City nunca vai ter sucesso na Liga dos Campeões por causa disso.

A realidade

Não é bem assim. Se os Citizens fizeram feio nas duas últimas edições da Champions, foi mais por incompetência de Roberto Mancini nas mudanças do time do que pela falta de tradição. Pellegrini dá esperanças justamente por sua capacidade tática, bem como pelos sucessos anteriores no torneio continental. Agora, finalmente, parece que as coisas fluirão para os lados de Manchester.

Lições do passado

Não tem como ter sucesso na Champions sem fazer valer o mando de campo. Em 2012/13, pela dificuldade do grupo, a eliminação na fase de grupos nem é tão vexatória. Entretanto, não dava para empatar em casa com o Ajax. E os mesmos tropeços já tinham acontecido em 2011/12, perdendo pontos para o Napoli. O Estádio Etihad é uma fortaleza na Premier League, falta essa imposição também na LC. Além disso, os Sky Blues precisam de sangue nos olhos, especialmente quando estão vendo a vaca ir para o brejo.

Ponto forte

A quantidade de opções para o ataque. É até difícil para Pellegrini escalar seu time do meio-campo para frente. Só Bayern Munique e Real Madrid possuem, entre titulares e reservas, tantos jogadores de renome no setor. Se Sergio Agüero e Álvaro Negredo estiverem em um dia ruim, Edin Dzeko e Stevan Jovetic os substituem. David Silva e Jesús Navas têm Samir Nasri para fazer sombra. Se quem estiver em campo não der conta do recado, poderá ser trocado sem grandes problemas. Talvez a grande benesse de ter tanto dinheiro, especialmente depois que a falta de gols foi o principal motivo para o insucesso na Premier League.

Ponto fraco

O imediatismo. O dinheiro, sem dúvidas, é um grande trunfo para o Manchester City. Mas também aumenta a pressa para que o legado seja construído de imediato. Pellegrini mal chegou e já começa a ser cobrado pelos resultados que não foram tão bons na Premier League. E os desfalques na defesa, em especial Vincent Kompany, pouco são levados em conta nessa hora. Além do mais, há a imensa pressão por uma campanha marcante na Liga dos Campeões, principalmente pelas eliminações precoces nos dois últimos anos.

Curiosidade

Em 1937/38, o Manchester City protagonizou um dos rebaixamentos mais bizarros da história. Os Citizens tinham sido campeões nacionais na temporada anterior e, mesmo assim, caíram – algo registrado 45 vezes em todas as ligas nacionais do mundo. E as circunstâncias do descenso pioram a situação. O City teve o melhor ataque do Campeonato Inglês naquele ano, com 80 gols em 42 jogos, e terminou a competição com o saldo de gols positivo, o que nunca foi repetido por um time rebaixado ao longo dos 125 anos de história do torneio.

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CSKA Moscou

Como chegou à Liga dos Campeões: campeão do Campeonato Russo
Melhor campanha: Quartas de final (2009/10)

Keisuke Honda é um dos destaques do CSKA
Keisuke Honda é um dos destaques do CSKA
O cara

Igor Akinfeev. O goleiro do CSKA Moscou já teve fases mais brilhantes, mas merece bastante respeito. Capitão, é um dos jogadores mais tarimbados do grupo. E, considerando a qualidade dos ataques de Bayern Munique e Manchester City, deverá ser bastante exigido na fase de grupos. No último Campeonato Russo, foi o líder da defesa menos vazada da competição.

Papo de bar

O CSKA Moscou até contava com uma equipe competitiva quando tinha uma legião de brasileiros, mas caiu de nível desde então.

A realidade

Vagner Love foi recebido de braços abertos pela torcida na temporada passada, mas não é por culpa da falta de brasileiros que o nível caiu. Porque, no fim das contas, a fase é tão boa quanto na época em que a legião tupiniquim defendia os Armeytsy. O título nacional veio pela primeira vez desde 2006 e as chances de bicampeonato são reais.

Lições do passado

Tão importante quanto ganhar dos seus rivais é arrancar pontos dos favoritos. O CSKA se classificou duas vezes aos mata-matas da Liga dos Campeões. Em 2009/10, os russos buscaram um empate do Manchester United em Old Trafford, resultado importante na trajetória. Já em 2011/12, a vaga só foi garantida com o triunfo sobre a Internazionale no Giuseppe Meazza.

Ponto forte

A combinação entre velocidade e técnica no ataque. O CSKA Moscou conta com um bom número de jogadores leves em seu setor ofensivo, que fortalecem os contra-ataques e as transições rápidas. Alan Dzagoev, um dos mais habilidosos, tem atuado como volante no 4-2-3-1 utilizado pela equipe, beneficiando a saída de jogo. A linha de meias tem Keisuke Honda, Zoran Tosic e Steven Zuber, enquanto o favorito como referência é Ahmed Musa, um atacante de muita movimentação.

Ponto fraco

O jogo aéreo. O CSKA não costuma se dar tão bem pelo alto, especialmente no ataque. A defesa possui zagueiros altos que conseguem segurar as pontas na maioria das vezes, mas que acabam passando sufoco com o excesso de cruzamentos. Já o ataque não possui nenhum jogador com mais de 1,82 m, o que torna as bolas alçadas à área um recurso de pouca serventia. No Campeonato Russo, os moscovitas tem um aproveitamento relativamente baixo no jogo aéreo, ganhando 48% dos duelos.

Curiosidade

Durante a década de 1920, o futebol foi amplamente utilizado pelo governo soviético, a fim de reforçar a identidade com a máquina comunista. Vários clubes foram renomeados, sendo relacionados com órgãos do governo, enquanto outros foram criados. O CSKA surgiu nesta leva, ligado ao exército vermelho e abrangendo várias modalidades. O futebol, porém, é apenas o quarto esporte mais vitorioso da história clube. Basquete (44 conquistas), vôlei (36) e hóquei no gelo (32) possuem mais títulos nacionais que o futebol (11), empatado com o handebol. A vantagem é que a fase mais gloriosa dos futebolistas veio após o fim da URSS, enquanto só o basquete se manteve na elite entre as outras modalidades – duas vezes campeão da Euroleague desde então, a Champions da bola laranja.

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Viktoria Plzen

Como chegou à Liga dos Campeões: campeão do Campeonato Tcheco
Melhor campanha: Fase de grupos (2011/12)

 

O veterano Horvath é a referência do Plzen
O veterano Horvath é a referência do Plzen
O cara

Pavel Horváth. Aos 38 anos de idade, o veterano continua rendendo bastante no meio-campo do Viktoria Plzen. O camisa 10 é o principal jogador de criatividade do time, mesmo jogando de volante na maioria das partidas. Sua canhota segue calibrada e rendeu três gols nas preliminares da Champions, além de deixar vários companheiros na cara do gol. Também pode ajudar o time a apostar nas famosas “bolas vadias”, graças à precisão na bola parada.

Papo de bar

Vai sair da Champions sem nenhuma vitória. Só ganhou uma quando estreou por causa do Bate Borisov, que estava no caminho.

A realidade

Viktoria Plzen está longe de figurar o grupo de favoritos na LC, mas merece um pouco de respeito. Na temporada passada, os tchecos ajudaram a eliminar Atlético de Madrid e Napoli da Liga Europa. Dois clubes que podiam não estar tão interessados naquele título, mas que hoje surgem bem cotados na Liga dos Campeões.

Lições do passado

Se não der para ganhar das potências do grupo, dê seu máximo contra os mais fracos. O Viktoria Plzen não deu sorte em sua primeira participação na Champions, ao cair na chave de Milan, Barcelona e Bate Borisov. Ainda assim, os tchecos fizeram uma campanha dentro de suas expectativas ao dominarem os bielorrussos e irem à Liga Europa, um belo prêmio de consolação a eles.

Ponto forte

O entrosamento. Alguns jogadores importantes foram vendidos nos últimos anos, como Vladimir Darida e Petr Jiracek. Mesmo assim, a base que forma o elenco do Plzen é antiga, com sete jogadores importantes há três temporadas ou mais no clube. Além disso, o entrosamento é beneficiado pela frequência de vários nomes nas convocações da República Tcheca – nove foram chamados ao longo do último ano.

Ponto fraco

O cansaço no fim dos jogos. O Viktoria Plzen tem o elenco com a quarta maior média de idade da Liga dos Campeões – 27,8 anos, inferior apenas a Juventus, Galatasaray e Zenit. E o desgaste do time nos minutos finais tem sido evidente. Dos 13 gols sofridos nesta temporada, entre o Campeonato Tcheco e as preliminares da Liga dos Campeões, oito deles saíram na meia hora final das partidas.

Curiosidade

O Viktoria Plzen só estreou na Liga dos Campeões em 2011, mas na década de 1930 já tinha participado da principal competição continental. Quando a Uefa ainda não havia criado seu torneio, o grande certame era a Copa Mitropa, disputada por clubes de Áustria, Hungria, Itália e Tchecoslováquia. O Plzen se classificou para a edição de 1935, como quarto colocado tchecoslovaco, mas foi eliminado pela Juventus nas oitavas de final. Transformado em Sokol Skoda (clube da indústria automotiva) e Spartak (gerido por organizações populares) durante o comunismo, a ascensão só aconteceu a partir dos anos 2000, quando foi adquirido por um grupo de investidores locais.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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