Faixa carimbada
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Foram precisos três dias de espera até que o Olympiacos pudesse considerar oficial seu 39º título no Campeonato Grego. A confirmação foi dada pela Super League nesta quarta-feira, quando o Panathinaikos teve negado seu recurso contra as punições recebidas no clássico. A perda de três pontos do PAO foi mantida, assim como a vitória da Thrylos no dérbi. Os dez pontos de diferença ratificaram as comemorações, que já tinham sido começadas no final de semana, independente de qualquer respaldo oficial.
Após a vitória por 1 a 0 sobre o Panaitolikos, os jogadores já falavam como campeões. Da mesma forma, a imprensa grega considerava a conquista consumada, tamanha era a desconfiança sobre a reversão das decisões contra o Panathinaikos. Em uma temporada na qual o governo reafirmou uma postura de cerco à violência e à manipulação de resultados no país, era mesmo difícil imaginar um desfecho diferente.
Por fim, aconteceu o que já se apontava desde o início da temporada: nenhum outro time teve forças suficientes para competir com o poderio financeiro do Olympiacos – embora o Panathinaikos tenha incomodado durante boa parte do torneio. A vantagem da Thrylos começa pelo fato de ser o único clube do país com dinheiro em caixa, graças ao presidente Evangelos Marinakis. Dono de 70% das ações da equipe, o padrinho rico dá seus presentes à torcida graças ao dinheiro vindo do transporte marítimo de petróleo, segmento do qual as empresas de Marinakis são líderes mundiais.
Para potencializar ainda mais o abismo, os Erythrolefki foram os únicos gregos a participar da fase de grupos da Liga dos Campeões, o que gera o aporte de mais alguns milhões de euros. Nem a crise econômica vivida na Grécia foi capaz de afetar o clube, algo bem diferente do visto em todos os outros 15 participantes da Super League. Os maiores reflexos dessa situação se deram exatamente no mercado de transferências. Considerando as janelas de verão e de inverno, o Olympiacos gastou 4,5 vezes mais que todos os seus concorrentes juntos. Uma diferença de 12,2 milhões euros contra 2,7 milhões gastos pelas outras equipes.
Obviamente, a supremacia financeira foi fundamental para o título, mas também é possível apontar também alguns méritos da Thrylos que vão além do campo monetário. A começar pelo banco de reservas, onde o técnico Ernesto Valverde desfruta de uma moral pouco costumeira no futebol grego – onde a rotatividade de treinadores faz inveja até mesmo ao Brasil. São três títulos nacionais em três temporadas (não consecutivas) no comando do clube.
Em campo, o espanhol prezou por escalar seu time basicamente no esquema 4-3-3, com dois meias e apenas um volante no meio de campo – diferente do mais precavido 4-2-3-1, usado nos jogos pela Liga dos Campeões e Liga Europa. E a quantidade de peças para montar seu elenco foi vasta. Vinte e dois jogadores chegaram no começo da temporada, além de outros três me janeiro. Com tantos reforços, nem mesmo a venda de Albert Riera, um dos destaques na temporada 2010/11, fez tanta falta assim.
Os acertos começam pelo volante Pablo Orbaiz, trazido do Athletic Bilbao. A mudança tática do 4-4-1-1 para o 4-3-3 aconteceu justamente por conta da confiança de Valverde no cão de guarda. E a meia cancha ainda ganhou a tarimba de Jean Makoun, dando a consistência necessária na transição. Para o ataque, chegou o versátil Djamel Abdoun, crescente na reta final da campanha. E as novidades foram combinadas a duas descobertas dentro do próprio elenco: o goleiro Balász Megyeri e o meio-campista Giannis Maniatis. Apostas que ajudaram apagar as inevitáveis decepções, encabeçadas por Fran Yeste, Javito e Franco Constanzo.
Dos “veteranos” no elenco, Avraam Papadopoulos, Olof Mellberg e Vasilis Torosidis seguiram formando a base do sistema defensivo. O protagonismo, contudo, ficou por conta de Kevin Mirallas, que repetiu a boa forma da temporada passada. Diante da inconstância de Rafik Djebbour e Marko Pantelic, o artilheiro chamou a responsabilidade para si novamente, marcando 19 gols. Variando entre a ponta esquerda e o centro do ataque (após a chegada de Kazim-Richards), o belga mostrou seu talento principalmente a partir de janeiro, com o clube acumulando nove vitórias nos últimos nove jogos.
Enquanto cumpre tabela na Super League, o Olympiacos deverá se empenhar pela dobradinha na Copa da Grécia, aonde depende apenas de um empate para passar à final. E, se quiser, pode até antecipar o planejamento para a próxima temporada, visando o fortalecimento para a disputa da Champions – neste ano, não fosse o tropeço na estreia para o Olympique, o time estaria nas oitavas. Com ameaças mínimas no terreno nacional, a quarta estrela, em homenagem ao 40º título grego, não demorará a ser bordada na camisa da Thrylos.
Concorrente de Messi e CR7
Burak Yilmaz já tinha chamado bastante atenção durante a temporada passada do Campeonato Turco. O atacante passou a revelar seus instintos de artilheiro insaciável a partir de novembro, quando marcou 15 gols nos últimos 18 jogos que fez na Süper Lig. Decidiu seguidas vezes para o Trabzonspor e garantiu o time aceso na disputa pelo título até a última rodada – mesmo que, com o caso de manipulação de resultados, seu desempenho tenha sido colocado em xeque.
Nesta temporada, porém, Yilmaz está provando que sua inspiração é realmente legítima. O atacante vem fuzilando as redes desde as primeiras rodadas da Süper Lig. Foram impressionantes 13 tentos somente nas dez primeiras rodadas. Depois de um pequeno jejum de cinco jogos, o turco retomou o retrospecto e quebrou um recorde neste final de semana, durante o empate por 1 a 1 contra o Fenerbahçe. Foram 32 gols em 29 partidas, superando Fatih Tekke como maior goleador em uma única temporada pelo Trabzonspor.
Com a perspectiva da Super Final, não será surpresa se Yilmaz se tornar também o maior goleador da história em uma única edição do Campeonato Turco. O atual detentor da marca é o lendário Tanju Çolak, que marcou 39 gols na temporada 1987/88 pelo Galatasaray – número que também rendeu a Chuteira de Ouro Europeia. Não fosse o atual regulamento, que prevê 1,5 pontos por gol na Turquia (contra 2 nas grandes ligas), Yilmaz poderia até sonhar em disputar o prêmio continental com Cristiano Ronaldo e Messi. Se mantiver a média e participar dos últimos sete jogos do Trabzonspor na temporada, Yilmaz ao menos igualará o recorde de Çolak.
Entretanto, resta saber se o artilheiro continuará decisivo também nos playoffs. Nas outras competições eliminatórias que disputou no ano (LC, LE, Copa da Turquia e qualificatório da Euro), foram somente dois tentos em dez jogos. Além disso, o centroavante passou em branco contra os três grandes no primeiro turno – se redimindo com três tentos, um a cada confronto, no returno.
Caso sonhe com uma transferência para um clube maior, Yilmaz precisará provar seu faro também contra adversários de peso. Sobretudo, porque os resultados do Trabzonspor são totalmente dependentes de sua grande estrela. Dos 60 gols do time até aqui na Süper Lig, 68,3% tiveram a participação de Yilmaz, seja em finalizações ou em suas nove assistências. O futuro da Karadeniz Firtinasi está em seus pés.
Curtas
Grécia
– O recurso do Panathinaikos valeu para reduzir apenas parte das penas contra o clube: a multa foi diminuída em 40 mil euros, ao invés dos 252 mil iniciais, enquanto o gancho de jogos com os portões fechados cai de quatro para três – ou seja, em todos os jogos do time nos playoffs, no qual já está confirmado.
– Novos rumores sobre a compra do Panathinaikos: um príncipe saudita de 32 anos afirmou que já apresentou compromisso financeiro de 15 milhões de euros para se tornar acionista majoritário do clube.
– Enquanto isso, o Trifylli corre contra o tempo para pagar suas dívidas e obter a licença do Fair Play Financeiro da Uefa. As dívidas até setembro de 2011 teriam sido sanadas, o que salvaria o clube da punição na prestação de contas de abril. Os temores estão em maio, quando a diretoria terá que apresentar as contas de 2011 fechadas até dezembro.
– Pior ainda é a situação do AEK Atenas, que teria conseguido um empréstimo para pagar salários de jogadores e saldar divididas com credores. O clube precisaria arrecadar cerca de três milhões de euros para acertar as finanças e obter a licença parcial de abril com a Uefa.
Turquia
– A notícia da semana foi o retorno de Tayfur Havutçu ao Besiktas, cinco meses depois de deixar a cadeia. O técnico havia assumido a equipe na última temporada, após a saída de Bernd Schuster, e seu único feito, a conquista da Copa da Turquia, foi justamente o que rendeu sua prisão – Havutçu é suspeito de manipular o resultado de final.
– Já Carlos Carvalhal sai pela porta dos fundos das Kara Kartallar. Antigo assistente de Havutçu, o português insistiu na briga com os medalhões. Primeiro, ganhou a queda de braço com Guti. Mas os resultados recentes não respaldaram seu entrevero com Ricardo Quaresma, culminando na demissão.
– Outra novidade no Besiktas foi a eleição de Fikret Orman como novo presidente do clube, após seis semanas de indefinição. Engenheiro civil, Orman venceu as eleições tendo a disciplina financeira como seu principal discurso.
– Com o caso de manipulação de resultados ainda em andamento, a justiça negou nesta semana o pedido para libertar dez suspeitos presos, entre eles o presidente do Fenerbahçe, Aziz Yildirim.
– Enquanto a Super Final está definida, os playoffs pela vaga na Liga Europa estão congestionados. O único garantido é o Bursaspor. Gençlerbirligi, Sivasspor, Eskisehirspor, Istanbul BB e Gaziantepspor lutam pelas últimas três vagas.
– O Samsunspor vai para a última rodada com chances de salvação. Para escapar do rebaixamento, precisa vencer em casa o Sivasspor, torcer pela derrota do Antalyaspor contra o Fenerbahçe e tirar dois gols de saldo.
– A segunda divisão da Turquia perdeu o patrocínio do Bank Asya, vigente desde 2008. A empresa citou violações do acordo por parte de uma das companhias que transmitem a competição.
Chipre
– Antes de se despedir da Liga dos Campeões, o APOEL começou bem o quadrangular final da Super League, vencendo o Omonia por 2 a 1, graças a um gol aos 45 do segundo tempo de Gustavo Manduca. Com o empate por 2 a 2 de AEL e Anorthosis, o APOEL reduziu a diferença para a liderança a apenas um ponto.