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Ex-Xeneize é rei em Malta: o sucesso de Sebastián Monesterolo no Valetta

Formado nas categorias de base do Boca Juniors, Sebastián Monesterolo faz sucesso na liga de Malta, onde é artilheiro

Lapidado pelo conceituado descobridor de talentos Jorge Griffa no laboratório do Boca Juniors, Sebastián Monesterolo é o artilheiro da Liga de Malta com 17 gols, jogando pelo líder Valetta. Muito articulado, o atacante, de 25 anos, conta a Trivela sobre seu sucesso nesta ilha, que fica há algumas dezenas de quilômetros da Sicília, sul da Itália.

O Valetta é líder da Liga de Malta e não ganha a competição há 7 anos. Como está a confiança e a concentração da equipe nesta reta final?
Estamos lutando pelo título, faltando 5 jogos estamos há quatro pontos do vice-líder. A confiança do grupo é muito grande, na última partida contra o Marsaxlokk (vitória por 2 a 1) mostramos um espírito de luta que é muito importante nesta etapa da Liga.

Se conseguir ser o artilheiro da temporada, você tem ambição de ir para uma liga mais expressiva? Tem propostas?
Meu objetivo principal é ser campeão. Claro, se for artilheiro será importante também. Sobre propostas, estamos em negociações com o futebol inglês, mas não posso confirmar nada.

Como é a vida de um futebolista em Malta?
É tranquila, tem bem menos pressão que numa grande Liga, apesar do Valetta exigir muito também já que é um clube grande neste país e é obrigação ir a campo e dar tudo. Mas no geral, é tranquilo.

A Liga de Malta tem 100 anos, mas a seleção e os clubes sempre foram ‘saco de pancadas’ nos torneios europeus. Quais são os principais problemas que os impedem de progredir?
Um dos principais problemas é a cota de estrangeiros por clube que é muito pequena. Só podem jogar três. Talvez se pudessem ter cinco seria um pouco mais forte. Outro ponto é que é um país com apenas 500 mil habitantes e não há como ter a mesma quantidade de bons jogadores que tem Brasil e Argentina, por exemplo.

Seu técnico, Paul Zammit, que perfil tem?
Ele sempre está próximo dos jogadores, trabalha muito e sabe o que faz. É muito interessante falar sobre futebol com ele e escutá-lo. Ele explica suas ideias e na maioria das vezes está certo. É ganhador e te dá muita confiança. Em janeiro, quando ganhamos da Juventus, da Itália (nos pênaltis, tempo normal 1 a 1), pela Betfair Cup, ele trabalhou conosco como se fossemos a Internazionale. Ele fez um trabalho de tal forma que nos mentalizou que podíamos ganhar.

O atacante Gilbert Agius é um ídolo local, experientíssimo, e tem muita estima por você. Como é essa dupla?
Desde que cheguei nos entendemos dentro e fora de campo. É um jogador muito importante para o Valetta porque acumula muita experiência e sempre se aprende com ele. Será ídolo por muito tempo, pois será difícil alguém ganhar o que ele ganhou. Surpreende sua qualidade, se tivesse 20 anos, teria um futuro muito bom no exterior.
Porque retornou ao futebol de Malta ao invés de seguir no Kuwait?
Voltei porque perdi confiança em mim mesmo. Sabia que aqui me queriam e voltaria ao meu melhor nivel. No Kuwait recebi uma proposta do Qatar até melhor, mas preferi voltar a Malta para dar o salto a uma liga mais importante. Estou no caminho certo.

Sua vivência no futebol do Kuwait foi ruim?
O que eu vivi, e não era do meu agrado, era que o Presidente do clube (Al Marzooq Ali Alghanim, do Al Kuwait) fazia parte dos que elegiam a escalação da equipe, essas coisas são nojentas. Nunca tinha visto isso e foi algo muito forte. Ás vezes, o treinador me dizia que seria o titular e duas horas antes do jogo o Presidente chamava o técnico e me sacava dos ‘11’ iniciais. Outras vezes, estava em casa porque não era relacionado e momentos antes do jogo me chamavam para jogar de titular. Tudo isso te mata psicologicamente!

Foi o famoso olheiro Jorge Griffa que te descobriu?
Abel Almada, braço direito de Jorge Griffa, me dizia que citavam sempre meu nome, tinham boas referências, queriam me ver. Fui junto com meu pai e outros dois jogadores para Bs As e tudo correu bem. Quando Jorge me chamou para formar parte da categoria “83” do Boca Juniors foi uma alegria enorme, apesar de ter apenas 13 anos e ter que viver em Bs As, longe da minha família. Nos anos de Boca aprendi muito, Jorge é um mestre na formação de jovens e sabe fazer o jogador progredir constantemente. Só tenho a agradecê-lo.

Por que não triunfou no Boca Juniors?
Porque o plantel profissional estava passando por um grande momento. O time ganhava tudo e os jogadores eram sempre os mesmos e não havia espaço para quem vinha de baixo. Esse foi o motivo, já que durante os seis anos lá mostrei um bom nivel e tive uma das melhores médias de gols da base.

Qual a realidade na “Casa Amarilla”, onde os meninos são lapidados para o futuro do Boca Juniors?
A responsabilidade e a competitividade na base do Boca são muito grandes, mais do que pensam, porque você compete não só com os que já estão, mas com os que chegam também (risos). Eles querem o seu lugar! É algo incrível e lindo de viver!

Vocês falavam muito com Riquelme, Guillermo Schelotto e Palermo?
Não. Treinávamos com eles, mas eles estavam em outro nivel e nós éramos meninos de 17, 18 anos, então eles não davam muita importância. Não quer dizer que não sejam boa gente, mas eles tinham suas coisas e seus tempos.

*Agradecimentos a Leonardo Spadetto

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