Evolução ou fracasso?

Com o fim das eliminatórias europeias para a Copa de 2010, é hora de fazer um balanço das seleções nanicas na competição. Algumas apresentaram significativa evolução, como a Letônia e a Estônia, enquanto outras fizeram campanhas bastante frustrantes diante das expectativas – caso da Geórgia, no grupo 8. E os sacos de pancadas tradicionais seguiram sua tradição: Malta, San Marino e Andorra perderam todos os seus jogos no torneio. Confira o resumo das seleções nanicas nas eliminatórias, grupo a grupo.
No grupo 1, a Albânia começou o torneio bem, segurando um empate sem gols com a Suécia, em Tirana, e vencendo Malta por 3-0. Nas rodadas seguintes, uma derrota para a Hungria e o resultado mais surpreendente: um 0-0 contra Portugal, em Braga. O placar deu esperança aos albaneses, mas um empate sem gols contra Malta e derrotas seguidas em casa para húngaros, dinamarqueses e portugueses eliminaram as chances da equipe no torneio. Nas partidas finais, a Albânia empatou com a Dinamarca em casa, e finalizou levando um 4-1 da Suécia, em Solna. Os albaneses terminaram com sete pontos em dez jogos, tendo uma vitória, quatro empates e cinco derrotas. Foram apenas seis gols marcados e treze sofridos.
No mesmo grupo, Malta assumiu seu papel de saco de pancadas. Exceto por um empate sem gols contra a Albânia, a equipe não só perdeu todos os outros jogos, mas não marcou um gol sequer no torneio inteiro.
O grupo 2 teve a Letônia chegando perto de retornar a uma competição grande após a classificação para o Euro 2004, mas derrotas-chave puseram fim ao sonho letão.
A equipe começou as eliminatórias vencendo a Moldávia por 2-1, em Tiraspol. Na rodada seguinte, o primeiro revés: 0-2 diante da Grécia, em Riga. Logo em seguida, outra derrota, por 2-1, para a Suíça, em St. Gallen.
A campanha seguiu com um empate por 1-1 com Israel, em Riga, e uma vitória de 4-0 sobre Luxemburgo, fora de casa. Na partida seguinte, em abril, outra vitória sobre os luxemburgueses, agora por 2-0. Em setembro, a vitória que encheu os letões de esperança: 1-0 sobre Israel, em Tel Aviv. Na partida seguinte, dia 09 de setembro, os letões chegaram a estar na frente, mas cederam o empate diante da Suíça, e precisariam de resultados improváveis para obter a classificação.
No dia 10 de outubro, uma goleada de 5-2 sofrida diante da Grécia praticamente eliminou os letões. Na última rodada, voltaram a vencer a Moldávia (3-2), mas a concorrência manteve sua vantagem e a Letônia terminou em terceiro lugar no grupo, com 17 pontos (três a menos que a Grécia e quatro menos que a Suíça), com cinco vitórias, dois empates e três derrotas. Foram 18 gols a favor e quinze sofridos.
No mesmo grupo, a Moldávia passou vexame, e conseguiu ficar atrás de Luxemburgo na lanterna, com apenas três pontos, tendo tido três empates (dois 0-0 contra os luxemburgueses, e um surpreendente 1-1 contra a Grécia) e sete derrotas. Foram seis gols marcados e 18 sofridos.
No grupo 3, San Marino manteve sua tradição de eterno perdedor, fazendo apenas um gol e levando 47 em dez partidas, sendo derrotada em todas as partidas. Os sanmarineses levaram 10-0 da Polônia, 7-0 da República Tcheca, 4-0 da Irlanda do Norte… o único gol marcado foi contra a Eslováquia, no dia 11 de outubro de 2008, na derrota por 3-1. Quem sabe nas eliminatórias para o Euro 2012 San Marino consegue um ponto.
O grupo 4 teve Liechtenstein obtendo dois empates, um 0-0 contra o Azerbaijão e um surpreendente 1-1 contra a irregular Finlândia. Fora isso, foram mais oito derrotas, apenas dois gols marcados e 23 sofridos.
Já o Azerbaijão, sob o comando do alemão Berti Vogts, esperava coisa melhor que a campanha de uma vitória, dois empates e sete derrotas, com apenas quatro gols marcados e 14 sofridos. Os azeris começaram a campanha perdendo para o País de Gales por 1-0, em setembro de 2008. Na sequência, empataram sem gols, em casa, contra Lietchenstein. Em seguida, derrota por 1-0 para a Finlândia, depois um 2-0 para a Rússia, outro 1-0 para o País de Gales, um 2-0 para a Alemanha.
Somente em setembro de 2009 os azeris anotaram seu primeiro gol no torneio, na derrota por 2-1 para a Finlândia, em Lankaran. Em seguida, levaram 4-0 da Alemanha, e venceram Lietchenstein por 2-0. Na última rodada, a equipe fez uma boa partida contra os russos, que terminou empatada por 1-1. Os azeris poderiam ter vencido, caso o árbitro inglês Howard Webb tivesse marcado um pênalti claro na segunda etapa. E para piorar, ainda marcou uma penalidade inexistente para os russos, mas o goleiro Agaytev defendeu a cobrança de Alan Dzagoev. E o goleiro russo Akinfeev foi o destaque da partida, com grandes defesas, em especial nos tiros de Vagif Javadov, autor do gol dos azeris.
No grupo 5, Armênia e Estônia apresentaram evolução, embora em nenhum momento tenham tido chance de lutar pela classificação. Ambas conseguiram vitórias sobre a combalida Bélgica, e a Estônia conseguiu arrancar um empate sem gols com a Turquia, em outubro do ano passado. Na classificação final, a Estônia terminou com oito pontos (duas vitórias, dois empates e seis derrotas), enquanto a Armênia ficou com quatro (uma vitória, um empate e oito derrotas). E nesse meio, os estonianos fizeram um jogo duro contra o Brasil num amistoso em agosto, perdendo apenas por 1-0 para Kaká e Cia.
No grupo 6, Andorra fez seu tradicional papel de saco de pancadas, mas, embora tenha perdido seus dez jogos, conseguiu fazer três gols no torneio. As vítimas do ataque andorrano foram Belarus, nas derrotas por 3-1 e 5-1; e o Cazaquistão, em outra derrota por 3-1.
Já o Cazaquistão só conseguiu vencer os dois jogos contra Andorra, terminando com seis pontos. Os dirigentes e a torcida local esperavam mais da equipe. E Belarus mostrou bons momentos, mas não teve força para encarar Croácia, Ucrânia e Inglaterra, as forças do grupo. Os bielorrussos tiveram quatro vitórias (duas contra Andorra e duas contra o Cazaquistão), um empate (0-0 contra a Ucrânia) e cinco derrotas, fechando a tabela com 13 pontos, sete a menos que a Croácia, terceira colocada. A Inglaterra venceu o grupo com 27 pontos.
O grupo 7 teve a seleção das Ilhas Faroe obtendo uma rara vitória em competições oficiais, um 2-1 sobre a Lituânia, além de um empate contra a Áustria. Assim, os faroeses terminaram a competição com quatro pontos, na última colocação.
A Lituânia começou as eliminatórias dando a impressão que brigaria pela classificação. Logo na estreia, fez 3-0 na Romênia em Cluj, e em seguida derrotou a Áustria em casa. Aí veio a primeira derrota, um 3-0 para a Sérvia. Veio então uma vitória magra sobre as Ilhas Faroe, mas depois, duas derrotas seguidas para a França, ambas por 1-0, deixaram os lituanos em situação complicada. Para completar, perderam na sequência para a Romênia em casa, e depois protagonizaram a zebra do grupo, perdendo para as Ilhas Faroe. Já era tarde demais. Uma derrota para a Áustria em Innsbruck e uma vitória sobre a já classificada Sérvia na última rodada deixaram os lituanos em quarto lugar no grupo, com 12 pontos. Foram quatro vitórias e seis derrotas.
No grupo 8 estava a esperançosa Geórgia. A federação local contratou o argentino Héctor Cúper como novo treinador, imaginando que a equipe poderia pelo menos brigar por uma vaga na repescagem. Deu tudo errado. Os georgianos não apresentaram um bom futebol na maioria das partidas, e quando o fez, foi vítima do azar. Na partida contra a Itália, em Tbilisi, enquanto via Buffon fazendo milagres no gol italiano, a torcida viu a Azzurra vencer com dois gols contra de Kakha Kaladze.
O saldo da campanha georgiana foi de três empates e sete derrotas em dez jogos. O time ficou atrás de Montenegro, Chipre, Bulgária, Irlanda e Itália na tabela. Para coroar a péssima campanha, na última rodada a Bulgária goleou os comandados de Héctor Cúper por 6-2, com três gols de Berbatov.



