Esperança em jogo

Olympiacos, Fenerbahçe e Besiktas entram em campo pela última rodada da Uefa Champions League dependendo apenas de suas próprias forças. Uma vitória, ou até mesmo um empate em alguns casos, pode garantir um final de ano feliz para os torcedores alvirrubros, auri-azuis e alvinegros.
É uma situação inusitada para os times da região, acostumados a brigar por vagas na Copa Uefa, ou simplesmente chegar à última rodada apenas com a missão de não passar em branco na competição. E, obviamente, deixa seus torcedores excitados com a possibilidade de ver seus clubes do coração chegando às fases finais da Champions.
A situação mais vantajosa é a dos gregos. Os Thrylos dependem de um simples empate contra o Werder Bremen em Pireu para se classificar. Seria a volta às fases de mata-mata da competição européia. Seria a segunda vez que os os alvi-rubros logram sucesso nas fatídicas fases de grupo da Champions (a 1ª neste milênio). A única vez em que chegaram tão longe na UCL foi na distante temporada 1998/9, quando acabaram eliminados pela Juventus nas quartas de final.
Os Thrylos não venceram em casa. Porém, também não perderam -empataram em um gol com a Lazio, e sem gols com o Real Madrid. E mais um empate coroaria uma campanha inesquecível dos gregos, que venceram duas vezes fora de casa na Champions League (um número impressionante para um clube que nunca havia vencido fora desde a implantação da fase de grupos da UCL, em 1993). E, só para constar, a única derrota dos gregos também deixou uma boa impressão. Foi a derrota para os espanhóis em Madri, por 4 a 2, quando lideraram o placar mesmo com um jogador a menos.
O Fenerbahçe, por sua vez, tem que vencer o CSKA em Istambul para não depender do resultado entre PSV Eindhoven e Internazionale. Caso não vençam, os canários amarelos terão que torcer para que os holandeses não consigam vencer os italianos em casa. O empate em pontos entre Fener e PSV favorece os turcos, já que levam vantagem no confronto direto -primeiro critério de desempate da UCL.. Nos dois confrontos entre as duas equipes, houve um empate sem gols em Eindhoven e uma vitória turca, por 2 a 0, em Istambul.
Os canários são os responsáveis pelo único ponto dos russos na competição. No fim das contas, o empate em Moscou não foi um bom resultado para os turcos. Afinal, seus rivais conquistaram os três pontos sobre o CSKA no estádio Lokomotiv. E um novo tropeço no time de Vagner Love e Jô seria praticamente mortal, já que a Inter não tem nenhuma obrigação de tomar pontos do PSV nos Países Baixos.
O Besiktas também depende de uma vitória simples. Porém, joga fora de casa, situação em que não somou nenhum ponto nesta Champions League. Pior, não fez um mísero gol. E já soma 10 gols sofridos (oito para o Liverpool, dois para o Olympique de Marseille)…
Além disso, as águias negras confrontarão justamente o time que os venceu no Besiktas Inonu, o Porto. No jogo da primeira fase, os lusos conquistaram a vitória já nos descontos, aos 47 do segundo tempo, com um gol de Ricardo Quaresma.
Será que conseguirão devolver a derrota? Se conseguir esta façanha, o time de Bobô e Matias Delgado conquistará uma classificação no mínimo surpreendente para a fase final da Champions.
O sonho persiste
Talvez não dê para dizer que dê para “dar sorte” num sorteio de chaves para a Eurocopa, um dos torneios mais equilibrados do mundo. A chance de se pegar uma chave fácil neste torneio é quase nula. Há chances muito maiores de enfrentar uma chave com pedreiras como Holanda, França e Itália -missão que caberá à Romênia nesta edição da Euro…
Por isso mesmo, Grécia e Turquia podem se considerar felizes pelo resultado do sorteio das chaves. Os grupos em que foram sorteados permitem pensar em classificação.
Além disso, o “fator zebra” é importante nestes torneios de tiro curto. Turcos e gregos sabem bem o que isso significa, afinal, em suas últimas aparições nestas fases finais, ambos surpreenderam o mundo -com um terceiro lugar na Copa de 2002, e com um título da Euro 2004.
Os turcos pegam uma chave complicada, mas que permite sonhar. Enfrentarão Portugal, Suíça e República Tcheca no Grupo A.
A estréia, contra os Tugas, dirá muito sobre as reais pretensões dos turcos. Afinal, os lusos estão num nível superior de seus rivais de grupo. Porém, neste tipo de torneio curto, sempre há a chance de uma zebra no confronto único em território “neutro”. Caso não saia de campo derrotada, a Ay Yildizliar ganha no aspecto psicológico e pode até sonhar com uma vaga.
O segundo encontro será contra a Suíça. Talvez o problema seja a recente rivalidade, afinal, o encontro de 11/06 será o primeiro encontro entre turcos e suíços desde a batalha no Besiktas Inonu, pela repescagem das eliminatórias para a Copa 2006.
Naquela ocasião, turcos e suíços protagonizaram uma lastimável briga campal que deixou cicatrizes em ambas as equipes -e muito provavelmente os turcos não desfrutarão do clima “neutro” que caracteriza os suíços…
A República Tcheca, apesar de seus grandes jogadores (como o goleiro Petr Cech, por exemplo), tem largo retrospecto de decepção nestes torneios, o que abre uma possibilidade.
Caso sobrevivam a esta provação, os turcos enfrentarão os vencedores -ou vices- do Grupo B, de Alemanha, Croácia, Polônia e Áustria. Ficando em 2º -muito provavelmente o máximo a ser almejado pelos turcos no grupo-, pegam a Alemanha, e provavelmente a campanha turca ficará por aí.
O grupo D, dos gregos, dá um gostinho de deja-vu. Afinal, Espanha e Rússia fizeram parte daquele grupo A da Euro 2004. O problema para o “Navio Pirata” é que a vitória que os classificou para a fase seguinte foi sobre Portugal, o outro integrante daquela chave. Sobre os rivais, houve um empate (com a Espanha), e uma derrota (para a Rússia).
A situação da Fúria não mudou muito, e segue com seus problemas de bi-polaridade, vivendo altos e baixos agudos apesar de seus bons jogadores. Por outro lado, a Rússia evoluiu com a chegada de Guus Hiddink, e aparece como uma seleção capaz de brigar por uma classificação.
Os suecos, a “novidade” do grupo, também não assustam tanto assim. Não tem o problema (e a vantagem) de uma equipe sede, e não são os favoritos destacados. Mas não são nenhuma potência.
Um fator que complica é que os helênicos perderam o fator surpresa que os caracterizou na campanha em Portugal. Isso pode pesar contra eles na campanha de 2008. De toda forma, é um grupo equilibrado, que permite que Otto Rehhagel e seus comandados possam pensar em classificação na 1ª fase, sem maiores problemas, caso consigam jogar a contento.
A partir das quartas-de-final, porém, os gregos terão que começar a se valer das artimanhas (e também com um pouco da sorte) que os caracterizaram em Portugal. O cruzamento prevê o choque com o famigerado “grupo da morte”, o C, que foi citado mais acima –e provavelmente uma seleção de alto nível. A vantagem é que, em jogos contra equipes mais poderosas, o sistema de defender primeiro para contra-atacar depois se mostrou efetivo em 2004.
Papai Noel generoso
Gregos, turcos e cipriotas foram bons garotos(as) durante o ano. Não fizeram mal criações, nem xixi na cama. Por isso, ganharam um presente antecipado de Natal. O sorteio das chaves das eliminatórias européias para a Copa do Mundo de 2010, realizado em Durban-AFS em 25/11, foi positivo para as seleções da Grécia, Turquia e até mesmo Chipre.
Sem grandes bichos-papões, os grupos sorteados permitem devaneios assanhados com vistas a uma viagem a África do Sul -que é logo ali, segundo alguns jornalistas. O problema é que, nas eliminatórias para os Mundiais, apenas os campeões dos grupos se classificam diretamente para a festa -os oito melhores vice-líderes dos grupos disputam um Playoff entre si, o que equilibra muito a disputa. Os turcos, que falharam nas duas últimas repescagens, que o digam.
A Grécia é um exemplo. Sorteados no Grupo 2, com Israel, Suíça, Moldávia, Letônia e Luxemburgo, os helênicos pegam um grupo relativamente fraco. Mais fraco do que, por exemplo, o grupo das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006, quando tiveram pela frente Ucrânia, Turquia e Dinamarca.
Claro que Israel e Suíça têm futebol para complicar a vida do Navio Pirata, ainda mais se os gregos bobearem como nas últimas eliminatórias para a Copa. Naquele momento, os gregos começaram relaxados depois da conquista da Euro 2004 e acabaram derrotados pela Albânia logo na primeira rodada. Foi o que se mostrou determinante no fracasso da campanha, que culminou com um decepcionante quarto lugar em seu grupo.
Outro problema é a transição da geração campeã da Euro 2004, que pode acontecer logo depois da defesa do título na Áustria e na Suíça. Jogadores como Nikopolidis, Dellas, Kapsis, Basinas e Giannakopoulos já estão com 32 anos ou mais hoje, e podem simplesmente decidir abandonar a seleção. Pode ser um problema a se considerar já para a eliminatória para a Copa 2010. Claro que há jogadores talentosos, mas o entrosamento do time pode demorar um pouco, complicando a vida nas eliminatórias.
Caso estes problemas não compliquem a vida grega, o Navio Pirata certamente brigará por uma vaga na competição sul-africana.
Entre os turcos, o temor não está na fase de grupos. Os turcos foram sorteados no grupo 5. Apesar da Espanha estar em um patamar acima da Ay-Yildizliar, Bélgica, Bósnia-Herzegoniva, Armênia e Estônia, pelo menos atualmente, estão num estágio futebolístico inferior do que os turcos. Assim sendo, a classificação para a repescagem é bem factível -e, dada as dificuldades que os espanhóis tradicionalmente enfrentam durante as fases eliminatórias, dá até para sonhar com um título do grupo.
São dois os problemas. O primeiro é que os turcos não têm jogado a contento há algum tempo. Desde o fim do primeiro turno da eliminatória para a Euro, para ser mais exato. E, apesar de bons resultados (como a virada sobre os noruegueses em Oslo (2 a 1) e uma goleada sobre a Hungria), o futebol apresentado não foi dos melhores. E empates contra Malta e Moldávia mostram que a campanha turca no 2º turno não foi das melhores.
Outro fator é o peso que a sequência de fracassos nos Playoffs pode causar na Milli Takim. Eliminados pela Letônia da Euro 2004, e pela Suíça da Copa 2006, os turcos podem sentir o peso destes fracassos numa possível classificação para a repescagem.
Quanto ao Chipre? Dá pra sonhar? Bem, sonhar (ainda) é de graça, e não paga imposto. A Itália está em outro patamar, e deve alcançar a classificação com facilidade. Mas o segundo lugar no grupo está em aberto. Bulgária, Irlanda (Eire, a República), Georgia e Montenegro são as outras seleção que acompanham o Chipre no Grupo 8. Certo que Bélgica e Eire partem em vantagem, já que tem um time melhor.
Mas uma classificação para a repescagem não é nenhum devaneio. Afinal, os cipriotas venceram os irlandeses no confronto direto no grupo D das eliminatórias da Euro´08. Após golearem em Nicosia (5 a 2), os cipriotas sofreram o empate (1 a ) no último minuto em Dublin. Como os búlgaros também não tem sido efetivos nos últimos anos -apesar de ter ido relativamente bem nas últimas eliminatórias, quando ficou em 3º atrás de Romênia e Holânda-, pode ser que o sonho não seja tão inalcançável assim.



