ESCANDINÁVIA: Era Nilsson durou pouco
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O que parecia questão de tempo se concretizou: a passagem de Roland Nilsson pelo Kobenhavn terminou de forma precoce. No último dia 9, o clube confirmou a demissão do sueco, que acertara com o FCK em abril.
Causa natural estranheza sempre que um treinador é demitido com seu time na liderança de um campeonato – e o clube da capital dinamarquesa ocupa exatamente a primeira posição da Superliga. Entretanto, analisando as expectativas depositadas em torno do Kobenhavn, torna-se mais fácil entender os motivos da saída prematura de Nilsson.
Antes de falarmos na presente temporada, cabe relembrar a última. Em 2010-11, o time foi campeão dinamarquês com incrível facilidade, com uma vantagem de 26 pontos em relação ao segundo colocado. Mais que a supremacia doméstica, os dinamarqueses chegaram longe na Champions League, caindo apenas nas oitavas de final.
O histórico desempenho continental, aliado ao poderio econômico bem superior se comparado aos adversários locais e vizinhos escandinavos, fez com que o Kobenhavn vislumbrasse uma era de afirmação em torneios internacionais. Na visão do clube, o resultado na última Champions era apenas o primeiro passo para consolidar o FCK como um nome competitivo nas competições européias. Não que aspirações exageradas (como o título) fossem levadas em conta, mas repetir o desempenho de 2011 e ir além dos grupos era uma projeção real.
O treinador norueguês Stale Solbakken, desde 2006 em Copenhague, rumou para a Alemanha ao fim da temporada. Desde então, era sabido que substituir Solbakken, um dos artífices do projeto de grandeza do clube, seria uma fogueira. E é aí que aparece a figura de Roland Nilsson.
A situação de Nilsson começou a se complicar logo em seu primeiro teste efetivo. Depois de fazer a lição de casa e eliminar (sem convencer) os irlandeses do Shamrock Rovers, o Kobenhavn perdeu duas vezes para o Viktoria Plzen e sequer conseguiu ir além do play-off de qualificação na Liga dos Campeões.
Como consolo, restava ainda a Liga Europa. E nova decepção. A equipe até começou de maneira razoável, vencendo sua primeira partida no torneio: um magro 1-0 em casa diante dos ucranianos do Vorskla Poltava – com gol de pênalti. Seria a única vitória do time na competição, que dali em diante empatou duas partidas e foi derrotado em outras três. As ambições européias do Kobenhavn acabavam já em dezembro.
Ainda que os resultados abaixo das expectativas no cenário continental tenham pesado mais decisivamente para a queda de Nilsson, o desempenho morno na liga dinamarquesa também não passou despercebido. Ainda que ocupe a primeira posição, o time não mostrou em nenhum momento das dezoito rodadas transcorridas a mesma consistência apresentada na temporada passada. Passa a impressão de liderar mais por viver numa realidade acima dos rivais e possuir mais recursos do que pelo futebol apresentado.
Para o posto que era de Nilsson, nenhuma aposta ou nome estranho: o até então diretor esportivo Carsten V. Jansen. Ainda que nunca tenha trabalhado como treinador, ninguém poderá acusar Jensen de não conhecer seu clube. Seja como jogador, assistente técnico ou membro da diretoria, o ex-meia de 48 anos vive a rotina da equipe desde 1993.
Não se sabe se a escolha é um tampão até o fim da temporada ou definitiva, já que, mesmo no ritmo atual, o clube dificilmente perderá o campeonato dinamarquês. Com Solbakken não totalmente seguro no Colônia, visualizar uma volta do norueguês ao FCK na próxima temporada não seria nenhum delírio.