Europa

Epopeia europeia

O jogo era para ser uma guerra. Gregos e turcos disputando uma vaga para a fase de grupos da Liga Europa. De um lado, o tradicional Fenerbahçe, tentando se reerguer após a eliminação na Liga dos Campeões e conseguir ao menos um lugarzinho nas competições continentais. De outro, também de sorte infeliz na Champions, o PAOK, este mais motivado pelos bons desempenhos recentes do que os turcos, de passadas ainda incertas.

Na primeira partida, mesmo sendo muito menos agudos em campo, os tessalonicenses conseguiram assegurar a vitória em casa. O tento salvador veio em belo arremate de primeira de Vieirinha, após bola sobra de bola dentro da grande área. Para piorar, o PAOK ainda conseguiu segurar o placar apesar de ficar com um homem a menos dentro de campo desde os 12 minutos da primeira etapa.

Unidos ao tropeço diante do Trabzonspor na Super Lig, todos esses elementos colocavam a partida no Sükrü Saracoglu como de vital importância ao Fenerbahçe. A passagem na Liga Europa, além de seguir a tradição do clube no cenário europeu, também valia alguns euros a mais para a conta bancária dos Canários Amarelos. Para conquistar a vitória, força máxima, com alguns dos jogadores poupados no encontro pelo Campeonato turco, como Alex e Stoch, de volta aos gramados.

A postura do Fenerbahçe traduziu os anseios da equipe em campo. As jogadas fluíam principalmente em chutes de longa distância, os quais o goleiro adversário defendia com extrema eficiência. No lugar do capitão Kostas Chalkias, ausente por contusão, o croata Dario Kresic o substituía mantendo o bom nível debaixo das traves do PAOK. Em arremate de Miroslav Stoch, o arqueiro operou um milagre ao tirar a bola do ângulo.

Os gregos apostavam em velocidade nas jogadas de ataque. Contra uma zaga desguarnecida do Fenerbahçe, com meio-campistas mais adiantados que o comum, o PAOK avançava nos contra-ataques rápidos, todos, no entanto, bem seguros por Volkan Demirel.

Após tanto tentarem, enfim, o gol dos turcos saiu nos primeiros minutos do segundo tempo. Dos pés de Alex saiu lançamento para Niang, afastada pela defesa. Mas na sobra, Emre bateu de forma limpa, de primeira, de fora da área. A bola, que ainda respingou em um adversário, tocou nas pontas dos dedos de Kresic antes de morrer nas redes.

O PAOK, por seu lado, continuava desperdiçando nos contra-golpes. Foram duas finalizações erradas com a meta adversária aberta, uma bloqueada por Fábio Bilica e outra incrivelmente mandada para fora.

Terminado o tempo normal, com o resultado repetido da primeira partida, a continuação seria decidida na prorrogação. E já nos primeiros minutos desta, Alex, até então principal homem em campo pelo lado do Fenerbahçe, parecia chamar ainda mais a responsabilidade para si. Foram dois lances perigosos que, por muito pouco, não acabaram morrendo dentro da meta.

A pena pela falta de pontaria, entretanto, viria exatamente em um lance ofensivo. Em bola que sobrou dentro de sua área, Kresic encheu o pé para a frente. A bola ainda resvalou na cabeça de Vieirinha antes de sobrar para Zlatan Muslimovic que, depois de ganhar de Diego Lugano na corrida, fuzilou no canto Volkan. De dúvida para o jogo, por conta de uma contusão, o bósnio, que entrara nos minutos finais, tornara-se o herói.

Depois disso, mais um chute para fora de André Santos e o Fener não tinha mais forças. Eliminados, agora os turcos concentram-se para não fazerem da temporada um fiasco ainda maior nos torneios nacionais. E os gregos, sorteados no Grupo D, ao lado de Villarreal, Club Brugge e Dínamo de Zagreb, podem até mesmo almejar uma classificação dentro de chave que se mostra bem nivelada.

Como era de se esperar por conta da rivalidade entre os dois países, infelizmente gregos e turcos se enfrentaram fora do estádio. Alguns torcedores do PAOK foram acusados de lançar morteiros contra os fãs dos Canários Amarelos e há o risco de punição financeira ao clube de Tessalônica.

Outros resultados

Como não havia nenhum clube da região na última fase de playoffs da Liga dos Campeões, todos os olhares de gregos, turcos e cipriotas se voltaram para a Europa League. E num total de oito confrontos contra equipes de outros países, os times da região acabaram saindo no prejuízo.

O mais bem classificado destes foi o Besiktas. Depois de vencerem em casa o HJK Helsinque por 2 a 0, os Kara Katallar fizeram ainda mais bonito na Finlândia, vencendo por 4 a 0. As estrelas Ricardo Quaresma e Guti abriram o placar. Primeiro em um belo chute no ângulo do português, depois em arremate do espanhol na saída do goleiro. Necip Uysal e Filip Holosko, já nos acréscimos, completaram o placar. Outro de passagem para a fase seguinte foi o Aris, que fez a lição de casa ao vencer o Austria Wien por 1 a 0 e depois segurou o empate por 1 a 1 longe de seus domínios. Autor de ambos os gols dos Deuses da Guerra, o guatemalteco Carlos Ruiz já caiu nas graças da torcida, apesar das poucas semanas em Tessalônica.

Um pouco mais polêmica foi a vitória acumulada do AEK. Primeiramente, com um gol de Djebbour, a Enosis venceu o Dundee United em plena Escócia. Eles só não esperavam encontrar um ambiente ainda mais hostil quando chegassem na Grécia. Impedidos de jogarem no Estádio Olímpico de Atenas, com gramado sem boas condições, os Dikéfalos atuariam no Nea Smyrni Stadium. Porém, os rivais do Panionios, donos do estádio, fizeram o favor de impedir a partida ao estragarem o próprio campo. Com o jogo novamente transferido, desta vez para o Georgios Karaiskakis, do Olympiacos, o AEK empatou por 1 a 1 e alcançou a classificação.

Em relação às eliminações, apesar de começarem vencendo o Liverpool por 1 a 0, resultado que levaria a decisão para a prorrogação, o Trabzonspor permitiu a virada já no fim do tempo normal. Enquanto o gol de Teófilo Gutiérrez saiu aos 4 do primeiro tempo, somente após os 38 do segundo é que os Reds conseguiram inverter o placar, primeiro com Kacar contra e depois de Dirk Kuyt.

O Galatasaray, que havia empatado em Istambul com o Karpaty Lviv em Istambul depois de sair perdendo por 2 a 0, parecia com o destino ao seu lado. O gol redentor foi marcado por Aydin Yilmaz aos 46 minutos da segunda etapa, após lançamento em profundidade que deixou o turco no mano a mano contra o goleiro adversário. Contudo, aos 48, em bola recuperada na linha de fundo, Artem Fedetskiy recebeu livre, na pequena área, para decretar a desgraça dos Aslanlar.

Já os cipriotas ficarão limitados somente à própria ilha. O Anothorsis, que levara um 4 a 0 do CSKA Moscou, ainda perdeu por 2 a 1 em Larnaca. O Omonia, atual campeão local, até chegou perto. Depois de perder em Nicósia por 1 a 0, ficou por duas vezes em vantagem, mas acabou empatando com o Metalist Kharkiv. E o APOEL, que, ao vencer por 1 a 0, igualara o placar do primeiro jogo contra o Getafe, sucumbiu somente nos acréscimos.

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Equipe Trivela

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