Europa

Dinastia toma conta da Polônia

O Wisla Cracóvia ganhou na atual temporada mais uma Liga Polonesa, a oitava nos últimos 13 campeonatos. Mais do que isso: nas cinco temporadas em que não foi campeã, a equipe foi vice-colocada em quatro delas. A exceção foi a temporada de 2006/07, quando o Wisla teve uma campanha decepcionante figurando apenas na oitava posição. O título ficou com o modesto Zaglebie Lubin.

Com esses números, é inegável que o clube vermelho e branco da cidade de Cracóvia (em polonês Kraków) está criando uma verdadeira dinastia na Liga Polonesa. E neste ponto vale uma pitada histórica.

Boleslau I, conhecido como “o Bravo”, foi o primeiro rei dos territórios polacos no século X, no entanto antes de entrar para a história do país como governante máximo da época, ele foi príncipe de Cracóvia por 32 anos. Tal qual o compatriota Boleslau I, o Wisla tem seguido os mesmos passos e expandido sua força pelo restante da Polônia.

O clube também está muito próximo de assumir de vez o posto de maior campeão do país. Com as oito conquistas recentes, o Wisla está apenas uma atrás dos grandes vencedores na Polônia: o Górnik Zabrze e o Ruch Chorzów, ambos com 14 troféus. Contudo, essas duas equipes tradicionais não vencem a Liga Polonesa desde a década de 80.

O Górnik Zabrze ganhou a última em 87/88, quando engatara o tetracampeonato, enquanto o Ruch Chorzów levantou sua derradeira taça em 1988/89. A seca de conquistas do Górnik e do Ruch fez com que a diferença de títulos para o Wisla caísse de nove para um em apenas 22 temporadas.

Nas últimas dez campanhas, a melhor colocação do Górnik Zabrze foi justamente o modesto sexto lugar na atual temporada. Por sinal, uma temporada de recomeço, já que a equipe acabara de subir para a primeira divisão, depois do rebaixamento em 2008/09. Já o Ruch Chorzów conseguiu o terceiro lugar na temporada 2009/10.

A lenda de Piast

A primeira dinastia de reis polacos, que se sucedeu a partir dos herdeiros de Boleslau I, foi chamada de Piast, em alusão a uma figura lendária da Polônia. Segundo o folclore local, Piast foi hospitaleiro com dois estrangeiros que chegaram repentinamente em sua casa pedindo abrigo. Em retribuição, os dois estrangeiros disseram que jamais faltaria comida na casa de Piast. A crônica polaca afirma ainda que Piast seria o avô de Boleslau I, o príncipe de Cracóvia.

Se Piast na lenda é conhecido por ter sido um bom anfitrião, o mesmo não se pode dizer do Wisla Cracóvia. Nos últimos quatro campeonatos, o Wisla venceu três (2007/08, 2008/09 e 2010/2011). Nestas três conquistas o time sempre teve um grande desempenho atuando no estádio Miejski Henryka Reyamana, com capacidade para mais de 33 mil torcedores.

Em 2007/08, o time somou 14 vitórias e um empate nos 15 jogos em casa. Na campanha de 2008/09, o desempenho caiu um pouco: 13 vitórias, um empate e uma derrota. Na temporada 2010/11, o time venceu 11 jogos, empatou dois e perdeu outros dois. Já na temporada 2009/10, quando terminou com o vice, o Wisla não teve o mesmo aproveitamento em casa: foram apenas oito vitórias, três empates e quatro derrotas, que colocaram a equipe como a quinta melhor nesse quesito. No entanto, o que alavancou a campanha do time para assegurar um bom posto na tabela foi o desempenho fora de casa, já que foram 11 vitórias, dois empates e duas derrotas. Coincidência ou não, quando o Wisla tentou ser um mandante mais hospitaleiro, a equipe não saiu com o caneco.

E para os torcedores do Wisla é bom que as possíveis semelhanças com a história de Boleslau I parem por aqui, já que o rei morreu precocemente e com isso o governo dele durou apenas um ano. Certamente, se o Wisla conquistar o posto de maior campeão da Polônia, o time não pretende ter um reinado tão curto.

A disputa do resto

O Wisla Cracóvia nadou de braçada nesse campeonato, tanto que faturou o título com três rodadas de antecedência. Com isso, a equipe também se garantiu na segunda fase eliminatória da próxima Champions. Contudo, a disputa pelas duas vagas nas fases prévias da Liga Europa foi de tirar o fôlego. Nada mais nada menos do que nove equipes chegaram até a última rodada com chances matemáticas de beliscar uma das duas vagas.

A segunda colocação ficou com o Slask Wroclaw depois de uma campanha de recuperação impressionante. Até a décima primeira partida, o Slask estava na zona de rebaixamento, era o décimo quinto com 11 pontos ganhos, aproveitamento pífio de 33%. Mas no restante da campanha a equipe engatou uma bela sequência e saiu da incômoda zona da degola para garantir uma vaga em competições europeias. Nas 18 rodadas finais o aproveitamento subiu para 67%, sendo que nos oito jogos derradeiros foram seis vitórias, um empate e apenas uma derrota.

O terceiro lugar ficou com o Legia Warszawa, que terminou com os mesmos 49 pontos do Slask, mas saldo de gols inferior: 7 contra 12 do adversário. A equipe também teve de arrancar nas últimas rodadas para garantir seu lugar na próxima Liga Europa. Nas últimas sete partidas, foram cinco vitórias e dois empates.

Quem ficou com um gosto amargo foi o Jagiellonia Bialystok, quarto na tabela. A equipe liderou o certame por 12 rodadas, ficou outras 14 na segunda colocação, mas perdeu a chance de disputar as fases prévias da Liga Europa. Mesmo assim, este foi o melhor desempenho na história da modesta equipe, que possui apenas um título nacional: a Copa da Polônia em 2010.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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