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Dinamarca derruba hegemonia de 22 anos (e seis títulos seguidos) da Alemanha na Eurocopa Feminina

Nenhum grande campeonato de seleções viu uma hegemonia tão grande quanto a da Alemanha na Eurocopa Feminina. Em 11 edições desde 1984, conquistou oito títulos, inclusive os últimos seis, o que significa que foi o único time campeão do torneio nos últimos 22 anos, entre 26 de março de 1995 e este domingo, quando perdeu nas quartas de final para a Dinamarca, por 2 a 1. Um total de 8162 dias como dona do troféu da Eurocopa.

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A Alemanha não se classificou para as duas primeiras edições da Eurocopa Feminina, entre as reconhecidas pela Uefa. Foi campeã em 1989 e 1991. Dois anos depois do segundo título, perdeu para a Itália, nos pênaltis, e foi derrotada pela mesma Dinamarca na disputa do terceiro lugar. Sua primeira derrota na competição. Recuperou o título na edição seguinte, em 1995, e repetiu a glória mais cinco vezes. Nesse período, perdeu apenas um jogo, na fase de grupos, para a Noruega, em 2013.

A derrota fica ainda mais espantosa porque a Dinamarca é uma seleção historicamente média no futebol feminino. Está em 15º lugar no ranking da Fifa – a Alemanha é a segunda colocada -, disputou apenas uma Olimpíada, nunca chegou à final da Eurocopa Feminina, tendo alcançado, na atual edição, a sua sexta semifinal, a segunda seguida. Na Copa do Mundo, o melhor que conseguiu foram duas classificações às quartas de final, no começo da década de noventa.

Seu grande feito aconteceu neste domingo, quando impôs à Alemanha apenas a sua terceira derrota em toda a história da Eurocopa Feminina. As alemãs haviam passado da fase de grupos sem problemas, em primeiro lugar, com duas vitórias e um empate. As dinamarquesas classificaram-se na chave da Holanda, com dois triunfos e uma derrota, para a anfitriã.

A partida deveria ter sido realizada no sábado, mas foi adiada para domingo por causa de uma forte chuva. Nada que atrapalhasse o jogo da Alemanha. O relógio havia acabado de bater em dois minutos de partida, quando Kerchowski recebeu pela ponta esquerda, cortou para o meio e bateu com curva. A goleirona dinamarquesa Stina Lykke falhou feio: tentou espalmar, mas mandou contra o próprio patrimônio.

 

Se a missão de derrubar a Alemanha da Eurocopa Feminina geralmente já é quase impossível, sair atrás antes dos três minutos de jogo complica bastante as coisas. As alemãs seguiam mais perigosas, enquanto as adversárias marcavam alto, tentando roubar a bola das adversárias no campo de ataque. Stina Lykke recuperou-se com duas defesas seguras. A Dinamarca quase empatou com um cruzamento de Theresa Nielsen, um pouco alto demais para a companheira Pernille Harder. No escanteio seguinte, outra boa oportunidade para as dinamarquesas.

A Dinamarca terminou melhor o primeiro tempo, mas ainda tinha muito trabalho a fazer. E fez metade muito rápido. Aos 4 minutos da segunda etapa, Stine Larsen recebe uma falta na ponta direita, mas leva vantagem e a jogada continua, ao contrário das suas marcadoras alemãs, que ficaram paradas aguardando a infração. Ela entra na área e cruza na segunda trave para Nadia Nadim cabecear e empatar.

 

A Dinamarca já assumia o controle do jogo, com Sanne Troelsgaard exigindo uma boa defesa de Almuth Schult logo na sequência. Mas o gol da vitória sairia apenas aos 37 minutos do segundo tempo, em uma jogada muito bem trabalhada. Nielsen começou a jogada com Nadim, que abriu para Frederikke Thogersen. A mesma Nielsen entrou na área, entre as zagueiras, e nem precisou pular para cabecear no canto de Schult.

 

“No intervalo, dissemos que estávamos em vantagem, mas não estávamos confiantes ou jogando como se estivéssemos à frente. Elas ganharam confiança, nós estávamos dormindo no primeiro gol. É difícil. Fez 1 a 1. A Dinamarca continuou a ganhar mais confiança”, avaliou a técnica da Alemanha, Steffi Jones. “Nossa vontade de vencer não foi tão grande quanto a da Dinamarca”.

Theresa Nielsen, autora do gol da vitória, foi eleita a melhor jogadora da partida. “Ganhar da Alemanha é tão incrível. Não consigo descrever os sentimentos porque é tudo muito grande. Alguém chorou nos vestiários, várias, aliás. Eu vou chorar depois porque é tão incrível”, comemorou. “Todo mundo sonha em marcar, mas fazer isso é outra coisa. Por que não hoje? Foi um bom dia”. Dá mesmo para dizer que foi um bom dia para as dinamarquesas, que esperam outro nas semifinais, contra a Áustria.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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