Europa

Dérbi sem graça

Imagine que você passou meses se preparando para uma grande festa. Comprou roupa, reservou o convite antecipadamente, confirmou presença. Ela será num local amplo, espaçoso. Seus amigos também vão. Haverá boa música, comida e bebida. Mas, quando chega o grande dia, você nota que o lugar é tão grande que, mesmo com muita gente lá dentro, parece vazio. Seu melhor amigo brigou com a namorada e não foi. O som era ruim e a música, de gosto duvidoso. Os salgadinhos estavam frios. A cerveja, quente. Você até que tenta entrar no espírito da coisa e se divertir um pouco, mas no fundo torce mesmo é para a festa acabar logo.

Foi mais ou menos assim que se sentiram os torcedores de Rapid Viena e Áustria Viena, times que no último sábado protagonizaram o jogo de número 300 na história do dérbi da capital austríaca.

Emblemática pela contagem tricentenária, a partida mobiliza atenções desde há muito tempo. Os noticiários esportivos dos jornais davam a ela grande destaque há semanas. Os clubes, embora não admitam oficialmente, praticamente ignoraram a primeira rodada da Bundesliga após a pausa de inverno – tinham o pensamento totalmente voltado ao clássico.

Dos dois lados, a motivação era enorme. Os verdes do Rapid não queriam completar um ano sem ganhar do maior rival (a última vitória ocorreu em 13 de março de 2011). Os violetas do Áustria desejavam ampliar para quatro o número de jogos seguidos sem derrota para o adversário. E com ambas as equipes brigando pela ponta do campeonato, uma vitória no dérbi fortaleceria – e muito – a campanha em busca do título.

Antes do jogo, a festa foi bonita. Balões verdes e brancos (o mando era do Rapid) foram soltos no estádio Ernst Happel e o número 300 apareceu, literalmente, pegando fogo. Fora do estádio, a polícia garantiu a segurança de fãs dos dois lados, que, apesar da vontade, não conseguiram se pegar.

Mas, quando a bola rolou, a frustração foi enorme. Como diz a velha frase utilizada por técnicos consagrados nas mais variadas modalidades, o medo de perder tirou a vontade de ganhar – dos dois times.

As chances de gol foram raras e justificaram as declarações dos treinadores Peter Schottel (do Rapid) e Ivica Vastic (do Áustria) de que iriam se preocupar primeiro com a defesa. Mais do que passar para a história como ganhador do dérbi 300, ambos tiveram receio se eternizar como perdedor do jogo.

A maior emoção da partida aconteceu aos 41 minutos do segundo tempo, numa bola que os verdes acertaram no travessão. Fora isso, o Rapid até teve mais domínio territorial do jogo – com todas as bolas passando pela articulação de Steffen Hofmann –, mas sem capacidade para passar pela bem postada defesa dos violetas. Fora isso, algumas discussões e jogadas mais ríspidas fizeram lembrar um pouco a grande rivalidade entre os clubes.

Nas arquibancadas, os torcedores ficaram no mesmo ritmo morno do jogo. Com capacidade para 50 mil pessoas, o Ernst Happel parecia vazio mesmo com a presença de 29,4 mil pagantes – todos os ingressos foram vendidos, mas a capacidade de público da partida foi esvaziada por questões de segurança. Também por segurança, o clássico foi disputado no estádio municipal e não no Gerhard Hanappi, a casa do Rapid.

Desde 1911, este foi o 67º empate no dérbi vienense (o Rapid tem 124 vitórias e o Áustria Viena, 109). O clássico de sábado será sempre lembrado como o simbólico jogo de número 300 – e também um dos mais sem graça de toda a história.

CURTAS

ÁUSTRIA

– O dérbi 300 marcou a primeira transmissão em 3D de um jogo da Bundesliga austríaca.

– O Rapid Viena está invicto há 12 jogos. Porém, são oito empates (quatro deles por 0 a 0) e apenas quatro vitórias desde 1º de outubro do ano passado.

– Ricardo Moniz volta a balançar no cargo de técnico do Red Bull Salzburg. Depois de apanhar de 4 a 0 em casa do Metalist na Liga Europa, ficou no 0 a 0 com o Sturm Graz pela Bundesliga.

– A partida entre Kapfenberger e Wiener Neustadt foi  adiada por causa do excesso de neve.

SUÍÇA

– No principal jogo da rodada do Suição, Young Boys e Basel empataram por 2 a 2. Assim, a vantagem da equipe da Basileia sobre o adversário, na tabela de classificação, segue de seis pontos.

– Dos quatro jogos da rodada, aliás, só um teve vencedor: Servette 3 x 1 Grashopper.

– A Erste Liga, a segundona suíça, foi retomada no final de semana. Destaque para o líder St. Gallen, que goleou em casa o Delémont por 6 a 0.

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Equipe Trivela

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