Europa

De volta aos trilhos?

A liderança da Super League. Há cinco jogos sem perder. Com o melhor ataque da competição. E também com a melhor defesa. Depois de uma sequência de decepções desde a temporada passada que pareciam intermináveis, o Olympiacos finalmente voltou a sentir os ares de grandeza de outrora. Fora da já costumeira Liga dos Campeões e também da Liga Europa, o clube se reconstrói nas competições domésticas. E está pronto para recuperar a hegemonia que lhe fora roubada pelo maior rival.

É certo que o nível do Campeonato Grego não está muito elevado depois das seis primeiras rodadas. O que prevalece é o extremo equilíbrio entre as equipes. De todos os participantes, apenas três possuem aproveitamento dos pontos superior à 50% dos pontos. Uma vitória (mais saldo de gols) separa o décimo primeiro colocado, Atromitos, do terceiro, o AEK. Invictos, somente Olympiacos e Panathinaikos.

Os Trifilis, aliás, são os únicos que prometem atormentar as pretensões dos líderes. Apesar de humilhados na Liga dos Campeões, o Panathinaikos se recupera do começo errante na Super League. Venceu os últimos três jogos e Cissé desponta na artilharia do torneio, com cinco gols marcados. Ao contrário do Olympiacos, porém, o PAO manteve a base de seu elenco formada na última temporada, além do técnico Nikos Nioplias.

Já o time de Pireu se refaz na atual temporada. A começar pelo comando técnico, assumido inicialmente por Ewald Lienen. O alemão, no entanto, não durou mais do que quatro jogos oficiais na temporada, demitido após a primeira derrota. Para o seu lugar, o espanhol Ernesto Valverde, que, apesar de ter vencido o título nacional há duas temporadas, foi rechaçado dentro do clube logo depois da conquista.

Logo na primeira partida de Valverde, derrota. A virada sofrida contra o Iraklis nos últimos dez minutos do encontro passava a impressão de que, muito mais do que o treinador, o problema era estrutural. O espanhol, contudo, soube encaixar as peças que tinha em mãos e já demonstra a competitividade de seu grupo.

Afinal, a janela de transferências fora proveitosa aos Thrylos. O ataque ganhou Dennis Rommedahl e Marko Pantelic, jogadores que participaram da Copa do Mundo de 2010, além de ter emprestado o promissor Kevin Mirallas do Saint-Étienne. O meio-campo recebeu Albert Riera, contratado do Liverpool por seis milhões de euros, bem como também Ariel Ibagaza e David Fuster, ambos provenientes do Villarreal. Comparados com as saídas de jogadores como Zewlakow, Lua Lua e Maresca, os novos atletas tinham muito a acrescentar ao time.

Dos antigos titulares do meio-campo para frente, apenas Dudu Cearense continua absoluto, titular em todas as partidas feitas na temporada. No restante, renovação. Fuster acompanha o brasileiro na proteção defensiva, enquanto Ibagaza arma a equipe. Rommendahl pela direita e Riera pela esquerda adicionam velocidade pelos lados do campo no time armado em um sistema 4-2-3-1. Isolado na área adversária, Pantelic até começou bem como titular, mas perdeu a posição para Mirallas nos últimos jogos, que se mostrou eficiente nas finalizações e participativo na construção das jogadas de ataque.

A defesa, por sua vez, mantém-se baseada no entrosamento de sua linha. Apesar de José Holebas, trazido por Ewald Lienen, ter ganhado a lateral-esquerda no início da temporada, Raúl Bravo retomou a vaga sob o comando de Valverde. Ao seu lado, Torosidis, Avraam Papadopoulos e Mellberg garantem a proteção da meta. Debaixo das traves, mesmo com as seguidas críticas nos últimos meses, Nikopolidis ainda não tem substituto que tire a sua vaga no time.

Além dos contratados, uma boa surpresa da base tem aparecido do banco de reservas. Giannis Fetfatzidis só havia feito três jogos como profissional até agosto. O armador de 19 anos, entretanto, caiu no gosto de Ernesto Valverde e entrou em todas as seis partidas feitas pelo Olympiacos na Super League. E o garoto tem dado conta da responsabilidade, marcando um gol e servindo duas assistências até aqui. O bom desempenho já o levou até mesmo à seleção grega, com a qual participou das últimas duas rodadas das Eliminatórias da Euro. Mesmo reserva em ambos os jogos, Fetfatzidis foi elogiado nos minutos em que esteve no gramado.

A tabela, por enquanto, não reservou grandes desafios aos Thrylos. Dos cinco derrotados em sequência, foram os dois clubes que ficaram mais próximos do rebaixamento na temporada passada, Asteras Tripolis e Skoda Xanthi, além de todos os três times que conquistaram o acesso na Beta Ethniki – com a distinção de que o Kerkyra é o atual quarto colocado. Os verdadeiros testes, contudo, vêm a partir de agora.

Para provar que a recuperação de seu time é real e que o Olympiacos poderá nadar mais uma vez de braçada na Super League, Ernesto Valverde terá um adversário duro já na próxima rodada. Mesmo jogando em Pireu, o Aris de Héctor Cúper não é dos visitantes mais tragáveis. E, no fim de semana seguinte, o grande derby do país, a ser realizado em Atenas.

Apesar de não ficar com nenhum título, os Thrylos bateram o Panathinaikos em ambos os encontros realizados no ano passado. Desta vez, o time de Pireu pretende manter a invencibilidade que dura três temporadas, mas não só isso. Quer também ampliar a vantagem sobre o PAO na tabela, que é de apenas um ponto, e provar que a perda da hegemonia nacional não passa de um ponto fora da curva.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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