Europa

De volta à vida

Solbakken era um experiente meiocampista, parte de uma fornada de jogadores que levou a Noruega aos melhores resultados de sua história. Na segunda metade dos anos noventa, os noruegueses exerceram um bom papel no futebol mundial, vencendo rivais tradicionais (como o Brasil, em amistosos e na Copa da França) e chegando ao honroso segundo lugar do ranking de seleções da Fifa. Era quase sempre reserva (concorria com Mykland e Leonhardsen, dois dos destaques daquela geração), mas ultrapassou a marca de cinqüenta partidas internacionais.

Após fazer sucesso jogando em sua terra natal e uma passagem rápida pela Inglaterra, Solbakken brilhava na Dinamarca. Campeão nacional pelo Aalborg, foi contratado pelo Kobenhavn. Pela equipe da capital, conquistou seu segundo título dinamarquês, mas não estava em campo para comemorar.

Em 13 de março daquele ano, três meses antes do fim da temporada, desmaiou durante um treinamento. A seriedade da situação se confirmou quando o médico do clube percebeu que não conseguia sentir os batimentos do jogador. Era uma parada cardíaca. Uma ambulância foi chamada às pressas, mas o meia foi declarado clinicamente morto imediatamente. Solbakken não esteve vivo por sete minutos, até ser ressuscitado já dentro da ambulância que seguia para o hospital. A causa do ataque foi uma má formação de seu coração, jamais detectada em exames.

Vivo e sem sequelas (apenas necessitou utilizar um marca-passo), abandonou os campos, mas não o futebol. Rapidamente tornou-se técnico e retornou ao Kobenhavn, em 2006. Como treinador, superou com sobras sua carreira de atleta. Em cinco anos, colecionou títulos e consolidou a hegemonia total do clube no futebol dinamarquês – foram cinco conquistas nacionais durante sua passagem, deixando escapar a taça apenas uma vez, em 2007/08.

Entretanto, o principal feito de Solbakken como “professor” foi pinçar o nome dos Leões como uma equipe competitiva no futebol europeu. Além de passar duas vezes pela fase de grupos da Copa da UEFA/Liga Europa, o FCK protagonizou algumas zebras na Champions League. A primeira delas foi em 2007, ao eliminar o Ajax, ainda na fase eliminatória. Na fase de grupos, uma boa campanha: apesar do quarto lugar, a equipe venceu dois jogos e empatou um, brigando de igual para igual pela classificação com o gigante Manchester United e os tradicionais Benfica e Celtic. Mas foi na edição atual da UCL que o time fez história, tornando-se o primeiro clube dinamarquês a ultrapassar a fase de grupos e se classificar para as oitavas de final do torneio – um feito e tanto para o futebol de clubes escandinavo. A marca chamou a atenção do Köln, que acertou com o técnico para a próxima temporada.

A ida do técnico para a Alemanha sugere a dúvida de como a equipe se comportará sob nova batuta após tanto tempo. Durante as cinco temporadas que comandou seu ex-time, o treinador foi a grande referência para uma equipe sem astros. Seu substituto está definido desde abril: Roland Nilsson, ex-zagueiro da Suécia nas Copas de 1990 e 94 e campeão sueco pelo Malmö em 2010. A apresentação do novo comandante está marcada para o primeiro dia de junho. Para Solbakken, o desafio será o de ser um dos raros (talvez o único) técnicos estrangeiros no futebol alemão.

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Equipe Trivela

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