Da água para o vinho

Nada como um ano depois do que o outro. Na última edição da Champions League, ao final do primeiro turno da fase de Grupos, a participação dos clubes gregos e turcos era desoladora. Os gregos AEK e Olympiacos e o turco Galatasaray cumpriam uma campanha fraquíssima e somavam, cada um, um mísero ponto depois de três partidas disputadas. Nenhum deles estava entre dois primeiros do grupo, que se classificam para a fase de mata-mata. Menos de dois meses depois, estavam todos eliminados da competição.
Um ano depois, o cenário é oposto. Surpreendentemente, Besiktas, Fenerbahçe e Olympiacos, os clubes da região, cumprem campanha decente na fase de grupos. E sim, há motivos para otimismo, e para acreditar numa classificação para as oitavas-de-final.
Falemos do Besiktas, que surpreendeu e venceu o adversário mais poderoso de sua chave, o Liverpool, marcando os seus primeiros pontos da chave. As águias negras derrubaram o atual vice-campeão, que mais uma vez visitavam Istambul, cidade em que conquistaram a UCL de 2004/5.
O destaque do jogo foi o brasileiro Bobô, que armou a jogada que abriu o placar (que acabou num gol contra de Sami Hyypia), além de fazer o segundo gol. Porém, sem as defesas de Hakan Arikan, certamente a situação teria ficado (com o perdão do trocadilho infame) negra para as Águias. Os Reds dominaram o jogo, tendo maior posse de bola (56% a 44%) e maior número de chutes a gol (21 a 11), mas não conseguiram vazar o 84 turco.
A situação do Besiktas ainda está longe de ser tranquila, já que disputou dois jogos em casa e venceu apenas um. Se o clube de Dolmabahçe ainda tiver alguma ambição na Champions atual, terá que conquistar pontos em jogos fora de casa, além de cumprir a lição de casa contra os franceses do Olympique Marselha.
O Fenerbahçe, por sua vez, vem cumprindo uma campanha acima das expectativas na Champions League. Depois de vencer a Internazionale em Istambul, conquistou dois empates fora de casa contra CSKA e PSV.
O jogo contra os holandeses foi fraco, sem grandes emoções, apesar do domínio dos turcos. Alex se lesionou ainda no primeiro tempo, enquanto Deivid foi expulso aos 19 do segundo. Para completar a lista de más notícias para os turcos, Lugano levou o segundo cartão amarelo e cumprirá suspensão no jogo de volta junto com o atacante.
De toda a forma, os Canários Amarelos conseguiram evitar a derrota, resultado que os holandeses conquistaram nos seis encontros anteriores com times turcos. E, nas próximas partidas, terão dois jogos no caldeirão do Sukru Saraçoglu, o que é uma boa notícia para os turcos.
Quem tem surpreendido é o Olympiacos. O clube de Pireu tem apresentado um futebol sólido nesta primeira fase da Champions. Parece que a quebra do tabu de vitórias fora de casa, alcançada em Bremen na segunda rodada (com a vitória por 3 a 1), fez bem à confiança do time. Se por um lado os Thrylos não fazem uma campanha tão brilhante na Super League grega, a campanha continetal chama a atenção.
Enfrentando o Real Madrid, em pleno Santiago Bernabeu, o alvi-rubro não se intimidou, e jogou de igual para igual mesmo com um jogador a menos por quase 80 minutos. A partida estava empatada em um gol quando, aos 13 minutos, o zagueiro Vassilis Torosidis foi excluído por fazer uma falta que impediu uma clara chance de gol merengue.
Jogando fora de casa, seria compreensível que um técnico colocasse mais um defensor para repor o jogador excluído. Mas o técnico Takis Lemonis não alterou o time, realocando Patsatzoglou, que jogava como meia, na lateral direita. A coragem pagou seus dividendos logo no começo do segundo tempo, quando Júlio César virou a partida para os gregos.
Então, Bernd Schuster agiu. Robinho, até os 11 do segundo tempo, fazia uma partida discreta. Sumido pela ponta esquerda, sufocado pela boa marcação dos Thrylos. Porém, com a substituição de Salgado por Higuain, Schuster conseguiu fazer com que o Real jogasse pelos dois lados, reduzindo a pressão da marcação sobre o brasileiro -“alargando o campo”, como costumam dizer os técnicos de futebol. Assim, sob a marcação de um jogador pouco afeito à posição, daí sim ele pôde brilhar -e fazer as jogadas tão decantadas pela imprensa nacional.
Enfrentando um Robinho mais solto, ficou difícil para o Olympiacos segurar a pressão. O brasileiro fez dois gols e armou o contra-ataque do quarto gol, marcado já nos acréscimos. E isso, depois dos merengues sobreviverem a uma pressão do alvi-rubro, com pelo menos duas defesas decisivas do goleiro Casillas.
De toda a forma, os Thrylos mostraram força, mesmo jogando fora de casa. E, caso repitam apresentações com este nível em Pireu, quando voltarão a ter o apoio de sua fanática torcida -depois de um jogo com portões fechados na primeira rodada da UCL-, podem alcançar um feito histórico para o clube -a classificação para a fase de mata-mata da UCL.
O céu e o inferno são vizinhos…
De um lado, sorrisos, alegria, felicidade. Do outro, uma seleção destroçada psicologicamente e correndo sérios riscos de não se classificar. É este o saldo da semana das Eliminatórias para a Eurocopa 2008 para gregos e turcos.
Depois de um confronto entre as seleções destes dois países, o resultado costuma agradar os turcos, afinal, os gregos não venciam os rivais havia mais de meio século (última vitória grega fora em 1952). Porém, desta vez foi diferente. Quem se deu bem foi o Navio Pirata.
A seleção grega teve uma semana memorável. De uma tacada só, os bregos conseguiram a classificação para a defesa do título da Euro no ano que vem, duas vitórias e o fim de um tabu histórico, contra um rival fidagal faz a alegria dos gregos.
Começou com uma vitória difícil, porém esperada, contra a Bósnia-Herzegovina. O 3 a 2, conquistado no estádio Olímpico Spiridon Louis, em Atenas, garantiu a tranqüilidade da liderança grega no grupo C das Eliminatórias.
Depois deste jogo difícil, a moral grega ficou em alta. Por outro lado, os turcos, mais uma vez, fracassavam em um jogo que tinham a obrigação de vencer. Desta vez, foi contra a fraca Moldávia. O empate em um gol na capital moldava, Chisnau, foi outro baque na instável campanha turca para a Euro.
Aliás, este tipo de resultado não é novidade para a “Ay-Yildizliar”. Se no primeiro turno os turcos conseguiram uma campanha quase perfeita, em que terminaram na liderança do grupo –apesar da derrota para os bósnios-, os resultados do segundo turno podem servir como um “case” de como fracassar em uma chave eliminatória européia.
Foram quatro jogos. Uma única vitória, em casa, sobre a Hungria, quando não convenceu ninguém. Relembrando, os turcos só alcançaram a goleada sobre a Hungria, só depois de uma decisão duvidosa do árbitro, quando expulsou um atacante húngaro por simulação.
De resto, o time comandado por Fatih Terim faz uma campanha ridícula neste segundo turno. As desatenções da defesa, a pouca eficácia do ataque, somada a um pouco de falta de sorte causaram a perda de pontos para Malta e Moldávia. Porém, este tipo de falha é imperdoável, e costuma custar uma vaga para uma seleção europeia em competições internacionais -Euro e Copa do Mundo.
O jogo disputado no Ali Sami Yen (estádio do Galatasaray) foi apenas um prolongamento do que vem sendo feito na campanha. Enquanto os gregos estavam tranquilos, sem pressão de buscar o resultado, os turcos carregavam a obrigação de vencer.
Justamente o que se viu em campo. Uma Turquia jogando pressionada, preocupada com o destino que as eliminatórias tem tomado, e vendo ruir uma classificação praticamente certa, e uma Grécia jogando com tranquilidade em terreno adversário. O gol de Amantadis, aos 29 minutos do 2º tempo, foi o golpe numa Turquia sem confiança, que cada vez mais fica longe da classificação.
E, agora, o sonho da classificação, que parecia próximo e viável para os turcos, se torna uma tarefa complexa. Em meados de novembro, os turcos terão que vencer Noruega e Bósnia-Herzegovina, os adversários mais fortes do Grupo C, para garantir o passaporte para a Euro.
Caso contrário, terão que esperar um resultado negativos dos noruegueses contra Malta. Ou então os turcos assistirão novamente a Euro pela televisão. Depois do fracassos turcos contra a Letônia nos Playoffs para a última edição das eliminatórias da Euro, e contra a Suíça na classificatória da Copa, é a última coisa que os turcos desejam.
Copas!
Tanto na Turquia quanto na Grécia, já foram disputadas as fases classificatórias das Copas Nacionais, disputadas por clubes pequenos, de divisões menores. Agora, chega a vez dos clubes grandes entrarem em campo para começar as suas respectivas campanhas.
Na Grécia, os clubes das três primeiras divisões (Super League, Beta e Gama Ethniki -dividida em norte e sul) disputam a competição, num total de 69 clubes. Os confrontos, em suas primeiras quatro fases, são definidos em apenas um jogo -com a possibilidade de prorrogação e pênaltis caso o embate não se decida. Na quinta fase, os embates ainda são definidos em um jogo, mas caso termine empatado, há um jogo-extra para desempate. E, a partir das quartas-de-final (sexta fase), os jogos são definidos em dois jogos, em sistema semelhante ao da Copa do Brasil, Libertadores e Champions League (gol fora de casa serve como fator de desempate). A final é em jogo único.
Os 16 clubes da Super League, estréiam na competição na quarta fase, disputada nos dias 10 e 31 de outubro. Olympiacos, AEK e Panathinaikos estrearão na próxima semana. Panathinaikos e AEK enfrentarão, respectivamente, Ethinikos Asteras (da Beta Ethiniki) e Fostiras (da Gama Ethiniki Sul), ambos da região da Attica, nas cercanias de Atenas. O Olympiacos terá uma viagem um pouco mais longa, enfrentando o Diágoras (da Gama Sul, também) na lendária ilha de Rhodes.
Mas, na rodada do dia 10 tivemos algumas surpresas. Uma delas foi uma grande zebra, já que o PAOK de Tessalônica foi eliminado pelo pequeno Thrasyvoulos, da terceira divisão. Outros times da Super League já eliminados foram Levadiakos e Ergotelis, eliminados por Ethinikos Katerini (da Gama Ethiniki Norte) e Agrotikos Asteras (da Beta Ethiniki).
Na Turquia, os quatro times grandes (os que conquistaram o título turco em alguma oportunidade: Galatasaray, Trabzonspor, Fenerbahçe e Besiktas) entram apenas na terceira fase, quando a competição ganha uma fase de grupos. Antes disto, há duas fases classificatórias em que os times das três divisões principais (Super Lig, Lia A e Lig B) lutam pela classificação.
A fase de grupos tem um sistema semelhante à da Copa Uefa. São grupos de cinco times, que se enfrentam em turno único, e disputam duas vagas nas oitavas-de-final. A partir desta fase, os jogos são disputados em jogos de ida-e-volta até a final, que é disputada em jogo único.
Os grupos da Copa da Turquia 2007/8 são:
Grupo A: Besiktas, Ankaraspor, Ankaragücü, Çaykur Rizespor, Diyarbakýr
Grupo B: Trabzonspor, Gençlerbirligi, Vestel Manisaspor, Adana Demirspor, Kýrýkkalespor
Grupo C: Fenerbahçe, Kayserispor, Gaziantepspor, Sanlýurfaspor, Alanyaspor
Grupo D: Galatasaray, Bursaspor, Denizlispor, Gençlerbirliði OFTAÞ Spor, Sarýyerspor
E a fase será aberta no dia 31/10, com os seguintes jogos:
Beþiktaþ x Ankaragücü
Çaykur Rizespor x Diyarbakýr
Kýrýkkalespor x Vestel Manisaspor
Adana Demirspor x Trabzonspor
Sanlýurfaspor x Fenerbahçe
Alanyaspor x Gaziantepspor
Sarýyerspor x Galatasaray
Gençlerbirliði Oftasspor x Denizlispor
CURTAS:
Turquia
O pequeno Sivasspor assumiu pela primeira vez em sua história a liderança da Süper Lig. O roteiro da liga turca fica cada vez mais parecido com a da temporada passada.
O time de Sivas repete a história do Vestel Manisaspor, que surpreendeu os grandes ao assumir a liderança da competição na temporada passada.
Os Yigidolar esperam que a história não se repita com exatidão, e que eles possam terminar a temporada em boa forma. Só lembrando, o Manisaspor teve problemas e quase acabou rebaixado.
Apesar de continuar invicto, o Galatasaray começa a se preocupar. Os leões perderam quatro pontos nas últimas duas rodadas -empataram com o Kayserispor e com o Ankaraspor. Se o resultado com o Kayserispor foi tratado com naturalidade, já que o clube de Kayseri continua tendo um bom time, o empate com os leopardos preocupa.
A equipe da capital faz uma campanha lamentável nesta temporada, não tendo conquistado uma vitória até o momento.
Grécia
O AEK segue em sua campanha perfeita. A vítima da vez foi o Larisa, derrotado pelo placar mínimo.
Agora, são cinco vitórias consecutivas para os Dikefalos. E, o mais impressionante, sem tomar gols.
Mas agora a festa dos pequenos parece ter terminado. Olympiacos e Panathinaikos ocupam as posições subsequentes, depois de passarem alguns momentos de aperto na Super League.
Chipre
No Chipre, quem lidera o campeonato é o Omonia, da capital Nicósia, com 15 pontos em 18 possíveis.
A única derrota dos Trifilis foi para o Alki, de Lanarca, que está na décima colocação.
O perseguidor mais próximo do Omonia é o Anorthosis Famangusta, com 14 pontos.
O atual campeão, Apoel, está em terceiro, com nove pontos em 15 possíveis. A última partida dos atuais campeões, contra o Apollon Limassol, foi interrompida no intervalo, quando venciam por 2 a 0. Mas, com 45 minutos por disputar, o resultado ainda precisa de uma confirmação da federação cipriota.
A seleção cipriota lamentou a perda de um resultado que seria histórico pelas Eliminatórias da Euro.
Contra a Irlanda, em Dublin, os cipriotas permitiram que os irlandeses empatassem já nos descontos, aos 47 do 2º tempo. Steve Finnan, do Liverpool, marcou um belo gol de voleio e definiu o placar em 1 a 1.
Este resultado acabou uma série de três vitórias consecutivas dos cipriotas. O Chipre havia vencido San Marino duas vezes (1 a 0 em Serravalle e 3 a 0 em Nicosia), e o País de Gales (3 a 1, em Nicósia, no sábado anterior).
Nas últimas rodadas, os cipriotas enfrentarão justamente as duas seleções classificadas (Alemanha e República Tcheca). É o que coloca em risco a histórica quarta colocação em uma chave de Grupos.



