Europa

Crônica de um rebaixamento anunciado

Ao final da 33ª rodada da Bundesliga austríaca, quando o rebaixado para a Ersteliga (a segunda divisão) já estava definido, ninguém se surpreendeu. Afinal, a campanha do LASK Linz, pior time da temporada na Áustria, já levava a crer que seu fim seria mesmo a queda. E ela aconteceu quando ainda restavam três rodadas para o término do campeonato.

Fundado em 1899 como um clube de atletismo, o LASK incorporou o futebol em 1919.
Na divisão de elite austríaca, seu maior feito é a conquista do campeonato nacional e da Copa da Áustria na temporada 1964/65. É considerado um time médio, desses que alternam entre a primeira e a segunda divisão.

Mas a campanha feita nesta temporada ultrapassou qualquer possível expectativa negativa Até a publicação desta coluna (restando duas rodadas para o término do campeonato), o LASK teve aproveitamento de apenas 18,6%. Para efeito de comparação, na temporada 2000/01, quando também foi rebaixado, o aproveitamento foi de 30,5%.

Os números que levaram a equipe de Linz à degola dão o tom de como a campanha foi terrível. Até a antepenúltima rodada, foram apenas 3 vitórias, ante 10 empates e 21 derrotas. O ataque marcou 21 gols e a defesa tomou 72.

A queda para a segunda divisão era tão iminente que o técnico Walter Schachner, famoso por mexer com os brios dos jogadores, disse que “nem mesmo um mago teria mudado” a situação da equipe. Apesar de escancarar a realidade, Schachner – que garantiu que vai cumprir seu contrato e ficar no clube na próxima temporada – lamentou o rebaixamento, o primeiro de sua carreira. “É amargo. Tenho de ver como posso lidar com isso”, disse após o empate por 0 a 0 com o Wiener Neustadt, o jogo que selou a queda.

Uma rodada antes, quando um milagre ainda salvaria o Lask – que acabara de ser goleado por 5 a 0 pelo Áustria Viena – o próprio treinador iniciou o discurso de que era preciso reformular e começar a pensar na segunda divisão da próxima temporada.

A vida será dura

Este é o quinto rebaixamento do LASK (além dos já citados, também caiu em 1977/78, 1988/89 e 1992/93). Em algumas vezes, conseguiu retornar logo na temporada seguinte, como na primeira e na terceira vez em que visitou a segunda divisão.

Uma olhada na história recente dos acessos e descensos da Bundelisga, porém, pode desanimar o torcedor alvinegro de Linz – que já anda bastante preocupado com o futuro do clube. Nas últimas dez temporadas, apenas três rebaixados conseguiram voltar à elite do futebol austríaco: o próprio Lask, que caiu em 2000/01 e retornou em 2006/07; o Ried, rebaixado em 2002/03 e promovido em 2004/05 e o Wacker Innsbruck, que caiu em 2007/08 e subiu em 2009/10.

E uma olhada na história recente mostra, também, que o time da terceira maior cidade da Áustria não terá vida fácil. A Ersteliga é tão competitiva quanto a Bundelisga e dá acesso apenas ao seu campeão. Nas últimas seis temporadas que esteve por lá (de 2001/02 a 2006/07), o LASK ficou abaixo do quinto lugar em quatro delas.

Há ainda os problemas de bastidores. A direção da Bundesliga chegou a negar a licença para o time jogar a próxima temporada, alegando falta de provas de que haveria fontes de renda. O caso já foi revisto e o LASK poderá atuar normalmente. Mas o presidente do clube, Peter Michael Reichel, não economizou palavras para criticar a atitude. “Restauramos o LASK nos últimos dez ou onze anos, sempre no azul. Somos um clube pequeno, com um grande nome, que é a diferença”, disparou.

O que ele aparentemente não se lembrou, porém, foi o passivo de 96 mil euros do clube com o fisco austríaco. Por causa da dívida, algumas rendas de jogos do Lask disputados em seu estádio tiveram a renda confiscada pela Justiça.

Para o torcedor mais tradicional, talvez a crise atual (há boatos até de que o clube pode ser vendido) em nada se compare à vivida nos meados da década de 1990, quando o clube – até então chamado de ASK Linzer – foi à falência e se viu obrigado a se fundir com seu maior rival, o FC Linz.

De qualquer forma, o certo é que o torcedor de Linz terá de se reacostumar a ir ao Linzer Stadion para ver jogos da segunda divisão. E torcer para que, crises à parte, o Lask possa voltar a proporcionar alegrias – ainda que temporárias, como vem sendo sua sina dos últimos tempos.

Briga quente na Suíça

Se na Áustria o rebaixamento já está definido há algum tempo, na Suíça a coisa é diferente. Neuchâtel Xamax (31 pontos), St. Gallen (30) e Bellinzona (29) têm mais duas rodadas, somente, para definir quem fica em último lugar e cai para a Challenge League, a segunda divisão.

Dos três, o caminho teoricamente menos difícil é o do Bellinzona, atual ocupante da zona da degola. Isso porque o time vai encarar dois adversários que não possuem mais grandes aspirações: Thun e Grasshopper.

O St. Gallen, por sua vez, pega o líder Basel e o Young Boys, que tenta vaga nas fases preliminares da Liga Europa. Já o Xamax encara o Young Boys e o Sion, outro que quer se garantir na competição europeia.

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Equipe Trivela

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