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Cinco ideias para deixar a Liga Europa mais interessante

A Liga Europa tem o hábito de mudar de roupa com constância em busca do modelito ideal, mas ainda não o encontrou. Trocou nome, formato e até passou a dar vaga para a Champions League. Fica, porém, a sensação de que o torneio ainda não atingiu totalmente o seu potencial.

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Muitos clubes com jogadores e tradição para torná-lo mais interessante não dão a mínima para o torneio. Disputam a maioria das partidas com a mesma empolgação que um adolescente estuda física em uma quinta-feira à tarde ou come beterraba. Ainda a tratam como uma punição por não terem conseguido chegar à Champions League.

Essa postura é mais frequente na Inglaterra, onde reina uma certa megalomania e os jogos muitas vezes são considerados culpados de atrapalhar a campanha dos clubes na Premier League. A Itália também adorava desprezar a Liga Europa, mas deu muito mais importância para ela nesta temporada. Sabe que pode ser essencial para recuperar a quarta vaga na Liga dos Campeões.

Acima de tudo, deveriam valorizar a chance de conquistar um título, mas sabemos que nem sempre funciona assim. Por isso, para não ficar apenas batendo nela, vamos dar quatro sugestões à Uefa para deixar a Liga Europa mais interessante. Quem tiver o e-mail do Platini, pode encaminhar, por favor.

Grupos regionalizados

A favor do Tottenham e outros crônicos desinteressados pela Liga Europa, imagina a preguiça de viajar para o Azerbaijão no meio da semana entre duas partidas difíceis da Premier League? Na verdade, imagina a preguiça de viajar para o Azerbaijão? Não é uma viagem tranquila, dependendo do destino não há voo direto e muitos clubes menores que conseguem vaga para a competição não têm dinheiro para bancar o deslocamento.

Uma solução para isso seria regionalizar os grupos. Ela perderia um pouco o seu caráter internacional, porque provavelmente haveria mais de um clube de cada país por chave, mas ganharia em economia e também em rivalidade. Poderia haver, por exemplo, dois Fiorentina x Napoli ou Valencia x Sevilla a mais  no primeiro semestre da temporada.

A divisão poderia ser realizada por questões meramente geográficas ou mesmo logísticas, mas certamente criaria disparidades técnicas. Alguns grupos ficariam mais fortes do que os outros. Por outro lado, clubes da Bélgica, por exemplo, não teriam a chance de conhecer Londres, mas também chegariam às fases eliminatórias mais facilmente. Não dá para ter tudo nessa vida.

Uma fase preliminar a mais

Os times da fase de grupo serão apurados na próxima temporada com quatro fases preliminares, que definem 22 classificados. Juntam-se a eles os dez perdedores dos playoffs da Liga dos Campeões, os 12 vencedores de copas dos países mais bem classificados no ranking, o quarto colocado da Itália e o quinto colocado de Espanha, Inglaterra e Alemanha.

Depois dessa complexa reunião de ingredientes, a sopinha é dividida em 12 grupos, um número que seria exagerado até para a Champions League. Imagina na Liga Europa. Nossa sugestão é mais uma fase preliminar para selecionar melhor as equipes que têm a honra de disputar o torneio. Com um ajuste aqui e outro ali, daria para cortar umas três chaves.

Jogos na terça

Convenhamos que, depois de um fim de semana de futebol seguido quase imediatamente por dois dias de grandes clássicos europeus na Champions League, mesmo um potencialmente interessante Valencia x Dínamo Kiev, por exemplo, dá sono. A proposta, originalmente de Gabriele Marcotti, do ESPNFC, é definir a terça-feira como dia da Liga Europa. Trocar a sensação de fim de feira pela de preliminar de grandes partidas. Um Chelsea x Barcelona teria muito mais capacidade de conquistar a sua atenção em uma quinta-feira. O efeito colateral seria valorizar os domingos dos campeonatos nacionais, ao invés dos sábados como acontece atualmente, e não vemos nenhum problema nisso.

Aumentar a premiação

Bom, dinheiro é sempre uma ótima forma de chamar a atenção das pessoas, mas não serviria apenas para isso. Também ajudaria a equilibrar as ligas nacionais porque os clubes que estão fora da Champions League têm muita dificuldade para entrar nesse clubinho. Isso aumenta a desigualdade técnica entre as equipes de um mesmo país e cria-se um círculo: quem está fora da Champions não consegue entrar nela e quem está dentro tem que fazer muita coisa errada para sair.

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Basta pegar a Inglaterra como exemplo. Após uma temporada vacilante em 2010, o Liverpool chorou sangue para conseguir voltar à principal competição de clubes da Europa, apesar de ser pentacampeão, ter grande potencial de renda, marketing, torcida e etc. O próprio Manchester United, que ficou fora da atual temporada, precisou investir pesadíssimo para retornar com o dinheiro que havia acumulado após várias edições seguidas.

Uma forma boa de minimizar isso seria aumentando a premiação. A decisão da Liga Europa rende € 5 milhões para o campeão, três vezes menos que na Champions League, mas a razão vai aumentando à medida que retornamos nas posições: o vice, quatro vezes menos; o semifinalista, sete vezes menos; o quadrifinalista, 13 vezes menos, e por aí vai. Basta aproximar um pouco.

Final no sábado

Isso funcionou bem com a Champions League. Realizar a final no sábado valoriza o evento. É muito mais fácil planejar uma viagem para o fim de semana do que na quarta-feira. Imagina o espanhol que precisa viajar a Varsóvia para ver o Sevilla? Perderia pelo menos três dias de trabalho e nem todos conseguem se dar ao luxo de fazer isso. Com a nossa proposta, o torcedor pode pegar o trem ou o avião na sexta-feira à noite, curtir a cidade no sábado de manhã, ver a partida e, dependendo do resultado, afogar as mágoas ou comemorar até o final da tarde de domingo.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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