Vinícius Júnior concentrou as forças do Real Madrid no primeiro tempo e teve papel principal na virada épica em Anfield
O Real Madrid dependeu de Vinícius Júnior em sua reação e o atacante liderou o time até que os merengues se acertassem para a goleada
O protagonismo de Vinícius Júnior se ampliou na atual temporada do Real Madrid. O atacante estourou em 2021/22 como o parceiro perfeito de Karim Benzema, mas, diante dos problemas físicos do francês, o brasileiro precisou assumir mais vezes a responsabilidade em 2022/23. E em semanas tão duras para Vini, o camisa 20 demonstrou força mental para ser a liderança dos merengues numa virada apoteótica dentro de Anfield. A reação dos espanhóis no primeiro tempo partiu de Vinícius Júnior. Foi ele quem concentrou as forças do Madrid, ao mesmo tempo em que entrou na cabeça do Liverpool. Teve doses de talento, de precisão, de persistência e também de sorte para garantir os gols que valeram o empate. Já no segundo tempo, Vini continuou levando perigo, mas num time que se reergueu a partir dele para vencer por 5 a 2.
Vinícius Júnior desembarcou em Anfield com motivos para ser visto como um carrasco do Liverpool. Desde que chegou ao Real Madrid, o atacante teve ótimos desempenhos contra os ingleses. Vini decidiu as quartas de final da Champions em 2020/21. Anotou dois gols na vitória por 3 a 1 dentro do Santiago Bernabéu, antes do empate zerado em Anfield. Já o ápice do brasileiro contra os Reds aconteceu no Stade de France. Madridista nenhum vai se esquecer do gol que valeu mais uma vez a Orelhuda, na vitória por 1 a 0. A mera presença do ponta esquerda já serviria para impor respeito no reencontro com o Liverpool.
E o que se viu no primeiro tempo foi um Real Madrid que dependeu de Vinícius Júnior para continuar na partida. O Liverpool abriu dois gols rapidamente, entre a voracidade do time e os erros de encaixe dos merengues. O time de Carlo Ancelotti demorou a se encontrar e mesmo o lado de Vini parecia exposto, com muitos avanços dos Reds pela direita. Contudo, quando os madridistas aumentaram sua carga, passaram a pender exatamente para a esquerda. Encontravam sua maior lucidez com Vinícius. Os companheiros o procuravam e entregavam os passes para o atacante tentar resolver.
Neste início, o Real Madrid também não exibia capacidade de construção. Não havia um repertório de jogadas. Mas havia Vinícius Júnior. O atacante tirou da cartola o gol que reanimou o Real Madrid, aos 21 minutos. Estava cercado por três e não tinha como progredir, mas mesmo assim acertou a batida perfeita que pegou curva e saiu do alcance de Alisson. A partir de então, a confiança de Vini foi lá no talo. Tudo passava por ele. Tentou dar assistência, parou em Alisson, puxou contra-ataques. Botava o Liverpool em apuros, mesmo que os anfitriões ainda não tivessem iniciado sua pane total.
O gol de empate pesou muito ao Liverpool. E valeu pela insistência de Vinícius Júnior. O erro de Alisson é bem mais grave que os méritos do atacante, ao não perceber a pressão de seu companheiros de Seleção. De qualquer maneira, a bola nas redes de novo passava pelas pernas de Vini. O Real Madrid saiu para o intervalo muito mais inteiro e convicto do que poderia fazer. Tinha Vinícius para bater no peito. Os Reds não encontraram ninguém para respondê-lo dessa forma.
O reinício do Real Madrid no segundo tempo, muito mais acordado, também foi decisivo para virar a história do jogo. Outra vez, com Vinícius Júnior causando problemas. Foi ele quem sofreu a falta que resultou no cruzamento de Luka Modric e na cabeçada certeira de Éder Militão, logo aos dois minutos. A partir disso, bastava aos merengues acertarem os contra-ataques. Vini seguia em ação. Mais importante, outros tantos companheiros também entraram no jogo. Karim Benzema, pouco efetivo no primeiro tempo, tabelou com Rodrygo para anotar o quarto. E o quinto contaria também com uma assistência de Vinícius, para o centroavante fechar a contagem. Era um baile, no ritmo do brasileiro.
As últimas atuações de Vinícius Júnior por La Liga foram bem mais marcadas pelos ataques racistas e pelas provocações desmedidas, mas não que o atacante tenha deixado de apresentar futebol. Até se envolveu em bate-bocas, mas também continuou produzindo bastante ao ataque do Real Madrid. E quando a bola se torna assunto principal, enfim, Vini mostra como sobra em talento. Já tinha sido assim no Mundial de Clubes, melhor do torneio, mas contra adversários mais fracos. Fazer tudo isso num jogo de Champions em Anfield, mesmo que a fase do Liverpool seja ruim, é daquelas ocasiões que soam históricas. Vinícius escreveu esse capítulo.
Neste momento, só o Levante sofreu mais gols de Vinícius Júnior que o Liverpool desde que ele chegou ao Real Madrid. O brasileiro se tornou o segundo mais jovem desde Johan Cruyff a anotar dois gols em Anfield num duelo de Champions. E tudo isso numa partida que começou com ares de hecatombe aos merengues, mas se encerrou como épico. Um épico que tem muito de Vini. Levou para casa o prêmio de melhor em campo e uma classificação engatilhada para os madridistas. Mais do que isso, gravou uma noite para calar quem fala tanta bobagem sobre seu futebol e tenta desqualificar o que é qualidade, não provocação, através de subterfúgios ao racismo mais vil. Vinícius fez em 90 minutos de Champions o que muitos jogadores medíocres que o provocaram não farão numa carreira inteira.



