Valverde desafogou o Real Madrid num jogo difícil, com a vitória tardia sobre o Leipzig no Bernabéu
O Real Madrid tinha dificuldades para criar no ataque e sofria riscos claros diante do Leipzig, até que uma ótima trama dos garotos do elenco abrisse o caminho para o triunfo no final
Federico Valverde se consolida cada vez mais no Real Madrid. E o papel do uruguaio neste início de temporada se prova fundamental para o ótimo rendimento do time de Carlo Ancelotti. Não foram poucas as vezes que o garoto serviu de desafogo à equipe, encontrando soluções em momentos difíceis. Foi exatamente o que aconteceu nesta quarta-feira de Champions League, dentro do Estádio Santiago Bernabéu. Os merengues fizeram um primeiro tempo ruim contra o RB Leipzig, sem qualquer criatividade e com riscos claros de tomar o gol nos contra-ataques. A marcação se acertou para o segundo tempo, mas o ataque madridista seguia sem muitas soluções. O caminho para o triunfo por 2 a 0 só veio depois dos 35 da etapa final. Vinícius e Rodrygo desta vez foram os coadjuvantes na trama que permitiu a Valverde abrir o suado resultado, antes que Asensio fechasse a contagem com um belo gol nos acréscimos.
Carlo Ancelotti vinha com novidades na escalação. Antonio Rüdiger e Nacho Fernández eram os zagueiros, com David Alaba na lateral. O meio tinha Aurélien Tchouaméni e Eduardo Camavinga ao lado de Luka Modric. Na frente, Rodrygo foi efetivado como homem de referência, apoiado por Vinícius Júnior e Federico Valverde pelos lados. Já o RB Leipzig praticamente repetia a equipe da estreia de Marco Rose, apenas com Amadou Haidara como novidade na cabeça de área, diante da lesão de Konrad Laimer. O destaque ficava para o ataque com Timo Werner na frente, apoiado por uma trinca formada por Dominik Szoboszlai, Emil Forsberg e Christopher Nkunku.
O Real Madrid tratava o início da partida com paciência. Tinha ampla posse de bola e adiantava sua equipe em campo, mas sem forçar muito as jogadas. Vinícius até buscava seus dribles pela ponta esquerda, mas nada que gerasse chances imediatas. À espreita do contra-ataque, o RB Leipzig conseguiu a primeira escapada aos cinco minutos. Nkunku ganhou de Rüdiger na velocidade e chutou para a defesa de Thibaut Courtois. Depois, o francês também tentou uma finalização dentro da área, travado na dividida – com reclamação de pênalti não marcado. Os merengues buscavam muito o lado esquerdo, mas encontravam uma defesa bem compacta. Rodrygo tentou a primeira finalização aos 16, para fora.
Bem recuado, o RB Leipzig precisava buscar as ligações diretas. Às vezes as jogadas saíam, como aos 21, quando Werner acelerou e passou para um chute sem direção de Forsberg. O Real Madrid não conseguia mais que finalizações pressionadas e mal criava. Muito mais incômodas eram as combinações do ataque dos Touros Vermelhos. Werner serviu Nkunku aos 28, mas Courtois bloqueou o francês dentro da área. Já aos 34, num passe açucarado de Werner, Nkunku ficou a centímetros de completar o cruzamento na pequena área. Werner era uma preocupação constante pela mobilidade.
O Real Madrid ainda tentou explorar um pouco mais os cruzamentos, diante da falta de linhas de passes pelo chão. Sem jogadores tão altos, não dava muito resultado. Os merengues poderiam fazer melhor quando tentassem de média distância. Foi o que aconteceu aos 41, num tiro de Modric que saiu ao lado da trave. O croata ainda reclamou de um pênalti numa chegada de Xaver Schlager pelas costas pouco depois, mas a arbitragem deixou seguir. Seria uma primeira etapa carente de ideias dos madridistas.
O segundo tempo voltou com uma posse de bola pouco produtiva do Real Madrid e um Leipzig mais agressivo nas transições, com um susto em lance no qual Werner estava impedido. Os alemães pareciam até confortáveis na defesa, pela maneira como as linhas de marcação protegiam a área e faziam os merengues tocarem sem objetividade. A individualidade era necessária e Rodrygo descolou uma falta frontal aos 15, mas bateu mal. Ancelotti precisava mexer e botou Marco Asensio aos 19, na vaga de Camavinga.
A torcida no Bernabéu até começava a dar sinais de impaciência, quando a equipe teve sua melhor oportunidade até então, enfim num ataque com mais espaço. Valverde iniciou a jogada, que permitiu a Vinícius Júnior aparecer na área. Péter Gulácsi fez o bloqueio no mano a mano e, no rebote, Asensio desperdiçou ao tentar a cobertura. Mais silencioso na segunda etapa, o Leipzig mandou Kevin Kampl e Benjamin Henrichs ao jogo. Os Touros Vermelhos começavam a exigir mais ações da defesa merengue. Em compensação, os madridistas também vislumbravam as oportunidades para contragolpear.
Mais uma vez Valverde serviu como um diferencial para desafogar o Real Madrid. O gol, aos 35, nasceu numa ótima trama dos garotos merengues. Vinícius Júnior deixou Henrichs tonto com seu giro pela esquerda e passou pelo meio. Rodrygo deu o corta-luz e, vindo de trás, Valverde dominou à direita. O uruguaio fintou a marcação e exibiu sua qualidade para finalizar cruzado, longe de Gulácsi. Toni Kroos e Ferland Mendy vieram a campo pouco depois, com Alaba e Modric saindo. O Leipzig mudava seu ataque para ganhar presença de área, com André Silva e Yussuf Poulsen nos lugares de Werner e Forsberg. E Ancelotti ainda apostou em Mariano Díaz e Dani Ceballos, com Rodrygo e Vinícius Júnior deixando o campo aplaudidos.
O Leipzig permanecia mais tempo no campo de ataque durante os minutos finais, mas não fazia nada que colocasse em xeque a vantagem do Real Madrid. Os merengues se protegiam bem e, vez por outra, avançavam para o ataque. O time da casa matou o jogo nos acréscimos, aos 46, a partir de uma cobrança de falta na borda da grande área. Kroos rolou e Asensio pegou bonito, de primeira. Mandou um chute cruzado que saiu do alcance de Gulácsi. Resultado difícil, mas com a capacidade do elenco madridista prevalecendo.
O Real Madrid continua com 100% de aproveitamento na temporada. A equipe soma seis pontos na fase de grupos da Liga dos Campeões e cumpre o favoritismo previsto no Grupo F. Terá seus próximos compromissos diante do Shakhtar Donetsk. Já o Leipzig, com três pontos, terá confrontos diretos importantes com o Celtic. A dúvida maior fica para a segunda vaga e, pelos sinais positivos com Marco Rose, os alemães se tornam favoritos.



