Champions League

Num jogo arrastado, Kvara foi o diferencial para o triunfo do Napoli em Berlim

Union Berlim e Napoli fizeram um jogo de poucas chances de gol, em que um grande lance de Kvaratskhelia permitiu o tento solitário de Raspadori

O Napoli não provoca o encantamento vivido na última temporada, mas consegue emendar vitórias importantes num momento de questionamento no clube. Nesta terça-feira, o time de Rudi García conseguiu seu segundo triunfo consecutivo, importante para manter a segurança em busca da classificação na Champions League. Os napolitanos atuavam fora de casa, contra o Union Berlim, no Estádio Olímpico. Entretanto, a fase dos Eisernen é pior e nem mesmo o apoio incessante da torcida alemã auxiliou. Num jogo truncado, Khvicha Kvaratskhelia clareou o caminho dos italianos. Fez uma jogadaça que valeu o gol de Giacomo Raspadori e o placar de 1 a 0.

Não foi uma partida de grandes ocasiões no Estádio Olímpico de Berlim. O Union Berlim até parecia ter mais discernimento em suas ideias durante o primeiro tempo, mas não que oferecesse tanto. E sem que o Napoli também apresentasse um jogo tão vistoso no ataque, como nos tempos de Luciano Spalletti, Kvaratskhelia fez a diferença. Na ausência de Victor Osimhen, uma jogadaça do italiano rendeu o triunfo. Destaque também a Natan, ótimo no miolo de zaga napolitano, especialmente quando os berlinenses buscavam uma reação no final.

As formações

O Union Berlim vinha alinhado no seu costumeiro 3-5-2 por Urs Fischer. Frederik Rönnow abria a escalação, com a zaga formada por Danilho Doekhi, Robin Knoche e Diogo Leite. Rani Khedira, recuperado de lesão, fazia sua estreia na Champions. Tinha a companhia de Janik Haberer e Brenden Aaronson no meio, com Christopher Trimmel e Robin Gosens nas alas. Na frente, uma dupla bastante veloz composta por David Datro Fofana e Sheraldo Becker.

Já o Napoli tinha que se virar com os desfalques fundamentais de André Frank Zambo Anguissa e Victor Osimhen, que não ficavam nem no banco. Rudi García iniciava seu 4-3-3 com Alex Meret no gol. A defesa tinha Giovanni Di Lorenzo e Mário Rui como laterais, além dos zagueiros Amir Rrahmani e Natan. O meio trazia Jens Cajuste ao lado de Stanislav Lobotka e Piotr Zielinski. Na frente, Giacomo Raspadori era o homem de referência, apoiado por Matteo Politano e Khvicha Kvaratskhelia.

Primeiro tempo morno

O Union Berlim se portou como o mandante desde os primeiros minutos da partida. Os Eisernen controlavam o jogo no campo de ataque e mantinham o Napoli acuado. Não era uma atuação muito inventiva dos alemães, mas a postura agressiva era importante. Raros eram os momentos de respiro dos napolitanos. A equipe visitante não acertava muito suas jogadas, quando passou a ter mais a posse de bola. Enquanto isso, a velocidade do Union passou a criar mais perigo depois dos 15 minutos. Sheraldo Becker era caçado, enquanto o time teve um gol anulado aos 24. Foi uma jogadaça de Fofana pelo lado direito, servindo Gosens, mas o garoto estava ligeiramente impedido.

Era uma partida muito física e, por isso, truncada. O Napoli adotava uma postura conservadora e o Union não dava mole aos visitantes. Kvaratskhelia se via muito bem vigiado, quase sempre com a marcação dobrada. A posse de bola dos italianos era lenta. Nesse sentido, os alemães eram melhores por imprimir mais velocidade em seus avanços. Voltaram a ter uma brecha aos 30, mas Aaronson chutou por cima. Já aos 37, Fofana balançou diante da marcação e buscou o canto, mas Meret desviou com a ponta dos dedos. Fofana queria jogo e, dois minutos depois, preparou um chute para fora de Rani Khedira. Nada concreto para movimentar o placar.

Kvaratskhelia resolve

O Napoli voltou para o segundo tempo com mudança. Cajuste, que não vive bom início pelo clube, deu lugar a Eljif Elmas. Fofana até voltou a arriscar num chute para fora pelo Union Berlim, mas os napolitanos melhoravam, com uma proposta mais clara no campo de ataque. Não ameaçavam tanto a meta de Rönnow, mas forçavam faltas e cartões para o Union. Diante da falta de espaços, um estalo poderia resolver. E foi o que Kvaratskhelia providenciou aos 20 minutos, com o gol dos napolitanos. Numa bola rifada pela zaga do Union, o georgiano dominou pela esquerda. Entortou o veterano Trimmel na linha de fundo e rolou para trás. Raspadori bateu de primeira, num chute potente que entrou entre a trave e o goleiro Rönnow.

O Union Berlim realizou três mudanças aos 25 minutos. Alex Kral, Aïssa Laïdouni e Kevin Behrens entraram – Fofana, entre os que saíram, não cumprimentou o técnico Urs Fischer e depois parecia estar chorando no banco de reservas. Já o Napoli acionava Gio Simeone e Mathías Olivera. Os Eisernen pretendiam adiantar suas linhas, mas faziam um jogo burocrático. Só as bolas paradas para dar um pouco de vida ao time, aos 35. Trimmel endereçou o cruzamento e Knoche desviou para fora. O Union também trazia Kevin Volland e Lucas Tousart a campo, enquanto Jesper Lindström era novidade no Napoli.

A torcida do Union Berlim não deixava de cantar, mas o time não auxiliava em campo. Não tinha forças para uma reação. Quando tentava a penetração, Natan era excelente nas coberturas. O Napoli também largou de vez a expectativa de ampliar ao sacar Kvaratskhelia, com a entrada de Leo Ostigard para reforçar a defesa. Nos minutos finais, o Union rondou a área napolitana. Ocupava os lados do campo e buscava sobretudo os cruzamentos. Sheraldo Becker era quem mais se empenhava. Entretanto, os berlinenses nem conseguiam arremates. Sofreram a terceira derrota consecutiva na Champions.

A situação na tabela

O Napoli fica com seis pontos no Grupo C da Champions, dentro da zona de classificação. Consegue se distanciar do Braga, com três pontos, só abaixo dos nove pontos do líder Real Madrid. Já o Union Berlim depende de um milagre no torneio, sem pontos. A esta altura, é mais realista buscar a vaga na Liga Europa, com a terceira posição. Não bastasse o cenário na LC, a fase na Bundesliga é péssima e o time começa a temer o rebaixamento. Apesar dos bons reforços no mercado de transferências, o Union perdeu o equilíbrio e a consistência que marcaram suas últimas temporadas.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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