Champions League

Unai Emery: “Demonstramos que não éramos convidados a essa semifinal, mas perdemos o esforço do primeiro tempo”

Treinador do Villarreal, Unai Emery elogiou a maneira como a equipe se portou no primeiro tempo, mas avaliou que a lesão de Gerard Moreno custou caro

Unai Emery comandou um grande sonho na Champions League. O treinador é um dos protagonistas da temporada europeia, pela forma como o Villarreal derrubou gigantes na competição e sonhou genuinamente com a decisão. A eliminação diante do Liverpool sai amarga, pela forma como o Submarino Amarelo ensaiou uma grande reviravolta e não conseguiu manter seu ritmo durante o segundo tempo. Apesar disso, o treinador reconheceu a forma como o time batalhou.

“A verdade é que havíamos falado e planejado, nossa perspectiva mais otimista se cumpriu. Em Anfield mantivemos viva a esperança sem jogar bem e hoje tínhamos que oferecer outra coisa. Fizemos isso. O primeiro tempo foi esperançoso. Gerard logo teve dores, no intervalo queríamos mantê-lo, mas já não podia mais correr, embora nos entregasse outras coisas. Perdemos força. Perdemos todo o esforço do primeiro tempo e o gol deles nos afetou mentalmente. Ficamos sem forças para responder”, pontuou Emery.

“Foi chave terminar com opções no primeiro tempo. Demonstramos que não éramos convidados a essa semifinal e queríamos jogar a decisão. Mas a lesão de Gerard, a nível emocional, cobrou seu preço. E logo nos custou encontrar recursos de força para ser melhores que eles”, adicionou. “Foyth parou bem Luis Díaz na primeira jogada, mas tinha que repetir e repetir. Já com o empate, embora falássemos o que poderia se passar, já não fomos capazes. São quatro tempos de 45 minutos e um só não é suficiente. Queríamos mais. Eu tinha a esperança de dar outro passo a mais, mas não pôde ser. Seguiremos”.

O treinador ainda falou sobre o que a campanha representa à cidade de Vila-Real, mesmo sem a vaga na final: “É uma cidade pequena, mas com muito sentimento. Este é um projeto da família Roig muito estável, que nos permite ter esses momentos”.

Vital para manter as esperanças do Villarreal, mesmo sem estar 100% fisicamente, Gerard Moreno falou de orgulho. O centroavante trouxe uma visão positiva para a campanha do Submarino Amarelo e para a relação construída com o time, através da torcida.

“É para estarmos orgulhosos, porque a equipe acreditou até o final. Fizemos um primeiro tempo incrível, não perdemos nenhum duelo. Essa sintonia com a torcida nos fez crer que poderíamos passar. Mas eles também são muito bons. Nossa queda foi visível depois do esforço do primeiro tempo. As pessoas precisam estar orgulhosas dessa equipe, desse clube e dessa torcida”, afirmou Moreno. “A realidade é que queríamos mais e estar na final. As pessoas pensavam que não éramos capazes de chegar até aqui e eliminamos grandes adversários. A palavra que define tudo é orgulho para poder brigar com uma equipe que há anos está no nível mais alto”.

“Queríamos marcar outro gol e queríamos continuar. Sabíamos que, pressionando alto, estávamos correndo riscos por causa dos jogadores rápidos que eles têm. No segundo tempo, não pudemos manter o ritmo. A gente se despediu da Champions com a cabeça muito alta”, complementou o centroavante. “O primeiro gol nos faz dano mentalmente, ainda que sabíamos que com mais um gol voltávamos à partida. Isso nos atingiu um pouco. Temos que felicitar o Liverpool, porque é o melhor time do mundo pela fase que vive. A torcida acreditou em nós, mas o primeiro gol nos matou”.

Raúl Albiol, por fim, não escondeu a decepção por aquilo que não conseguiu oferecer à torcida. O zagueiro avaliou que o desgaste gerado pelo intenso primeiro tempo do Villarreal provocou tamanha queda de rendimento na segunda etapa – também com outra postura do Liverpool.

“A eliminação nos dói muito por causa da torcida e do esforço. Não pôde ser, mas o esforço foi incrível. O primeiro gol nos causou muitos danos, eles foram superiores fisicamente. Lutamos pela torcida e nos dói não dar a final que tanto desejavam. Pagamos pelo esforço do primeiro tempo. É uma noite triste, mas também inesquecível”, analisou o zagueiro.

“Era uma partida longa e tínhamos feito o difícil, mas era necessário continuar. No segundo tempo eles pressionaram mais e a mudança fez o time avançar. Não soubemos reagir depois do primeiro gol. O Liverpool está entre os melhores. Foi um caminho incrível o que fizemos na Champions, com muitas noites mágicas. Passaram-se 16 anos desde a última semifinal e só resta continuar, porque certamente que o clube viverá outras noites como esta”, finalizou.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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