Um recital de Messi permitiu ao Barcelona reviver seus melhores delírios em Wembley
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2018%2F10%2Fmessi.jpg)
Ao Barcelona, ganhar La Liga não parece mais suficiente neste momento. Os blaugranas fizeram uma campanha dominante na temporada passada, que não rendeu o brilho devido à vantagem estabelecida. A falta de atratividade no futebol exibido pelo time de Ernesto Valverde é um ponto, dependente demais das defesas de Marc-André ter Stegen e do talento de Lionel Messi para somar tantos pontos. Entretanto, há também o olhar na verdejante grama do vizinho, enquanto o Real Madrid arrebatava o tricampeonato da Liga dos Campeões. Por isso mesmo, a necessidade de reconquistar a Orelhuda e dar uma resposta aos rivais se torna ainda mais necessária. E que o momento esteja distante do conforto no Espanhol, uma boa vitória no torneio continental é o que sana todos os anseios dos blaugranas. Dentro de Wembley, de inspiração óbvia pelas conquistas europeias em 1992 e 2011, o Barça protagonizou uma atuação deslumbrante diante do Tottenham. Que os adversários não estivessem em seu melhor dia e até tenham esboçado uma reação, não se nega a superioridade dos catalães na vitória por 4 a 2. De novo, Messi. O camisa 10 foi o regente da sua orquestra e, entre tantas grandes atuações, teve uma de suas melhores.
Ernesto Valverde seguia com suas variações na equipe e vinha com mudanças em relação ao empate com o Athletic Bilbao. Lionel Messi e Sergio Busquets voltaram a aparecer no 11 inicial. Além disso, Arthur disputou o seu primeiro jogo como titular, escalado no meio-campo, deslocando Philippe Coutinho ao ataque. Por outro lado, o Tottenham lidava com uma lista grande de desfalques, que incluía Jan Vertonghen, Moussa Dembélé, Christian Eriksen e Dele Alli. A equipe contava com Harry Winks e Victor Wanyama entre os volantes. Mais à frente, a trinca de meias era composta por Erik Lamela, Lucas Moura e Son Heung-min. No comando de ataque, Harry Kane.
Com uma formação que talvez seja a sua ideal, o Barcelona não teve problemas para dominar o jogo desde o princípio. O primeiro tempo contou com um passeio e o gol inaugural saiu logo no primeiro minuto. Méritos de Messi, que deu um lançamento primoroso a Jordi Alba, nas costas de Kieran Trippier, e quebrou a defesa dos Spurs. Hugo Lloris saiu mal e o lateral apenas rolou para Philippe Coutinho arrematar com a meta escancarada. Os blaugranas dominava a posse de bola e jogavam totalmente à vontade em Wembley, sabendo lidar com a marcação alta dos londrinos. Pior, o time da casa sequer conseguia responder no ataque, errando demais nas transições e demonstrando pouca criatividade.
Jogando de maneira organizada, o Barcelona primava pela velocidade em sua saída de bola, com Arthur auxiliando isso. Já nas pontas, Messi e Coutinho eram dois incômodos ao Tottenham. O time da casa faria sua única finalização aos 24 minutos, em tiro de Harry Kane que Ter Stegen agarrou. Foi o aviso para os blaugranas se tornarem mais incisivos. O segundo gol saiu aos 27, em mais uma boa jogada construída por Messi. O camisa 10 levantou na área, Luis Suárez ajeitou e Coutinho ficou sem ângulo para o chute, mas cruzou para Rakitic pegar na bola de maneira primorosa na entrada da área. Mandou no cantinho de Lloris, assinando um golaço.
Em meio às seguidas chances do Barcelona, o Tottenham só voltou a assustar em uma bola desviada que Ter Stegen se contorceu para espalmar, operando um milagre. De qualquer maneira, os mandantes pareciam os espanhóis, jogando com muita tranquilidade e concentração. Mesmo passando em branco, Suárez participava bastante e brigava pelas bolas. Ajudava a dar mais gana a um time em ritmo alto, sabendo muito bem como lidar com um jogo desse calibre. Parecia que, depois de algumas atuações decepcionantes nas últimas semanas, os catalães estavam dispostos a mostrar as suas credenciais.
E isso aconteceu, definitivamente, no início de segundo tempo arrasador do Barcelona. Se Messi serviu de maestro no primeiro tempo, no segundo ele voltou a se tornar o velho definidor. Por duas vezes a trave o barrou. Na primeira, puxando contra-ataque, mandou no cantinho e carimbou o poste. Movimento repetido quatro minutos depois, acertando o mesmo pé da trave, em nova arrancada. O Tottenham se aliviava e respirou de vez na sequência do jogo. Foi sua vez de avançar em velocidade, pegando a defesa adversária aberta. Harry Kane invadiu a área e chamou Semedo para dançar, dando uma finta belíssima no marcador, à Messi. Definiu com muita qualidade, completando a pintura. Quando a situação parecia mais preocupante, os londrinos voltaram à partida.
Messi respondeu aos dez, enfim balançando as redes e anotando o terceiro do Barça. A jogada começou com uma boa combinação entre Arthur e o argentino pelo centro. Jordi Alba avançou pela esquerda e cruzou. Ninguém completou na área, até que Messi, aparecesse para o chute caprichoso. A bola foi no mesmíssimo canto inferior direito de Lloris. Desta vez para dar um beijo na trave e entrar, sem impedir a festa do craque. Era o capricho em um recital do camisa 10. Mostrava o seu melhor nas velhas arrancadas, com a bola grudada ao pé. Movimentava-se, criava espaços, encontrava-os onde ninguém mais os via. E a precisão nas jogadas impressionava, seja nos passes ou nas definições. Se a imprensa catalã noticiou seu incômodo com a má sequência recente, ele tratou de fazer acontecer. Estava inspiradíssimo.
Com o jogo nas mãos, o Barcelona relaxou. Foi o momento em que o Tottenham realmente melhorou na partida e, depois de permanecer alguns minutos um tanto quanto recuado, tentou se impor de maneira efetiva para diminuir o prejuízo. Os blaugranas tentaram abafar o duelo em seu campo, mas viram os anfitriões crescerem em um jogo mais físico. Ressuscitaram de vez aos 21 minutos, em chute de Lamela que desviou em Clément Lenglet e terminou nas redes, sem chances de defesa para Marc-André ter Stegen. Por pouco o Barça não fez o quarto logo depois, em lance cheio de trapalhadas da defesa londrina, em que Toby Alderweireld travou Messi na hora exata. Todavia, os Spurs pressionavam e tiveram dois lances de perigo com Lucas Moura.
Se o empate saísse, acabaria sendo injusto por aquilo que aconteceu ao longo do jogo. O Barcelona teve condições de aplicar uma goleada maior. E nada mais cabível, então, que Messi tratasse de matar o duelo aos 45. Em uma saída de bola do Tottenham, os catalães tiveram gás para pressionar e roubar a posse. Alba recebeu na esquerda e cruzou rasteiro. Suárez deu um corta-luz inteligentíssimo e deixou a bola para o camisa 10, completamente livre dentro da área. Onde ele perdoa menos ainda, encerrando a sua exibição de gala. O time de Ernesto Valverde segue com seus problemas, especialmente pela falta de confiança na defesa, o que complicou desnecessariamente o embate em Wembley. Entretanto, possui seus craques, e quando eles estão em seu melhor, fica difícil segurá-los. Pior ao Tottenham, que não soube lidar com Messi.
Cabe valorizar as atuações de Arthur e Philippe Coutinho. O meio-campista deu uma dinâmica que o Barcelona não vinha tendo nas últimas partidas e, que sua atuação não tenha sido estrondosa, mostrou que tem bola suficiente para se tornar titular. Já o ponta teve grande influência no primeiro tempo e uma das armas do time foi a maneira como ele pôde se combinar com Suárez e Messi na linha de frente. Ajudou a desmontar o esquema do Tottenham. Com seis pontos conquistados, os blaugranas nadam de braçada em uma chave que se prometia mais dura. Os Spurs, por outro lado, ligam o alerta vermelho. Estão longe de exibir a eficiência de outros tempos, sobretudo na Champions, com duas derrotas em duas rodadas. Terão que tirar muitas lições daquilo que ocorreu nesta quarta em Wembley.