Champions League
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Um mini-guia do RB Leipzig x Manchester City pelas oitavas de final da Champions

O Manchester City já chegou em fases mais empolgantes aos mata-matas e o Leipzig cresceu na fase de grupos, ao vencer até o Real Madrid

O Manchester City mais uma vez retorna à Champions League com a cobrança por um título que falta em seu currículo. Entretanto, os celestes já vieram mais respaldados em outras temporadas. Desta vez, Pep Guardiola precisará contornar o momento instável da equipe dentro de campo e também a disputa acirrada que existe na Premier League. A maratona de jogos vai exigir mais. E o RB Leipzig pode ser um adversário perigoso, mesmo que também não apresente sua melhor consistência. Tem valores individuais e um bom técnico como Marco Rose, mas isso não é suficiente ainda para emplacar na Bundesliga. O favoritismo é dos ingleses, com um crédito aos alemães depois de terem batido o Real Madrid na fase de grupos.

Como foi a fase de grupos

Desde o sorteio, o RB Leipzig era visto como o segundo time mais forte do grupo. No entanto, o começo de temporada ruim atravancou os Touros Vermelhos, com a troca no comando que tirou Domenico Tedesco e trouxe Marco Rose. O grande golpe nas expectativas veio logo na estreia, com a goleada por 4 a 1 do Shakhtar Donetsk na Red Bull Arena. Depois, o Real Madrid também fez o esperado e venceu no Bernabéu. Só depois o Leipzig se reergueu com Rose, e ajudou a sequência, com duas partidas contra o Celtic e dois triunfos. O grande resultado para a classificação do time aconteceu na penúltima rodada, com a vitória no duelo com o Real Madrid na Alemanha. Assim, a equipe passou a depender apenas de um empate contra o Shakhtar em Varsóvia e terminou em alta, ao devolver a goleada por 4 a 0. Os alemães ainda ficaram só um ponto atrás dos espanhóis.

É comum o Manchester City levar a fase de grupos da Champions em banho-maria. Não seria diferente dessa vez. O time não vem em boa fase e, mesmo assim, deixava claro como era o melhor da chave. Começou com uma goleada por 4 a 0 sobre o Sevilla em que o resultado saiu barato na Andaluzia. Depois, mais aperto na virada por 2 a 1 sobre o Borussia Dortmund, com Erling Braut Haaland buscando o resultado no final dentro do Estádio Etihad. E o caminho se abriu com os 5 a 0 para cima do Copenhague na terceira rodada. Assim, os tropeços não tiveram grandes custos, com os empates sem gols nas visitas à Dinamarca e à Alemanha. A liderança já estava garantida antes da rodada final, em que o triunfo sobre o Sevilla pelo menos garantiu um aproveitamento um pouco melhor.

Erling Haaland, do Manchester City (GLYN KIRK/AFP via Getty Images)

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Como vem sendo a temporada

A temporada do RB Leipzig melhorou, mas ainda assim não é totalmente satisfatória. A equipe começou a Bundesliga mal. Só conquistou uma vitória nas primeiras cinco rodadas. Assim, Domenico Tedesco perdeu o emprego mesmo com a conquista recente da Copa da Alemanha. Marco Rose ainda teve percalços de início, mas conseguiu desatar os nós. Emendou uma sequência invicta no Campeonato Alemão que durou 12 rodadas e também as quatro vitórias que renderam a classificação na Champions. Dava para ter mais consistência, com a quinta posição na Bundesliga, quando o time tem elenco para brigar pelo título aberto. Já na Copa da Alemanha, dá para sonhar com o bi, apesar do desafio contra o Borussia Dortmund nas quartas de final.

É uma temporada de reflexão para o Manchester City. Está claro como os celestes não praticam seu melhor futebol e se tornaram bem mais falíveis ao longo da Premier League. No entanto, o elenco fortíssimo e a presença de Erling Braut Haaland, mesmo sem se adaptar totalmente, carregam as perspectivas na equipe. Os primeiros meses ainda guardaram momentos empolgantes, como vitórias sonoras sobre Tottenham e Manchester United. Entretanto, os tropeços recorrentes permitiram ao Arsenal abrir distância no topo da tabela. A recuperação só aconteceu quando os londrinos começaram a engasgar e os Citizens se deram melhor no atrasado confronto direto do primeiro turno. O time de Pep Guardiola dá pinta que não deixará o troféu escapar tão fácil, mas também que não disparará como em outras temporadas. A campanha na Copa da Liga terminou de forma melancólica contra o Southampton, numa das piores atuações do time. Já na Copa da Inglaterra, deixar Chelsea e Arsenal pelo caminho valoriza a empreitada.

Como o time voltou da pausa

O aproveitamento do Leipzig é bom, mas dá a impressão de que poderia ser melhor. O time estreou com um duro empate contra o Bayern de Munique, em que poderia ter vencido. Depois derrotou Schalke 04 e Stuttgart, antes de eliminar o Hoffenheim na Copa da Alemanha. Mas deixou pontos importantes escaparem na sequência da Bundesliga. O empate fora de casa contra o Colônia brecou os Touros Vermelhos, que tomaram uma monumental virada do Union Berlim dentro de casa, um confronto direto que servia para fincar as ambições. Ao menos, a vitória recente sobre o Wolfsburg melhorou as coisas.

As fragilidades do Manchester City ficaram até mais expostas na maratona de jogos desde a virada do ano. O time começou bem, incluindo vitórias sobre Liverpool e Chelsea, mas também um empate pesaroso contra o Everton pela Premier League no último dia de 2022. Janeiro não aliviou, em especial pela eliminação na Copa da Liga contra o Southampton e a derrota no Dérbi de Manchester. E se nas copas a coisa fluía, o Tottenham também roubou pontos na Premier League. O ponto alto foi mesmo a vitória recente sobre o Arsenal para tomar o topo da tabela. Mas não que o ânimo tenha durado, já que os Gunners voltaram à frente no final de semana, depois que os Citizens só empataram com o Nottingham Forest. Está difícil confiar muito.

Nkunku, do RB Leipzig (Foto: Maja Hitij/Getty Images/One Football)

Os destaques

O grande destaque do Leipzig nas duas últimas temporadas é uma incógnita. Christopher Nkunku volta de lesão e só na última rodada da Bundesliga é que ele reapareceu, saindo do banco para dar assistência. Em condições, é sem dúvidas o jogador mais perigoso. Anotou 12 gols na Bundesliga e também liderou a classificação na Champions com três tentos. Pode dar dor de cabeça ao desencaixe do Manchester City. Além dele, outro nome importante na temporada é Dominik Szoboszlai, mais adaptado à Alemanha e sempre perigoso pela forma como bate na bola. Timo Werner não voltou a ser o artilheiro de outrora, mas tem recuperado confiança. Xaver Schlager tem sido um dos melhores jogadores do time no meio, mesmo sem aparecer tanto no ataque. Já na defesa, Willi Orbán e Josko Gvardiol dão ótima sustentação.

A resposta sobre o destaque do Manchester City é óbvia, quando se tem um Haaland marcando gols com uma frequência absurda. Mesmo assim, há a exigência de uma sintonia maior do atacante com o restante do time, e algumas chances desperdiçadas recentemente o atrapalharam. Mas não dá para desqualificar quem anotou 32 gols em 31 aparições até o momento, sendo 26 na Premier League. Kevin de Bruyne também capitaliza a parceria pelas frequentes assistências, mas é outro que deixa uma impressão de que já conduziu os celestes de forma mais orgânica. Phil Foden segue como um bom coadjuvante e quem consegue aparecer mais na sustentação é Rodri. A campanha na Champions também começou com boas participações de Julián Álvarez.

As ausências

O RB Leipzig vai para a partida com três lesões mais graves no elenco. Péter Gulácsi está fora da temporada, enquanto Abdou Diallo e Dani Olmo também se recuperam. Janis Blaswich assumiu a titularidade no gol desde a lesão do húngaro. De resto, o elenco possui recursos para absorver as perdas, especialmente pela capacidade de rotação entre seus jogadores mais ofensivos. Sem Olmo, ainda há Szoboszlai e Emil Forsberg para comandar a criação. Também fica a dúvida sobre o tempo de jogo de Nkunku, que deve começar no banco. Outro que retorna de lesão é Konrad Laimer.

O Manchester City tem um grande problema para o duelo desta quarta-feira. Kevin de Bruyne foi vetado pelo departamento médico e sequer foi relacionado. Com isso, outros jogadores precisarão assumir o papel do belga na criação, em especial Bernardo Silva e Ilkay Gündogan, Fica a dúvida sobre a conexão com Haaland. A defesa também possui seus problemas, sem Aymeric Laporte e John Stones. Resta saber se Guardiola manterá o 3-4-2-1 utilizado com mais frequência recentemente.

Guardiola, do Manchester City (Foto: Shaun Botterill/Getty Images/One Football)

Os técnicos

Marco Rose é um treinador de bons recursos, mas oscilações em sua carreira na casamata. Muitos de seus trabalhos alternaram momentos, mas no geral ele agrada no RB Leipzig. O alemão estourou no Red Bull Salzburg, que inclusive levou às semifinais da Liga Europa, numa campanha marcante. Depois, também fez bonito com o Borussia Mönchengladbach, no qual a caminhada até as oitavas de final da Champions foi seu ápice. Mas decepcionou no Borussia Dortmund, inclusive com a queda na fase de grupos da Champions. O Leipzig retoma o elo com a Red Bull e o fato de conhecer vários jogadores desde o Salzburg facilita. Mas nada se compara ao desafio contra o Manchester City.

Pep Guardiola possui seu lugar indubitavelmente entre os maiores treinadores da história – para tanta gente, o melhor do século. A quantidade de títulos referenda isso, sobretudo pela capacidade de faturar ligas nacionais. Mas existe um porém na Champions League que gera pressão. Não pelos primórdios no Barcelona, onde conseguiu dobrar o número de Orelhudas do clube, por mais que as eliminações tenham sido tão famosas quanto as conquistas. Porém, não dá para recuperar o tempo passado no Bayern de Munique, em que saiu devendo o troféu continental. E no Manchester City está óbvio que essa é uma lacuna, pelo nível de investimento e pelo futebol apresentado em tantos momentos. Em outras temporadas, os celestes chegaram aos mata-matas com doses maiores de favoritismo. A desconfiança agora é maior pela fase, além do histórico. Resta saber se a chegada de Haaland fará diferença para um final mais feliz.

Os antecedentes

Não faz muito tempo que RB Leipzig e Manchester City se enfrentaram na Champions. Os dois times estavam no Grupo A durante a temporada passada. Na bagunça que eram os Touros Vermelhos com Jesse Marsch, os Citizens se aproveitaram e enfiaram 6 a 3 no Estádio Etihad. O placar só não foi tão feio porque Nkunku teve uma atuação descomunal, ao carregar seu time e anotar os três gols na derrota. O reencontro aconteceu na rodada final, com o Leipzig sob comando interino e juntando os cacos. Com o City classificado na visita à Alemanha, os anfitriões até ganharam por 2 a 1 e foram à Liga Europa. Szoboszlai e André Silva anotaram os gols.

Figura em comum

Manchester City e RB Leipzig chegaram a negociar um jogador em comum. Angeliño não foi aproveitado por Guardiola na Inglaterra, até um pouco menosprezado por alguns sinais de potencial que dava. No Leipzig, o espanhol teve duas ótimas temporadas. Virou um dos melhores do time e impressionou pela capacidade ofensiva, inclusive com grandes apresentações na Champions. Todavia, sua queda foi tão repentina quanto a ascensão. Virou nome descartável e atualmente tenta recuperar o moral emprestado ao Hoffenheim. Talvez seja mais útil no futuro, já que David Raum também não emplacou em Leipzig.

Onde assistir

Transmissão ao vivo a partir das 17h (horário de Brasília), na TNT e no HBO Max.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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