Champions League

Uefa faz acordo com desistentes da Superliga e abre investigação contra Real Madrid, Barcelona e Juventus

Após entrar em acordo com 9 dos 12 fundadores da Superliga, Uefa abre investigação contra os restantes por violações dos regulamentos da entidade com a criação da Superliga

A Uefa abriu investigações disciplinar sobre Real Madrid, Barcelona e Juventus, os três clubes que ainda não abandonaram o projeto separatista da Superliga. Os outros nove clubes fundadores decidiram se desligar da iniciativa e assinaram um acordo com a Uefa, incluindo o pagamento de multas. É mais um capítulo da guerra entre a entidade e a ideia da Superliga, que ganhou força com a imensa reprovação que o projeto teve publicamente. Havia um clamor por punições, inclusive de outros clubes.

Os clubes que assinaram o acordo com a Uefa foram Atlético de Madrid, Arsenal, Chelsea, Internazionale, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Milan e Tottenham. Todos eles pediram desligamento da Superliga depois do fracasso do projeto em 48 horas. Os ingleses foram os primeiros a roerem a corda, justamente porque foi lá que a reação foi mais acentuada.

Os torcedores dos clubes ingleses, a começar pelo Chelsea, mas passando por todos os outros, se manifestaram firmemente contrários. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, também agiu para impedir a Superliga de prosperar.

A pressão foi tanta que os ingleses rapidamente decidiram sair. Manchester City, Arsenal (apesar de Arteta defender os donos), Chelsea, Tottenham, Liverpool e Manchester United abandonaram, um a um, o projeto. É possível que tenhamos consequências na Inglaterra, já que o legislativo britânico quer analisar a governança dos clubes de futebol. Depois dos ingleses, o castelo de cartas já tinha caído e Atlético de Madrid, Internazionale e Milan desistiram da Superliga. A Juventus também, mas esta só temporariamente.

Na sexta-feira passada, os nove membros fundadores que deixaram a Superliga assinaram uma declaração de comprometimento do clube com a Uefa, com o acordo de € 100 milhões de multa caso entrem em um projeto como a Superliga no futuro. Além disso, aceitaram a multa de 5% das receitas de competições de clubes da Uefa por uma temporada. Além disso, aceitaram voltarem a fazer parte da Associação Europeia de Clubes (ECA), que é o único órgão representativo dos clubes que a Uefa reconhece.

Os clubes também aceitaram fazer doações de € 15 milhões para o desenvolvimento do futebol, com investimento em projetos em benefício de crianças, jovens e futebol de base nas comunidades pela Europa e Reino Unido. Aceitaram também, além da multa de € 100 milhões em caso de uma nova tentativa de Superliga, uma multa de € 50 milhões, caso descumpram qualquer uma das medidas definidas no acordo.

Segundo The Athletic, os Glazers irão cobrir o pagamento dosa € 15 milhões do Manchester United, sem mexer nas contas do clube. Os nove clubes que assinaram o acordo também aceitaram as reformas da Champions League a partir de 2024 e que todas as medidas de reintegração aprovadas são “completas e definitivas”. Essa é a parte preocupante, porque as reformas da Champion s League são bastante questionáveis, no mínimo, e deveriam ser revistas. Há, inclusive, pressão para quer haja essa mudança e jogadores já cobraram que o novo formato é ruim, como o alemão Ilkay Gündogan. Aliás, essa é uma das muitas mudanças que a Uefa precisa passar, porque ela é parte do problema, como escrevemos aqui.

Ceferin: “Esses clubes reconheceram seus erros rapidamente”

“Eu disse no Congresso da Uefa duas semanas atrás que é preciso ser uma organização forte para admitir ter cometido um erro, especialmente nesses dias de julgamento pelas redes sociais. Os clubes fizeram justamente isso. Ao aceitar os comprometimentos e vontade de reparar as perturbações que causaram, a Uefa pretende deixar este capítulo para trás e seguir em frente com um espírito positivo”, disse o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, em comunicado na sexta-feira.

“As medidas anunciadas são significativas, mas nenhuma das penas financeiras serão retidas pela Uefa. Eles serão todos reinvestidos no futebol de base e em comunidades locais pela Europa, incluindo o Reino Unido. Esses clubes reconheceram seus erros rapidamente e agiram para demonstrar sua contrição e comprometimento futuro ao futebol europeu”, continuou o dirigente. “O mesmo não pode ser dito dos clubes que continuam envolvidos na chamada Superliga e a Uefa irã lidar com esses clubes subsequentemente”.

Real, Barça e Juve continuam comprometidos em recriar a Superliga

Real Madrid, Barcelona e Juventus continuam ligados à Superliga. Os presidentes dos clubes espanhóis, Florentino Pérez e Joan Laporta, continuaram defendendo o projeto, mesmo após o colapso. Só que o financiador, o banco JP Morgan, admitiu que julgou mal como o negócio seria visto pela comunidade do futebol em geral. E continuam apostando que o projeto é bom e é uma solução para o problema atual do futebol.

No último sábado, dia 8, os três clubes divulgaram um comunicado conjunto e reclamaram das pressões que têm sofrido. “Os clubes fundadores sofreram e continuam a sofrer pressões, ameaças e ofensas de terceiros inaceitáveis ​​para abandonar o projeto e, por isso, desistem do direito e do dever de oferecer soluções para o ecossistema do futebol por meio de propostas concretas e de um diálogo construtivo”, dizia a nota.

“Isso é intolerável sob as leis e tribunais já decidiram em favor da proposta da Superliga, ordenando Fifa e Uefa para, ou diretamente ou por seus órgãos afiliados, abster-se de tomar qualquer ação que possa dificultar, de alguma forma, esta iniciativa enquanto o processo judicial estiver pendente”, continua o texto dos três clubes.

“Nós estamos completamente conscientes da diversidade das reações sobre a iniciativa da Superliga e, consequentemente, da necessidade de refletir das razões de algumas delas. Nós estamos prontos para reconsiderar a abordagem proposta, se necessário”.

“Contudo, nós seríamos altamente irresponsáveis se, sabendo das necessidades e da crise sistêmica no setor do futebol, que nos levou a anunciar a Superliga, nós abandonarmos essa missão de oferecer respostas efetivas e sustentáveis para questões existenciais que ameaçam a indústria do futebol.

Sem acordo, Uefa abre investigação

Nesta quarta-feira, a Uefa divulgou comunicado sobre as investigações abertas. “De acordo com o Artigo 31 (4) dos Regulamentos Disciplinares da Uefa, os Inspetores Disciplinares e de Ética da Uefa foram nomeados para conduzir uma investigação disciplinar relativa a uma potencial violação do quadro jurídico da Uefa pelo Real Madrid CF, FC Barcelona e Juventus FC em conexão com o chamado projeto Superliga. Mais informações sobre este assunto serão disponibilizadas oportunamente”, diz o comunicado da Uefa.

A violação seria porque os clubes rompem com a Uefa para criação da Superliga e, portanto, descumprem os seus regulamentos. Embora continuem filiados às suas federações nacionais e, consequentemente, à Uefa, a ideia da Superliga era o rompimento e trabalhar de forma independente, sem a anuência da entidade. E romper com a Uefa é também romper com a Fifa, até para poder destruir toda a pirâmide criada que permite que qualquer clube, em tese, possa chegar à final da Champions League, se galgar divisões e se classificar para o torneio continental.

Veremos mais capítulos dessa guerra entre Uefa e os três superclubes. O Real Madrid de Florentino Pérez parece seguir adianta como uma locomotiva e sem planos de parar, ainda que tenha que reduzir temporariamente a velocidade. Aposta que depois que a poeira baixar, será possível retomar. O Barcelona está desesperado por conta de suas finanças em frangalhos, uma situação que a Juventus também está. Os italianos, porém, poderão ter uma mudança de rumo, caso o grupo Exor, empresa que controla o clube, decida pela troca do presidente, Andrea Agnelli, muito criticado pelo fracasso da iniciativa.

A Superliga está desativada, mas longe de estar morta. Os três clubes restantes terão que enfrentar a Uefa, que parece disposta a punir os rebeldes de forma a garantir que a Superliga seja definitivamente enterrada. Veremos se a Uefa terá coragem, especialmente, para punir esses três clubes de forma rigorosa se eles insistirem na ideia.

 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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