Champions League

Uefa confirma reformulação da Champions League sem classificação de clubes via coeficiente

Competição passa a ter 36 clubes, mas com oito jogos em vez de 10 como previsto e sem classificação de clubes via coeficientes. Novo formato será válido a partir de 2024/25

A Uefa confirmou nesta terça-feira o novo formato da Champions League, que vinha sendo muito falado nos últimos meses. A entidade confirmou o aumento para 36 clubes na fase de grupos e o uso do sistema suíço, algo que vinha sendo falado desde 2021. A classificação de clubes por coeficiente, que era um ponto de discórdia, não acontecerá. Além disso, o número de jogos aumentou para oito, e não mais 10, como era inicialmente falado.

A controversa ideia de criar uma espécie de classificação por histórico acabou sendo deixado pelo caminho. Essa ideia beneficiaria clubes maiores das ligas que não conseguiriam se classificar para a Champions League. O pedido da Associação Europeia de Clubes (ECA) era que essas vagas fossem para ligas, e não para clubes. Assim será feito, segundo a confirmação da Uefa.

Como ficam as quatro novas vagas:

  • Uma irá para o clube em terceiro lugar na associação que estiver em quinto lugar no ranking de países
  • Outra vaga irá para aumentar o número de clubes classificados pelo “Caminho dos Campeões”, que reúne clubes campeões de seus países e que não entram direto na fase de grupos
  • As outras duas vagas irão para associações com melhor desempenho coletivo na temporada anterior. Esse desempenho será calculado somando o total de pontos obtido dividido pelo número de clubes participantes. Essas associações ganharão uma vaga extra, que irá para o clube imediatamente classificado após as vagas da Champions League. Por exemplo, se fosse usado esse sistema para a próxima temporada, essas associações seriam de Inglaterra e Holanda (mas o sistema só valerá para a temporada 2024/25, quando inicia essa nova fórmula)

A ideia de dar essas vagas para as associações com melhor desempenho contando apenas o último ano é uma boa medida. Porque se fosse medido pelo ranking, que leva em conta os cinco últimos anos, seria impossível um país que não está no topo ficar com uma das vagas.

Nesse modelo, a Holanda pode ganhar uma vaga a mais. Continua sendo provável que os países de melhor ranking fiquem com as vagas, mas ao limitar o desempenho dos clubes em uma temporada permite mais possibilidades.

A mudança na forma como essas quatro vagas serão distribuídas é uma vitória em queda de braço da ECA, mas é uma vitória apenas de contenção de danos. Foi possível evitar as chamadas “vagas históricas”, o que é uma vitória, mas o aumento da Champions ainda causa desconfiança. De qualquer forma, a distribuição dessas quatro vagas parece mais adequado.

O que é o sistema suíço?

A reformulação foi trabalhada pela Uefa ainda com a Associação Europeia de Clubes (ECA) antes da Superliga surgir (e ruir 48h depois do anúncio). Já era uma concessão da Uefa aos clubes mais poderosos, já que aumentaria a fase de grupos e tornaria os confrontos mais pareados por ranking com o sistema suíço, que é usado em outros esportes, como o xadrez.

É um sistema não eliminatório com número definido de rodadas e que os times enfrentam outros de pontuação similar. No caso da Uefa, será de ranking similar, ou seja, os maiores clubes se enfrentam mais entre si, na teoria. Não há divisão dos times em grupos. Assim, cada clube fará oito jogos, quatro em casa e quatro fora.

Os oito primeiros se classificam diretamente às oitavas de final. Haverá uma fase eliminatória extra do nono ao 24º, em ida e volta. Os oito classificados se juntam aos oito primeiros para as oitavas de final e daí em diante a fórmula segue como a atual: oitavas, quartas e semifinal em ida e volta, final em jogo único.

Ceferin: “Estamos convencidos de que o formato escolhido atinge o equilíbrio certo”

“A Uefa mostrou claramente hoje que estamos completamente comprometidos em respeitar os valores fundamentais do esporte e defender os princípios-chave de competições abertas, com classificação baseada no mérito esportivo, completamente alinhado com os valores do modelo esportivo europeu solidário”, afirmou Ceferin.

“As decisões de hoje concluem um extenso processo de consulta durante o qual ouvimos as ideias de torcedores, jogadores, treinadores, federações, clubes e ligas, para citar apenas alguns, com o objetivo de encontrar a melhor solução para o desenvolvimento e sucesso do futebol europeu, tanto a nível nacional como internacional”, disse o presidente da Uefa.

“Estamos convencidos de que o formato escolhido atinge o equilíbrio certo e que melhorará o equilíbrio competitivo e gerará receitas sólidas que podem ser distribuídas para clubes, ligas e futebol de base em nosso continente, aumentando o apelo e a popularidade de nossas competições de clubes”, disse ainda o dirigente.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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