Champions League

Poucos encarnam o espírito de decisão como Iniesta, e ele provou isso de novo

Xavi, Iniesta e Messi são os únicos presentes nos quatro títulos do Barcelona na Champions desde 2006. Apenas um deles esteve em campo em Paris, Roma, Londres e Berlim. Na primeira decisão, enquanto Messi estava machucado, Xavi não saiu do banco. Coube a Iniesta honrar o trio contra o Arsenal, substituindo Edmilson e participando da vitória por 2 a 1. A partir de então, o meio-campista ganhou importância com a camisa blaugrana. E foi decisivo como poucos para a construção de uma dinastia: contribuiu com assistências nas finais de 2009, 2011 e 2015. Desta vez, para vestir a braçadeira durante 75 minutos e assumir o posto de capitão em definitivo, com a despedida de Xavi.

VEJA TAMBÉM: Dá para dizer sem medo: estamos vivendo uma década de domínio do Barcelona na Europa

Iniesta muitas vezes foi criticado por não ser o cara que parte para cima. Apesar de toda a sua qualidade técnica, e de não ser um distribuidor de jogo tão clássico como Xavi, o camisa 8 sempre jogou próximo do gol, mas sem agredir tanto. Só que nem de longe pode ser visto como um craque que não decide. Muito pelo contrário. O passado mostra como Iniesta se torna primordial em grandes partidas. A final da Copa de 2010 é um marco em sua carreira, assim como a grande atuação na final da Euro de 2012. E as finais da Champions ratificam o seu protagonismo no Barcelona.

Por mais que Iniesta tenha vivido uma temporada de baixa, com números fracos, o craque cresceu no momento exato. A maior mostra disso veio com seu passe monumental para Neymar nas quartas de final, contra o PSG. Já na decisão, Iniesta apresentou uma garra muito acima do comum para enfrentar o forte meio de campo da Juventus. Seu principal lance, é claro, veio no gol que abriu o caminho para o Barcelona, escapando de marcação de Vidal para servir Rakitic, logo aos quatro minutos. Mas o veterano fez muito mais durante o jogo, participando da distribuição de jogo e do esforço na marcação.

Mais do que isso, também impressionou a maneira como Iniesta incorporou uma personalidade que nem sempre costuma demonstrar. No lance em que a arbitragem anulou o gol de Neymar, o veterano assumiu a braçadeira e deixou a tradicional calma de lado, partindo para cima do árbitro. Em meio a uma atuação tão enérgica, deixou o campo e passou a tarja de capitão a Xavi. Para a última das 767 partidas do seu companheiro no Barça, a 151ª apenas na Liga dos Campeões, tornando-se o recordista isolado da competição.

Na entrega da taça, as honras também ficaram com Xavi. Nada mais justo, depois de tantos anos de serviços prestados. Mas, a partir da próxima temporada, a braçadeira será em definitivo de Iniesta, assim como o papel de liderança mais antiga – enquanto a função de Xavi em campo, desde o início da temporada, já é de Rakitic. Aos 31 anos, o meia já viveu fases melhores, mas ainda tem muita lenha para queimar. E, pelo que fez nesta reta final de temporada, demonstra como o Barcelona pode seguir contando com ele.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo