Champions League

Thiago Alcântara se mostra empenhado a deixar uma grande impressão final com a camisa do Bayern

Thiago Alcântara fará, muito provavelmente, a última de suas 235 partidas com a camisa do Bayern de Munique neste domingo. O contrato do meio-campista se aproximará do término em 2021 e, apesar das ofertas do clube, ele prefere “fazer algo novo em sua carreira” – segundo palavras de Karl-Heinz Rummenigge. O adeus prestes a acontecer, entretanto, não gera qualquer tipo de corpo mole nesta reta final de Champions. Pelo contrário, o espanhol parece ainda mais comprometido em deixar uma boa impressão aos bávaros em sua despedida. Um dos melhores em campo contra o Barcelona, fez partida satisfatória contra o Lyon. E sua última dança com a camisa vermelha, diante do Paris Saint-Germain, poderá ser a maior de todas.

Quando chegou ao Bayern em 2013, num dos primeiros negócios de Pep Guardiola, Thiago soou como uma barganha. O pretenso herdeiro de Xavi e Andrés Iniesta não era suficientemente valorizado no Barcelona. Desembarcou na Baviera por €25 milhões, um preço baixo por sua qualidade técnica e por seu potencial. De fato, se tornou um dos jogadores mais importantes do clube nestes sete anos – mas não necessariamente com o impacto que se esperava e sem se colocar como unanimidade.

A influência de Thiago na equipe é inegável, pela maneira como organiza o meio-campo e pela qualidade que adiciona nos passes. O estouro com Guardiola foi contido pelos seguidos problemas de lesão, que limitaram bastante seu tempo em campo nas duas primeiras temporadas. Na terceira, enfim, teve regularidade e deu regularidade ao time. Curiosamente foi com Carlo Ancelotti que o meio-campista chegou ao seu melhor nível com o Bayern, protagonista na conquista da Bundesliga 2016/17. Mas de novo voltou a frequentar o departamento médico na temporada seguinte.

Thiago recuperou-se com Niko Kovac, dando o mínimo de condições a uma equipe sem identidade coletiva e se tornando um dos poucos a se salvar em 2018/19, entre os responsáveis pelo título. De qualquer forma, na avaliação geral, as vezes em que se esperava um jogador um pouco mais decisivo pesavam contra o espanhol – especialmente na Champions, embora não fosse sua característica.

Os números de Thiago sob as ordens de Hansi Flick nem são os seus melhores. Anotou três gols desde a chegada do treinador, mas não registrou uma assistência sequer – o que chama atenção, considerando sua aptidão. Em compensação, deu consistência ao time com uma trinca formada ao lado de Leon Goretzka e Joshua Kimmich. A melhora coletiva passa por seus pés, até se lesionar na reta final da Bundesliga. Entretanto, o retorno de Kimmich à lateral nesta fase decisiva da Champions recobrou seu espaço no meio. E, em dois jogos nos quais o Bayern tinha a iniciativa, Thiago apareceu bastante.

O Barcelona certamente sentiu um arrependimento maior, diante da atuação imperativa de Thiago Alcântara durante a goleada por 8 a 2. Mandou no meio-campo e regeu o massacre em Lisboa. Nesta quarta, a influência do espanhol seria menor, também com o perigo que o Lyon representou. Mas seguiu como o responsável por organizar os bávaros, superando os 100 passes ao longo da noite. Sua marca esta impressa neste momento do Bayern e pode compensar todas as expectativas ao seu redor nestes sete anos.

O profissionalismo de Thiago Alcântara fica evidente neste momento. O companheirismo também. E não é questão de jogar bem para descolar um contrato melhor, na mira do Liverpool. O objetivo parece mesmo concluir sua história no Bayern em grande estilo. Aos 29 anos, o meio-campista tem consciência do que um título de Champions como titular representará à sua trajetória. As impressões contra Barcelona e Lyon são positivas. O PSG, de qualquer maneira, significará um obstáculo bem maior. Thiago será mais exigido na cabeça de área e sua visão de jogo será mais necessária para fazer diferença. Será o ponto final de quem parece empenhado em garantir um desfecho feliz a este capítulo da carreira.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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