Como Simeone pode se inspirar em Guardiola e aproveitar ‘falha’ do Arsenal na Champions League
Atlético de Madrid volta a enfrentar os Gunners, agora pela semifinal; na primeira fase, equipe de Mikel Arteta atropelou
Apesar da vitória sobre o Barcelona no início do mês que praticamente assegurou a vaga às semifinais da Champions League, o Atlético de Madrid de Diego Simeone está em má fase. Chega para enfrentar o Arsenal tendo perdido quatro dos últimos cinco jogos, incluindo a final da Copa do Rei — e sete derrotas nos nove últimos jogos.
Do outro lado, o time de Mikel Arteta também está pressionado. São cinco jogos sem vitórias nos últimos sete confrontos, incluindo uma para o Manchester City que, dias depois, fez a equipe de Pep Guardiola chegar à liderança da Premier League.
E se Simeone quer levar a melhor contra Arteta, pode se inspirar na forma como Guardiola venceu seus últimos jogos contra o Arsenal: pressionando de forma específica e construindo com uma mudança que fez os Gunners ficarem perdidos.
Como Guardiola quebrou o Arsenal recentemente
Na vitória do City, por 2 a 1, no último domingo (19), a equipe construía em 3-4, contando com o goleiro Gianluigi Donnarumma, contra um 4-4-2 defensivo do Arsenal. Nessa configuração, os dois volantes do City, Bernardo Silva e Rodri, foram cruciais para a progressão porque criava-se dois grandes cenários na pressão alta dos Gunners:
- Era impossível que os dois atacantes pudessem fechar ao mesmo tempo o passe de Donnarumma pelo meio, para os volantes, e para os lados, para os zagueiros. Isso exigia uma decisão;
- Se decidissem fechar o meio, abriria a progressão pelos lados, com zagueiros com espaço para conduzir ou encontrar os laterais mais avançados;
- Se pressionassem individualmente os zagueiros, os volantes adversários teriam que saltar para encontrar Rodri e Bernardo, o que poderia criar uma brecha de segundos valiosos para que a pressão fosse ultrapassada.
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Mais do que isso: se o Arteta decidisse fazer com que seu time pressionasse 100% individualmente, o City atrairia seu centro de jogo para perto da sua própria área. Isso liberaria espaço para lançamentos longos para Erling Haaland, e os Citizens teriam vantagem cinética para progredir a partir da segunda bola com jogadores perigosos como Rayan Cherki, Nico O’Reilly, Antoine Semenyo e Jérémy Doku.
No entanto, mesmo que o City conseguisse superar essa primeira pressão, o Arsenal geralmente conseguia recuar rápido o suficiente priorizando defender a própria área e fechar opções de passe entrelinhas. Também por isso o time de Guardiola teve diversas sequências longas de posse de bola.
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As mudanças que destravaram o jogo e como Simeone pode usá-las
O que Guardiola fez para ter ainda mais vantagem foi mudar o posicionamento de seus volantes. Com Rodri e Bernardo geralmente na mesma linha, ele passou a escaloná-los: um recuava na linha dos zagueiros e o outro se mantinha em posição. Isso gerou um efeito dominó:
- Com Bernardo recuando entre os zagueiros, Doku passou a entrar mais no meio-espaço, para ter mais ocupação entrelinhas. Sua movimentação puxava Cristhian Mosquera para dentro;
- Em pressão individual, Noni Madueke passou a perseguir O’Rilley, o que obrigou Martin Odegaard a subir para ajudar Kai Havertz no primeiro combate contra os zagueiros. Com Bernardo Silva descendo, criava-se então uma situação de quatro Citizens contra dois jogadores do Arsenal. Assim, era fácil que a bola chegasse a Marc Guéhi, o zagueiro mais aberto à esquerda;
- Com a bola em Guéhi sem pressão, O’Rilley subia mais e, como Doku estava mais pelo meio, abria-se um grande espaço para o lateral do City atacar nas costas da defesa.
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Esse era o padrão que o Manchester City passou a priorizar durante sua construção: baixar um volante, criar confusão na pressão adversária, atraí-los pelo meio e liberar espaço para O’Rilley. Foi assim, de certa forma, que saiu o segundo gol, marcado por Haaland.
Claro que, na comparação, o time de Diego Simeone é bem diferente do de Guardiola — tanto em estilo quanto em tipo de jogadores. Mas com zagueiros confiantes com a bola como Robin Le Normand e uma dupla de volantes que se complemente, entre o organizador Koke e o versátil e forte Marcos Llorente, é possível emular a ideia.
Mais do que isso, o Atlético de Madrid ainda conta com Antoine Griezmann e Julián Álvarez, uma dupla de atacantes que constantemente baixa para ajudar na construção como meias. E a combinação disso, com dois pontas rápidos perigosos como Ademola Lookman e Giuliano Simeone, pode facilitar o processo na hora de manipular a pressão de Arteta.
Diego Simeone poderia, por exemplo, fazer Koke recuar entre os zagueiros como Bernardo Silva, liberar Matteo Ruggeri enquanto Lookman cai pelo meio, combinando com a descida de Griezmann para manter o apoio central. Isso poderia causar confusão na pressão individual, gerar espaço pelo lado para progredir e ainda manter opções de passe qualificadas pelo meio.
🚨 ¡El Arsenal será nuestro rival en semifinales de la Liga de Campeones! pic.twitter.com/JlkJRe76PF
— Atlético de Madrid (@Atleti) April 15, 2026
Arteta tem mostrado um calcanhar de Aquiles contra Guardiola que pode ser usado por Simeone. Claro que são dois treinadores com ideias diferentes e manejo tático quase em espectros opostos. Mas o argentino é sábio o suficiente para se adaptar ao que precisa para vencer.