Champions League

Stones: “Obviamente era o título que estava faltando, é um prazer criar essa história”

Entre os melhores da final em Istambul, Stones falou sobre o peso que o Manchester City tira de si e também sobre sua nova função em campo

John Stones é o pivô da ascensão do Manchester City nesta temporada. Pep Guardiola transformou o papel do defensor em sua equipe. Stones passou a atuar de uma maneira híbrida, ora como zagueiro e ora como meio-campista, tornando-se essencial ao novo sistema de jogo aplicado pelos celestes. A mudança culminou no melhor momento de Stones desde que chegou ao clube, não apenas por auxiliar na consistência na marcação, mas também por apresentar uma veia mais ofensiva em seu jogo. Teve uma excelente atuação na decisão da Champions, virando quase um camisa 8 do time e tantas vezes buscando o setor ofensivo. Terminou como um dos heróis no inédito título da Champions League.

Stones iniciou a partida ocupando o lado direito da defesa, como um ala. Depois, especialmente após a saída de Kevin de Bruyne por lesão, passou a se mandar mais para o ataque e a centralizar. No segundo tempo, o camisa 5 foi essencial para que o Manchester City ganhasse o meio-campo. Seus números na partida foram excelentes: acertou 33 dos 37 passes que tentou e executou sete dribles, todos certos, maior marca em uma final de Champions desde um tal de Lionel Messi em 2015. Desestabilizou a até então sólida marcação da Internazionale e contribuiu diretamente ao triunfo, com sua saída no final até sentida pelos Citizens. Nada mal para quem, em tantas temporadas, foi criticado por não se encaixar no City e teve longas passagens como reserva. O zagueiro com um ótimo passe virou o grande curinga de Guardiola rumo à Tríplice Coroa.

Depois do jogo, Stones celebrou bastante a vitória do Manchester City sobre a Internazionale e mesmo sua participação na conquista. O inglês reconheceu que as cobranças sobre os celestes em relação à Champions, enfim, acabam. Entretanto, também sabe que o nível das expectativas cresce agora que o clube finalmente conquistou o continente.

“Colocamos o sarrafo lá no alto agora. Honestamente, depois dessa temporada, em que buscamos o título na Premier League depois de estarmos tão distantes, depois conquistamos a Copa da Inglaterra e também a Champions numa noite difícil como essa… Não consigo traduzir o que significa”, analisou Stones.

“Obviamente, era o título que estava faltando. Eu me sinto muito satisfeito, é um prazer ser parte desse time e criar essa história. Você sabe, só havia outra Tríplice Coroa na Inglaterra, pela segunda vez alguém consegue isso. São duas eras diferentes, ambas tão especiais, então estou muito feliz. Estou segurando as palavras porque estou diante das câmeras, vamos deixar claro (risos)”, complementou o defensor.

Sobre sua nova função, Stones apontou que o empenho na adaptação deu resultado: “Joguei mais como um número 8 hoje, o que eu adorei. Obviamente, ainda estou aprendendo e sei que não sou o melhor na posição, mas, vocês sabem, dei tudo em campo e peguei a bola o máximo que pude para tentar fazer as coisas acontecerem. Deu certo e nós criamos algumas chances”.

O inglês, além do mais, deu créditos ao trabalho de seus companheiros e à maneira como o Manchester City encarou a partida: “Perto do final, alguns momentos importantes aconteceram, com Ederson salvando uma bola em cima da linha, e isso faz a diferença. É uma noite diferente. Podemos olhar de um jeito positivo. Agora, podemos ter uma boa conversa sobre quem realmente ganhou isso (risos)”.

Por fim, perguntado sobre como seria a festa, John Stones caiu na gargalhada e deu a entender que a bebedeira ia começar já para facilitar o exame antidoping: “Não sei como vai ser, honestamente não sei. Eu fui sorteado para o exame antidoping, então é um ótimo começo para a minha noite (risos)”.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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