Uma senhora atuação do Leipzig quebrou a invencibilidade do Real Madrid e pode ser decisiva à classificação dos alemães
O RB Leipzig foi melhor no duelo na Red Bull Arena, diante de um Real Madrid com desfalques importantes e também acomodado pela situação
O Real Madrid perdeu sua invencibilidade na temporada, depois de 14 vitórias e dois empates nos compromissos anteriores. Entretanto, a derrota por 3 a 2 na visita ao RB Leipzig merece ser vista com algumas ressalvas. Com a classificação encaminhada na Champions League, os merengues se acomodaram um pouco. Pouparam jogadores na Red Bull Arena, em escalação ainda mais enfraquecida por desfalques importantes. E, mais do que sinal das deficiências da equipe de Carlo Ancelotti, o placar reflete a competência dos comandados de Marco Rose. Se a temporada dos Touros Vermelhos é de oscilação, desta vez eles jogaram demais. Foram claramente melhores no primeiro tempo, com mais objetividade e mais segurança. Souberam administrar a vantagem e mataram o jogo no final. É um resultado imenso, especialmente pelas pretensões de classificação do time às oitavas de final. Graças ao triunfo, o Leipzig assume a segunda colocação no Grupo F e depende só de um empate no confronto direto com o Shakhtar Donetsk.
O RB Leipzig vinha com um quarteto de frente de respeito: André Silva, Emil Forsberg, Christopher Nkunku e Dominik Szoboszlai. Já atrás, Janis Blaswich substitui o lesionado Péter Gulácsi no gol. O Real Madrid entrou com uma formação alternativa pelos desfalques, sem Karim Benzema, Luka Modric e Federico Valverde. Carlo Ancelotti também poupou sua defesa praticamente inteira, com Lucas Vázquez e Antonio Rüdiger nas laterais, além de Nacho Fernández e Éder Militão no meio. Toni Kroos vinha acompanhado por Aurélien Tchouaméni e Eduardo Camavinga no meio. Já na frente, Rodrygo aparecia centralizado, com o apoio de Vinícius Júnior e Marco Asensio.
O Leipzig se soltou na partida rapidamente, com marcação alta e transições rápidas. A movimentação inicial da equipe era boa, antes que o Real Madrid tivesse minutos de controle sem oferecer muito. E num confronto que parecia aberto de início, os Touros Vermelhos anotaram seu gol logo aos 13 minutos, depois de um escanteio. André Silva cabeceou e Thibaut Courtois defendeu, mas o rebote ficou vivo para Josko Gvardiol arrematar com o goleiro batido. Os merengues tinham dificuldades para se acertar na defesa. Outro sinal disso aconteceu pouco depois, quando Nkunku disparou e aproveitou a saída errada de Courtois na intermediária. O francês ficou com a meta aberta e arriscou de longe, mas a bola pegou no lado de fora da rede. Courtois também salvou aos 17, ao espalmar o chute de Mohamed Simakan.
Neste momento, o Real Madrid estava nas cordas. E o Leipzig aproveitou a pressão para ampliar aos 19, depois de um escanteio curto. A bola ricocheteou na zaga, mas sobrou viva na área para Nkunku. O atacante deu uma paulada, que tocou no travessão e entrou. Os méritos eram todos dos alemães. Os merengues tinham dificuldades de acionar seu ataque. O controle da bola não significava muito, com os Touros Vermelhos bem fechados na defesa e mais lúcidos quando avançavam.
O Real Madrid teria um pouco mais de agressividade depois dos 30 minutos. Foi quando Rodrygo e Vinícius Júnior apareceram mais na conclusão. Rodrygo teve um ataque aberto pela esquerda e mandou uma sapatada, mas o goleiro Blaswich desviou o tiro com pouco ângulo. Depois, no escanteio, Vinícius aproveitou a sobra e tentou o arremate, mas também foi repelido pelo goleiro. De qualquer maneira, o Leipzig no geral fazia também uma boa partida para fechar os espaços e pressionar a construção dos espanhóis. Somente aos 44 os madridistas diminuíram. Asensio partiu em velocidade pela direita e cruzou para a cabeçada colocada de Vinícius. Os visitantes voltavam ao jogo.
O segundo tempo recomeçou travado. O Real Madrid tentava imprimir um ritmo mais forte, mas as linhas de marcação do Leipzig seguravam a barra. Não se notavam muitas aberturas, mesmo que os merengues adiantassem suas peças. A presença de área de Benzema fazia falta. O Leipzig continuava atento para segurar o placar e chegou a assustar com Szoboszlai. De qualquer maneira, as chances de gol minguaram bastante na primeira metade da segunda etapa. E as mudanças viriam de baciada aos 24. Timo Werner e Dani Olmo davam mais velocidade aos Touros Vermelhos, enquanto Abdou Diallo fechava a zaga pela esquerda. Ancelotti aumentou a qualidade de sua defesa ao trocar Lucas e Nacho por Dani Carvajal e David Alaba.
A velocidade de Werner tornava o Leipzig mais perigoso. Um chute cruzado do atacante serviu de aviso, antes que Nkunku também errasse o alvo num avanço rápido. O Real Madrid acionou Eden Hazard, no lugar de Kroos aos 31, e quase o belga fez a diferença, numa jogada para Asensio cruzar e Vinícius Júnior finalizar. O atacante não aproveitou o presente e desperdiçou a melhor chance de empate aos 34, ao desviar para fora no primeiro pau. Custou caro, já que o terceiro gol do Leipzig aconteceu no contragolpe seguinte. Simakan fez toda a jogada, ao arrancar do campo de defesa e invadir a área. Cruzou na medida para Werner só escorar para as redes. Olmo ainda quase anotou o quarto e só nos acréscimos os merengues responderam. Rodrygo parou em Blaswich, antes de sofrer um pênalti de Nkunku. Ele mesmo converteu e diminuiu a diferença aos 48, mas estava tarde para a reação.
O Real Madrid, classificado, permanece na liderança do Grupo F. Os merengues somam dez pontos, um a mais que o RB Leipzig. Enquanto isso, a situação dos Touros Vermelhos fica bastante favorável para a rodada final. Com três pontos a mais que o Shakhtar Donetsk, o time depende de um empate na visita à Polônia. Ganhar do atual campeão continental tem um peso enorme para os alemães, também graças à ajuda do Celtic no empate por 1 a 1 com os ucranianos nesta terça-feira.



