Champions League 2026/27

Roma x Real Madrid: Por que o time de Gasperini pode surpreender e complicar a vida de Mourinho

Excelente início na Serie A contrasta com oscilações madridistas, cenário que aumenta expectativa por duelo equilibrado na Champions

A diferença entre Roma e Real Madrid, em termos de peso histórico, ainda é enorme. Mas esse não é necessariamente o melhor critério para projetar o que pode acontecer no Estádio Olímpico.

A equipe de Gian Piero Gasperini chega ao confronto com uma identidade muito mais clara e com um nível de desempenho que transforma o suposto favoritismo madridista em algo bem menos confortável. A partida está marcada para quarta-feira (14), pela segunda rodada da fase de liga da Champions League.

Se a comparação levar em conta camisa, títulos, tradição europeia e quantidade de estrelas, o Real Madrid segue anos luz à frente. Quando o recorte passa a ser exclusivamente o futebol apresentado neste início de temporada, porém, a discussão muda.

A Roma lidera a Serie A e já mostrou contra adversários fortes que consegue impor seu ritmo, enquanto o time de José Mourinho ainda alterna momentos de autoridade com períodos nos quais perde o controle das partidas.

A Roma de Gasperini tem uma ideia muito clara — e sabe como executá-la

Gasperini na área técnica durante jogo da Roma
Gasperini na área técnica durante jogo da Roma (Foto: Domenico Cippitelli / Gribaudi/ImagePhoto / IMAGO)

O principal trunfo da Roma é justamente não depender de uma partida perfeita de algum de seus craques para funcionar. Gasperini construiu uma equipe reconhecível, agressiva e vertical, baseada no 3-4-2-1. Os princípios do sistema já estão assimilados: alas dando amplitude, combinações pelos corredores, movimentação constante dos homens de frente e aceleração assim que aparece espaço para atacar.

O comportamento sem a bola é igualmente importante. A equipe não fica simplesmente esperando o adversário completar a jogada. A marcação é orientada pelos movimentos dos jogadores adversários, com perseguições individuais que podem levar os defensores para longe de suas posições originais. É um mecanismo arriscado, mas que, quando funciona, sufoca a saída de bola e transforma a recuperação em uma oportunidade imediata de ataque.

Isso ajuda a entender por que a Roma pode incomodar tanto o Real Madrid.

Um time que demora para controlar determinados momentos dos jogos pode sofrer contra um adversário que transforma cada perda de bola em uma disputa física e cada espaço em uma corrida para frente.

No meio-campo, Manu Koné é uma das peças que melhor representam essa característica. O francês ganhou protagonismo por sua capacidade de conduzir, pressionar e aparecer na área. Contra a Internazionale, marcou os dois gols da Roma no empate por 2 a 2 e foi uma das figuras da excelente primeira etapa dos mandantes.

Donyell Malen também elevou o patamar ofensivo da equipe. O holandês oferece profundidade, velocidade e presença de área, mas não fica limitado ao papel de finalizador. Sua movimentação cria espaço para os jogadores que chegam de trás e dá outra dimensão às combinações pelos lados. Dybala, por sua vez, continua sendo a referência técnica capaz de receber entre as linhas e encontrar passes que aceleram a jogada.

O Real Madrid ainda não transmite a segurança que o elenco sugere

José Mourinho e Jude Bellingham conversam durante jogo do Real Madrid
José Mourinho e Jude Bellingham conversam durante jogo do Real Madrid (Foto: Oscar J. Barroso / ZUMA Press Wire / IMAGO)

Do outro lado, existe um contraste interessante. O Real Madrid começou a Champions com vitória por 2 a 1 sobre a Inter e, portanto, não chega a Roma pressionado na competição. O problema está na quantidade de momentos durante as partidas em que a equipe parece menos dominante do que se esperaria de um elenco desse nível.

Com Mourinho, o time ainda busca uma estabilidade maior. Há jogos em que consegue controlar o adversário e explorar a qualidade individual de seus jogadores, mas também existem longos períodos nos quais a equipe recua, perde a disputa territorial e permite que o rival encontre caminhos para atacar. E é esse tipo de oscilação que pode ser perigoso diante da Roma.

Fora de casa, a questão ganha ainda mais peso. As derrotas para Betis e Atlético de Madrid neste começo de temporada mostram que o Real não tem sido tão confiável longe do Santiago Bernabéu. Contra uma Roma que joga com intensidade no Olímpico e não precisa de muito espaço para acelerar, conceder o controle durante determinados trechos pode custar caro.

Por isso, dizer que a Roma é favorita seria exagero. O Real Madrid continua tendo mais talento individual, maior experiência em noites desse tamanho e uma capacidade incomparável de decidir partidas mesmo quando não joga bem. Mas afirmar que os espanhóis são favoritos com a mesma margem que a história indicaria também seria ignorar o momento das duas equipes.

Se o jogo fosse decidido apenas pela tradição, o favoritismo madridista seria indiscutível. Se a pergunta for quem chega apresentando o futebol mais convincente, a resposta hoje é bem menos óbvia. A Roma de Gasperini já sabe exatamente o que quer fazer com a bola, como pressionar sem ela e onde atacar. O Real ainda está procurando essa mesma regularidade.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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