Champions League

Robben reviveu as melhores noites do Bayern com dois golaços e uma atuação destrutiva

Um dos maiores erros de planejamento do Bayern de Munique nos últimos anos foi manter intocáveis os seus velhos ídolos. Tudo bem, a gratidão e o espaço a quem fez tanto ao clube são merecidos. Mas isso não precisa necessariamente restringir o protagonismo a tantos medalhões. Em partes, a explicação ao início de temporada muito abaixo da média está nisso, especialmente àqueles que não rendem na defesa. Já o ataque sabe que ainda pode contar com os lampejos de suas lendas, mesmo que eles não sejam tão frequentes quanto no passado. Em uma semana na qual a imprensa alemã especula a saída de Niko Kovac, aparentemente cogitada pelo próprio treinador, Arjen Robben fez os bávaros reviverem seu esplendor. O camisa 10 teve uma atuação de gala nos 5 a 1 sobre o Benfica, no qual o placar na Allianz Arena poderia ser mais elástico.

O Bayern entrou com uma escalação que rememorava outros tempos, sobretudo pelas presenças de Robben e Ribéry nas pontas. Coube ao holandês destroçar. Sua infalível jogada da direita para a esquerda rendeu uma atuação mortífera à defesa do Benfica. O primeiro golaço saiu aos 13 minutos. Robben recebeu na direita e, mesmo cercado por vários defensores, foi criando espaços através das fintas. Limpou o caminho até encontrar a liberdade para mandar o balaço cruzado, sem chances de defesa. Pois o veterano faria mais aos 30. Em contragolpe dos bávaros, recebeu de Thomas Müller e avançou. Gingou para cima do marcador e encheu o pé.

Vital em outras atuações nesta Champions, o goleiro Odysseas Vlachodimos era o principal jogador do Benfica. Ia acumulando defesaças e evitando um massacre maior. Só que o Bayern estava mesmo imparável. Depois de um milagre do arqueiro, na cobrança de escanteio, Joshua Kimmich botou a bola na cabeça de Robert Lewandowski, que fez o terceiro. Na volta ao segundo tempo, o promissor Gedson Fernandes saiu do banco para reavivar as esperanças encarnadas logo no primeiro minuto, descontando. Mas a reação não duraria tanto, quando Lewa aproveitaria outro escanteio para anotar o quarto, seu 51° na história da Champions. Por fim, em boa tabela pela esquerda, Ribéry fechou a contagem. Das 14 finalizações dos alemães, 10 foram no alvo, o que evidencia a precisão e o trabalho ao goleiro adversário.

Depois de mais um final de semana frustrante, com o empate que distanciou um pouco mais a liderança da Bundesliga, o Bayern ao menos encontra um alento na Champions. Lidera o Grupo E com 13 pontos e assegura a classificação aos mata-matas. Já o Benfica se confirma na Liga Europa, parco prêmio de consolação em uma campanha fraca no continente. O questionamento ao time de Niko Kovac (ou seu sucessor) será o desempenho em partidas de maior pressão e contra adversários mais qualificados. Um bom teste ocorrerá na última rodada. Os alemães visitarão o embalado Ajax, em Amsterdã, valendo a liderança. Um empate bastará à primeira colocação, embora o moral precise de mais.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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