Champions League

Renan Lodi buscará seu melhor no Olympique, de longa ligação com o Brasil

Lateral tentará recuperar sua melhor forma no Olympique de Marseille, depois de um ano emprestado ao Nottingham Forest

Renan Lodi não consolidou totalmente sua carreira na Europa ainda. O lateral-esquerdo saiu em baixa do Atlético de Madrid e também não firmou seu nome na Premier League, apesar de certa importância no Nottingham Forest. A chance de recomeço rumo à próxima temporada acontecerá com uma camisa bastante tradicional. Nesta sexta-feira, o Olympique de Marseille anunciou a contratação de Lodi. Os celestes pagarão ao Atleti €13 milhões (cerca de R$70 milhões na cotação atual), em vínculo assinado por cinco temporadas.

Renan Lodi será importante para cobrir uma lacuna no elenco do Olympique de Marseille. Um dos melhores jogadores do time na última temporada foi Nuno Tavares, com muita capacidade no apoio pelo lado esquerdo. Entretanto, os celestes não conseguiram renovar o empréstimo do jovem e ele retornou ao Arsenal. Desta maneira, o brasileiro tentará suprir as necessidades com um estilo igualmente ofensivo.

Lodi será o 24° brasileiro do Olympique de Marseille

A chegada de Renan Lodi amplia o vínculo do Olympique de Marseille com o futebol brasileiro. Nenhum outro país teve mais estrangeiros na história celeste. Ao todo, 23 jogadores nascidos no Brasil entraram em campo pelos marselheses no Campeonato Francês.

A relação começou ainda nos anos 1930, com o goleiro Jaguaré, ídolo do clube e pioneiro entre os futebolistas brasileiros no exterior. Tal ligação se reforçou ainda mais com Jairzinho e Paulo César Caju nos anos 1970, enquanto Mozer liderou a defesa no esquadrão dos anos 1990. A lista privilegiada ainda inclui nomes como Sonny Anderson, Fernandão, Brandão, Victorino Hilton e Luiz Gustavo entre aqueles que fizeram sucesso nas últimas três décadas. No entanto, o elenco estava sem brasileiros desde que Gérson retornou ao Flamengo na virada do ano.

Os brasileiros campeões franceses pelo Olympique:

  • Jaguaré, goleiro (1936/37)
  • Mozer, zagueiro (1989/90, 1990/91, 1991/92)
  • Brandão, atacante (2009/10)
  • Elinton, goleiro (2009/10)
  • Victorino Hilton, zagueiro (2009/10)

Lodi perdeu espaço com o passar dos anos

Renan Lodi ainda não conseguiu reproduzir na Europa o ótimo futebol dos tempos de Athletico Paranaense. Se na Baixada o jovem era considerado o melhor lateral esquerdo do futebol brasileiro, perdeu força com o passar dos meses após sua transferência. A primeira temporada de Lodi no Atlético de Madrid ainda teve bons momentos e o ala estava em alta conta com Diego Simeone. Da mesma forma, se tornou uma arma importante na seleção brasileira com Tite, bastante agressivo pelos lados. Entretanto, a queda se tornou perceptível a partir de 2020/21.

Renan Lodi perdeu espaço no Atlético de Madrid pela falta de segurança defensiva. Conquistou La Liga 2020/21, mas como um coadjuvante no elenco colchonero. Também deixou de frequentar a Seleção, marcado pela derrota na Copa América de 2021. Já a temporada 2021/22 ratificou os problemas. O lateral se tornou uma peça de rotação no elenco de Diego Simeone, apesar de uma boa sequência na virada dos turnos em La Liga. Nem mesmo a utilização do 3-5-2 pelo treinador garantiu a titularidade para o brasileiro. E com a queda de rendimento do time, o defensor virou negociável.

O Nottingham Forest ofereceu uma realidade diferente para Renan Lodi na Premier League, ao levá-lo por empréstimo de uma temporada. O defensor passaria a brigar na parte inferior da tabela, mas com a oportunidade de mostrar serviço a outros clubes da Inglaterra. Foi uma campanha positiva do brasileiro. Firmou-se como titular na lateral esquerda e contribuiu para a fuga do rebaixamento, mas não que tenha se destacado tanto dentro do campeonato. Mesmo assim, o Forest pretendia contratá-lo em definitivo.

Renan Lodi manifestou seu desejo de continuar no Nottingham Forest. O clube, no entanto, não quis exercer a cláusula de compra na casa dos €30 milhões (R$161,7 milhões) e tentou renegociá-lo com o Atlético de Madrid. Os colchoneros estavam dispostos a vendê-lo por um valor até mais baixo, mas não houve acordo entre as duas partes. Lodi passaria a olhar a outros mercados e fez as malas para Marselha.

Dois laterais ofensivos para Marcelino

O Olympique de Marseille poderá ser um bom destino para Renan Lodi. Primeiro, pelo nível inferior da Ligue 1, que permitirá ao brasileiro recuperar seu potencial. Depois, porque outros compatriotas também mostram serviço na competição em sua posição. Basta lembrar do sucesso de Caio Henrique e Vanderson no Monaco. E outro fator que favorece Lodi é a presença de outro lateral extremamente ofensivo no elenco. Os marselheses terão uma dupla perigosa com as subidas de Jonathan Clauss pela direita.

Marcelino García Toral será o novo técnico do Olympique. Não é um comandante muito afeito ao sistema com três zagueiros, com seu tradicional 4-4-2, mas talvez aproveite a capacidade de seus dois laterais no apoio. Por enquanto, o mercado de transferências dos celestes se concentra sobre figuras tarimbadas. Amine Harit e Ruslan Malinovskyi foram contratados em definitivo ao final de seus empréstimos. Geoffrey Kondogbia foi mais um que chegou do Atlético de Madrid para encorpar o meio-campo.

O Olympique de Marseille terminou a última temporada da Ligue 1 na terceira colocação. Por conta disso, precisará disputar as preliminares da Champions League. Outro desafio do clube será se recuperar de perdas importantes no elenco, sobretudo do atacante Alexis Sánchez e do zagueiro Sead Kolasinac. Por decisão própria, o técnico Igor Tudor também deixou o clube ao final da temporada.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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