Real Madrid estava próximo do 0 a 0 que tanto queria, mas Mbappé tirou um coelho da cartola
No último minuto da partida, Mbappé invadiu a área, pedalou, passou no meio de dois e arrancou uma merecida vitória ao PSG
O Paris Saint-Germain estava frustrado. Havia dominado a partida e criado chances. Até perdeu um pênalti com Lionel Messi. O Real Madrid estava satisfeito porque sua estratégia funcionava. Era claro o objetivo de retornar do Parque dos Príncipes com o empate. Se tivesse que ser por 0 a 0, azar dos espectadores. Kylian Mbappé perdera algumas chances de estragar os planos de Carlo Ancelotti antes de receber passe de calcanhar de Neymar pela esquerda, pedalar, passar no meio de dois marcadores e tocar na saída de Thibaut Courtois para garantir a vitória do PSG por 1 a 0 no jogo de ida das oitavas de final da Champions League.
Foi o último lance do jogo. Mais decisivo impossível. Como tem sido decisivo para o PSG ao longo de toda uma temporada conturbada, em que Messi ainda se adapta a um novo clube, Neymar passou meses machucado e a pressão sobre Mauricio Pochettino cresce semana a semana. Foi seu 22º gol em 32 partidas e mais um que representou a diferença entre o empate e a vitória, como na última rodada do Campeonato Francês, contra o Rennes, e em muitas outras.
Coletivamente, o PSG foi ótimo. Palavras raras para descrever seus grandes confrontos na Champions League desde que foi adquirido pelo Catar. Dominou o meio-campo, não permitiu ser ameaçado por um Real Madrid que deu muitas funções defensivas a Vinícius Júnior e não tinha Karim Benzema, retornando de lesão, em condições físicas ideais. Messi deveria ter aberto o placar, mas as cobranças de pênalti são a evidência mais clara de que ele no fim das contas é apenas humano. Courtois fez essa defesa e pelo menos outra excepcional em um chute rasteiro e forte de Mbappé no começo do segundo tempo.
O Real Madrid entrou em campo satisfeito em sair dele com o empate por 0 a 0 e fez um esforço enorme para que nada acontecesse. Fechado com uma linha de cinco no meio-campo, com os recuos de Vinícius Júnior e Marco Asensio pelos lados, travou a entrada da área e deixou o PSG rodando a bola. Os franceses terminaram o primeiro tempo com 62% de posse de bola e apenas uma finalização correta – bem perigosa, por sinal.
Messi recuava para lançar, Mbappé colocava velocidade pela esquerda, e Neymar ficou no banco de reservas, retornando de lesão. O terceiro elemento do ataque foi Di María, que perdeu uma grande chance, aos quatro minutos, ao completar de primeira a ótima jogada de Mbappé. Pegou muito mal na bola e isolou por cima do travessão. Messi não foi brilhante, mas deu um passe perfeito para deixar Mbappé na cara do goleiro. O francês tomou a frente de Carvajal, que lhe deu um leve toque. Desequilibrado, não conseguiu chutar direito de perna esquerda.
Verratti, Paredes e Danilo Pereira se impunham no meio-campo, com Modric e Toni Kroos tentando inventar alguma coisa quando recuperavam a bola, mas foi apenas nos dez minutos antes do intervalo que o Real Madrid conseguiu respirar um pouco mais. Terminou o período com uma cabeçada perigosa de Casemiro em cobrança de escanteio para o primeiro pau.
Benzema apenas fazia número. Tentava impor respeito pela sua presença, mas não era capaz de prender a bola no ataque como faz tão bem. Não havia espaço para Vinícius puxar contra-ataques porque o PSG estava bem postado e porque o Real Madrid poucas vezes conseguia acioná-lo. Sem escape, restaram aos espanhóis a defesa e a contagem regressiva para que o jogo acabasse o mais rápido possível.
Contra o relógio, o PSG tentava. Aos quatro minutos, Verratti, em excelente noite, tocou para a frente da área, Hakimi deixou de primeira e Mbappé dominou e bateu rasteiro com uma velocidade incrível. Courtois mostrou reflexos tão incríveis quanto para espalmar. Messi mandou aquela sua tradicional batidinha colocada, direto às mãos de Courtois, e Kroos respondeu com uma bomba de fora da área, por cima do travessão, um dos raros momentos em que o Real Madrid criou alguma coisa.
A pressão francesa após o intervalo culminou no pênalti sofrido por Mbappé. Recebeu pela esquerda, como sempre, invadiu a área, como sempre, e levou vantagem sobre Carvajal. Como sempre. Foi derrubado por um carrinho, e o lateral direito espanhol sequer reclamou. Messi, porém, bateu cruzado e rasteiro, não muito no canto, e Courtois defendeu.
A primeira rodada de substituições aconteceu aos 26 minutos. Ancelotti reformulou seu lado direito para tentar frear Mbappé, com as entradas de Vázquez e Rodrygo nas vagas de Carvajal e Asensio. Neymar retornou ao PSG para seus primeiros minutos desde o final de novembro. Mbappé soltou outro chute colocado pela esquerda, muito perto da trave. Messi conseguiu uma arrancada poderosa pelo meio e soltou na medida para Neymar, que perdeu o ângulo e não conseguiu nem cruzar e nem chutar.
Mbappé passou algumas porções do segundo tempo pela direita, após a entrada de Neymar, mas os dois se encontraram no outro lado para o golaço que decidiu a partida. Neymar deu de calcanhar da intermediária, Mbappé dominou e avançou. Mesmo nos acréscimos, não falta gás ao atacante francês. Estava marcado por dois homens, Éder Militão, o melhor em campo pelo Real Madrid, e Vázquez. Parecia que não estava marcado por ninguém. Pedalou, jogou a bola entre os dois e tocou na saída de Courtois para arrancar uma vitória suada e merecida.
.
.



