Champions League

A raça de Gerrard não foi suficiente para livrar um débil Liverpool da eliminação

A torcida em Anfield queria voltar no tempo. Mais exatamente, para reviver outro milagre como aquele de 2005, em Istambul. Em proporções muito diferentes, é claro, mas em situações que necessitavam do mesmo esforço sobre-humano dos Reds. Se daquela vez o clube viveu a glória de reconquistar a Champions depois de 21 anos, desta vez lamentou a queda precoce na primeira fase. Com um a menos e precisando virar o placar, o golaço de Gerrard foi insuficiente para ir além do empate por 1 a 1 com o Basel. Pouco para quem precisava de muito, e demorou demais a reagir.

O Liverpool não apresentou nada diferente do futebol desanimador de grande parte da temporada. Pouquíssimo criativo, o time de Brendan Rodgers não conseguia furar a solidez defensiva do Basel. Pior, tomava sufoco quando os suíços subiam ao ataque. E foi assim que a situação se complicou ainda mais. Os visitantes, que já tinham a vantagem do empate, abriram o placar. Em uma sucessão de erros da defesa vermelha, Fabian Frei finalizou com enorme precisão para aumentar o desespero dos ingleses.

Faltava ao Liverpool pensar um pouco mais o jogo. Rickie Lambert estava encaixotado e Raheem Sterling não tinha espaço para arrancar. Inútil durante toda a primeira etapa, a equipe mudou na volta do intervalo, com as entradas de Lazar Markovic e Alberto Moreno. Os Reds até tinham um pouco mais de mobilidade, mas não conseguiam criar tanto assim. E a situação ficou ainda pior quando o árbitro exagerou no rigor e expulsou Markovic, após o sérvio permanecer em campo por apenas 15 minutos. Injustiça que só afundava mais os mandantes.

A situação do Liverpool só mudou quando o time começou a apelar para a raça. Uma entrega descomunal, principalmente de Gerrard, para tentar quebrar a pedreira suíça. Deu certo apenas em uma cobrança de falta perfeita do capitão, que deixou tudo igual aos 36 minutos. Havia pouco tempo para a virada, mas a partir daquele momento ela pareceu realmente palpável. Por mais que os Reds avançassem, e expusessem Mignolet, responsável por duas boas defesas no fim, o milagre não aconteceu. O goleiro Vaclík apareceu sempre no lugar certo para evitar o segundo gol dos Reds e eliminá-los. O Basel, outra vez, fazia história.

É a segunda vez que os suíços eliminam o Liverpool na fase de grupos da Champions, repetindo o filme de 2002/03, e também possuem no currículo uma queda do Manchester United. O time desta temporada, no entanto, reforça a qualidade de um clube que soube renovar suas forças com um bom trabalho no mercado e pelas apostas na base, por mais que tenha perdido vários talentos nos últimos anos. Virtudes que também se combinam com a incompetência do principal adversário. No fim das costas, o jogo em Anfield foi apenas a gota d’água de uma péssima campanha, iniciada inclusive com a vitória suada sobre o Ludogorets na primeira rodada.

Do sonho de retornar à Champions, agora, resta ao Liverpool se contentar com a Liga Europa. O time de Brendan Rodgers tem consciência que deixou muito a desejar, e talvez este último jogo sirva de lição. Falta acerto, mas também falta vontade. Nesta terça, ambas não foram suficientes. Mas, sob a liderança de Gerrard, há tempo para tentar mudar a sorte na Premier League. Por mais que ela dependa de um esforço bem maior do que o apresentado em pouco mais de 20 minutos.

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Equipe Trivela

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