Champions League

O que era melancolia virou uma decepção ainda maior: o eliminado Barça tomou pancada do Bayern no Camp Nou

O Bayern confirmou a liderança do grupo, numa noite em que o Barcelona nem se esforçou tanto para apresentar um mínimo de brio após a eliminação ser confirmada pela Inter

O que deveria ser um grande jogo de Champions League ganhou ares de devastação para o Barcelona. Antes mesmo que a bola rolasse contra o Bayern de Munique, os blaugranas sabiam que estavam eliminados do torneio, com a vitória da Internazionale na abertura da rodada. Entretanto, não era nada ruim o suficiente que não pudesse ficar pior. Os bávaros trataram de aumentar a decepção ao redor do Barça, com a vitória por 3 a 0 na Catalunha. Mesmo que os barcelonistas tivessem certa iniciativa, a equipe mal criava chances. O Bayern se defendeu bem e atacou com eficiência. Serge Gnabry entregou três presentes: primeiro para Sadio Mané abrir o placar cedo, depois para Choupo Moting ampliar com meia hora, até finalmente fechar sua tripleta de assistências no último minuto, para Benjamin Pavard. A desgraça do Barcelona estava exposta e ninguém se empenhou muito para limpar a barra.

O Barcelona vinha com uma ampla lista de desfalques, incluindo a ausência mais recente de Gavi. Xavi escalou a equipe com Marc-André ter Stegen no gol, protegido por uma defesa com Héctor Bellerín, Jules Koundé, Marcos Alonso e Alejandro Baldé. O meio tinha Sergio Busquets, Franck Kessié e Frenkie de Jong. Mais à frente, Pedri e Ousmane Dembélé apoiavam Robert Lewandowski. Já o Bayern praticamente repetia a escalação do final de semana, mas contava com a volta de Sadio Mané. O senegalês vinha na ponta esquerda, em trinca com Jamal Musiala e Serge Gnabry, enquanto Eric-Maxim Choupo-Moting seguia na referência. Leon Goretzka e Joshua Kimmich eram os volantes. Já na defesa, o quarteto Noussair Mazraoui, Dayot Upamecano, Matthijs de Ligt e Alphonso Davies resguardava a meta de Sven Ulreich.

Uma cena que chamou atenção antes que a bola rolasse ocorreu no hino da Champions. O Camp Nou vaiou massivamente a música, em protesto contra as arbitragens da Uefa. E, mesmo com o destino selado, o Barça apresentou certa disposição nos primeiros minutos. Adiantava suas linhas e equilibrava o duelo. O problema é que o Bayern estava bem mais ligado que no encontro em Munique. Tinha boas investidas e abriu o placar aos dez minutos, num ataque rápido. Gnabry deu um lançamento primoroso e pegou a disparada de Mané no campo ofensivo. O senegalês ganhou de Bellerín na velocidade e deu um leve toque no contrapé de Ter Stegen quando ficou de frente para o goleiro. Era mais um duro golpe sobre os blaugranas.

O gol pareceu impactar os ânimos do Barcelona. A partida baixou de ritmo, com o Bayern mais cuidadoso e um Barça limitado em suas tentativas. O jogo ficava mais pegado, com faltas na intermediária. Os blaugranas sequer conseguiam finalizar e davam um pouco mais de calor com Ousmane Dembélé, mas nada que rendesse chances. Quando o Bayern encaixava seus contra-ataques, era mais perigoso. Faltava acertar apenas o passe final. O que aconteceu aos 32, com o segundo gol. Gnabry mais uma vez foi o garçom e abriu com Choupo-Moting, solto pela direita. O camaronês invadiu a área e bateu na saída de Ter Stegen para marcar.

Assim como na partida de ida, Lewandowski estava um tanto quanto sumido. Reclamaria de um pisão e bateria uma falta na barreira, mas era pouco para o que se espera do centroavante. A torcida se animou apenas numa sequência de dribles de Dembélé contra Davies, mas logo o Bayern recuperou a bola e o contra-ataque rendeu um cartão amarelo a Busquets para matar a jogada. Ulreich era um mero expectador em sua meta. Já Ter Stegen precisou fazer uma grande defesa aos 43, diante de Musiala, numa sequência de dois chutes. E quando o Barça imaginou que havia ganhado um pênalti, a falta de De Ligt em Lewandowski na área foi anulada porque o zagueiro visou primeiro a bola. As vaias da torcida soaram mais forte, apesar da decisão correta. Os catalães fecharam os 45 minutos iniciais com uma mísera finalização, e bloqueada.

O Bayern de Munique voltou para o segundo tempo com Marcel Sabitzer no lugar de Goretzka. O time de Julian Nagelsmann administrava o resultado e continha as escapadas do Barcelona em velocidade. Quase o estrago se tornou maior aos dez minutos, num lançamento cirúrgico de Kimmich para Gnabry. O ponta bateu colocado no canto da meta, mas o gol foi anulado por um impedimento milimétrico. Hora do Barça mudar, com Raphinha finalmente acionado no banco, no lugar de Pedri. Ferran Torres também veio na vaga de Busquets, o que deixava o time mais ofensivo. Pouco depois, Thomas Müller e Benjamin Pavard seriam novidades nos bávaros, com a saída de Choupo Moting e Upamecano.

As substituições movimentavam um pouco mais o jogo parado. Ryan Gravenberch substituiu Musiala de um lado, enquanto Ansu Fati e Eric García eram novidades do outro. Fati era quem tinha um pouco mais de atitude e acertou um chute na parte externa da rede, mas a defesa do Bayern fazia talvez sua melhor atuação na temporada, sempre inteira para os desarmes. De Ligt fazia uma baita partida. Já o melhor lance de Raphinha parou na saída de Ulreich, embora o brasileiro tenha ajeitado a bola com a mão. Lewandowski sequer terminou o jogo, substituído sob aplausos, com a entrada do garoto Pablo Torre aos 37. E os bávaros também pareciam satisfeitos. Num jogo que se arrastava, sob mais vaias, os alemães ainda tiveram um mínimo de energia para o terceiro gol no último lance. Mané chutou para Ter Stegen desviar com a ponta dos dedos. Depois do escanteio, Gnabry bateu cruzado e deu sua terceira assistência, com o gol de Pavard. Era a pá de cal na decepção blaugrana.

O Bayern de Munique permanece com 100% de aproveitamento na Champions, com 15 pontos. São cinco pontos a mais que a Internazionale, que não tem mais chances de alcançar a primeira colocação. Já a melancólica campanha do Barcelona rendeu míseros quatro pontos em cinco rodadas. De novo, a Liga Europa será um prêmio de consolação amargo a Xavi. E está claro como o torneio não é fácil, vide o que o Eintracht Frankfurt aprontou na última temporada.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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