Champions League

Quando times memoráveis de Monaco e Dortmund ficaram a um triz de fazer a final da Champions

Borussia Dortmund e Monaco fazem um duelo de vocação ofensiva pelas quartas de final da Liga dos Campeões. Certamente, será um dos mais divertidos de se assistir – principalmente se você não simpatiza com nenhum dos clubes. Duas equipes que atacam com intensidade e possuem diversos jovens destaques. E que, ao longo dos últimos meses, vêm empilhando gols. Os aurinegros possuem o terceiro melhor ataque da Champions, atrás apenas de Bayern de Munique e Barcelona. Já os alvirrubros apresentam números fantásticos na Ligue 1, balançando as redes mais do que qualquer outro time nas cinco principais ligas europeias.

Dos quatro confrontos da Champions, é o único que nunca havia acontecido antes por competições continentais. E por muito pouco. No auge de equipes históricas, Dortmund e Monaco ficaram a um triz de fazer a final do torneio em 1997/98. Ambos chegaram às semifinais, mas acabaram eliminados por outras potências continentais. De casa, viram o Real Madrid batendo a Juventus na decisão em Amsterdã, no histórico gol de Predrag Mijatovic.

O Borussia Dortmund buscava o bicampeonato europeu naquela temporada. Os aurinegros tinham conquistado a taça mais importante de sua história em 1997, superando a própria Juve na final. E ainda que o desempenho na Bundesliga não fosse bom, os aurinegros mantinham a força no cenário continental. Em tempos nos quais apenas o líder de cada grupo garantia vaga nos mata-matas (eram seis chaves, com os dois melhores segundos colocados completando as quartas de final), os alemães se impuseram contra adversários difíceis. Conquistaram cinco vitórias em seis rodadas, diante de Parma, Galatasaray e Sparta Praga. Sustentaram a melhor defesa desta etapa da competição, com apenas três gols sofridos.

O Monaco, por sua vez, acumulava boas participações nas copas continentais desde o início da década. Foi vice-campeão da Recopa em 1992, semifinalista da Champions em 1994 e, na temporada anterior, caíra para a Internazionale nas semifinais da Copa da Uefa. Os campeões franceses encararam um grupo um pouco mais tranquilo. Terminaram na ponta da chave composta por Bayer Leverkusen, Sporting e Lierse. Autor de seis gols nos seis primeiros jogos, Thierry Henry despontava na artilharia e fazia os monegascos contarem com o melhor ataque do certame, ao lado do Real Madrid.

Nas quartas de final, dois desafios imensos. O Borussia Dortmund fez clássico contra o Bayern de Munique, então campeão nacional. Só que o melhor momento dos aurinegros no continente pesou. Após o empate por 0 a 0 no Olympiastadion, o Dortmund levou a sua torcida à loucura no Westfalenstadion. O ídolo Stéphane Chapuisat anotou o gol da classificação já na prorrogação. O magro triunfo por 1 a 0 confirmava o time de Nevio Scala na próxima etapa. Já o Monaco encarou o Manchester United, dominante em seu país. O placar zerado da ida, no Estádio Louis II, parecia deixar os alvirrubros em situação difícil. Contudo, com uma bomba de David Trezeguet logo nos primeiros minutos em Old Trafford, os monegascos seguraram o empate por 1 a 1 e avançaram graças ao gol fora de casa.


Todavia, faltou força nas semifinais. O Real Madrid decidiu o embate contra o Borussia Dortmund logo no primeiro jogo. Fernando Morientes e Christian Karembeu anotaram os gols da vitória por 2 a 0 no Santiago Bernabéu. Na Alemanha, os aurinegros não passaram do 0 a 0. Do outro lado da chave, o Monaco sofreu um duro golpe na visita a Turim. A Juventus goleou por 4 a 1, com direito a tripleta de Alessandro Del Piero e Zinedine Zidane fechando o massacre. Costinha descontou. Já no principado, Nicola Amoruso deu um balde de água fria abrindo o placar para os bianconeri. Os monegascos até viraram, com tentos de Philippe Léonard, Henry e Robert Spehar, enquanto Del Piero marcou mais um. De qualquer maneira, o 3 a 2 era insuficiente para a classificação.

Tanto Dortmund quanto Monaco tinham elencos de respeito para fazer uma final grandiosa. Os aurinegros haviam perdido o técnico Ottmar Hitzfeld, mas mantinham boa parte da base campeã no ano anterior. Chapuisat, Andreas Möller, Stefan Reuter, Lars Ricken, Júlio César e Jürgen Kohler eram algumas das referências. Já os alvirrubros lapidariam alguns talentos que, semanas depois, conquistariam a Copa do Mundo com a seleção francesa. Henry, Trezeguet e Fabien Barthez foram aproveitados por Aimé Jacquet nos Bleus. Além deles, os monegascos também contavam com Willy Sagnol, Philippe Christanval, Costinha e Viktor Ikpeba.

A campanha às semifinais da Champions foi o canto do cisne daquelas duas gerações. Enquanto o Monaco perdeu sucessivamente os seus destaques, o Dortmund caiu de rendimento com o envelhecimento de muitos dos seus protagonistas. Os alvirrubros só voltaram a fazer uma campanha tão boa em 2004, quando perderam a decisão para o Porto. Já os aurinegros precisaram esperar um pouco mais, até o vice em 2013.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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