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Quando Malcolm Allison, o treinador lendário e folclórico do City, também fez história com o Sporting

Big Mal foi o lendário assistente do City em anos dourados e depois viveria uma temporada muito intensa no Sporting

Malcolm Allison é um dos treinadores mais fascinantes que o futebol já teve. O comandante marcou-se dentro de campo como um inovador, ao incentivar um futebol ofensivo e a modernização de métodos. Não à toa, embora assistente de Joe Mercer no Manchester City, se gravou como cérebro do timaço que acumulou taças na virada da década de 1960. Fora de campo, todavia, Big Mal era bem mais conhecido como bon vivant. Seu trabalho no futebol não o afastava das noitadas, das mulheres e das bebidas. Na casamata com seu inseparável chapéu e também charutos, colecionava frases de efeito e construía ótima relação com os jogadores. E foi com essa filosofia particular que, depois de marcar seu nome no City, viveu um renascimento de sua carreira em Portugal como um técnico revolucionário do Sporting. Ficou apenas uma temporada em Alvalade, suficiente para faturar a dobradinha nacional e gravar-se como um mestre no clube. Um Mister, como era carinhosamente chamado.

A história de Malcolm Allison no futebol inglês faz parte do folclore local – muito bem detalhada pelo amigo Emmanuel do Valle, em texto publicado aqui na Trivela quando o nascimento do treinador completou 90 anos. Zagueiro de boa projeção com o West Ham durante os anos 1950, quando inspirou até mesmo um jovem Bobby Moore, Big Mal encerrou a carreira precocemente aos 31 anos, por conta de uma tuberculose. Chegou a trabalhar como vendedor de carros, apostador profissional e dono de clube noturno, até iniciar sua carreira como treinador em ambientes bem modestos. Dirigiu equipes universitárias, da non-league e também passou pela América do Norte, até chamar atenção à frente do Plymouth semifinalista da Copa da Liga. Isso o levou a ser convidado para trabalhar como assistente de Joe Mercer no Manchester City a partir de 1965.

Por conta da saúde debilitada de Mercer, Allison comandava os treinos e aprimorava o futebol classudo apresentado pelo City, além de manter uma relação muito próxima com os jogadores. Passava longe dos mecanismos do “kick and rush”, com uma filosofia de jogo inspirada inclusive por ver a Hungria amassar a Inglaterra no famoso 6 a 3 de Wembley em 1953. Priorizava bem mais a habilidade e as tramas coletivas. Isso permitiu que os Citizens marcassem época, saindo da segunda divisão em 1966 para a conquista do Campeonato Inglês em 1968. A série de troféus ainda rendeu a Copa da Inglaterra em 1969, além da Copa da Liga e da Recopa Europeia em 1970. Ídolos como Colin Bell, Francis Lee, Mike Summerbee, Tony Book e tantos outros eternizavam seus nomes. Era a equipe celeste mais forte do século, só superada depois em tempos catarianos.

Malcolm Allison virou treinador principal do Manchester City em 1971, quando Mercer assumiu funções administrativas. No entanto, a equipe azeitada perdeu forças e Big Mal deixaria os Citizens em 1973. Contratado pelo Crystal Palace na sequência da carreira, alcançaria a semifinal da FA Cup em 1976, embora também acumulasse descensos e extravagâncias. A partir de então, o declínio de sua carreira ficava demarcado. Teve uma passagem infrutífera pelo Galatasaray e nem mesmo o retorno ao Manchester City, em 1979/80, deu certo. Os tabloides adoravam publicar matérias sobre as noitadas de Allison, enquanto a descrença sobre sua aptidão como treinador pairava. E quando uma renovação de ares era necessária, com seu mercado na Inglaterra limitado ao modesto Yeovil Town, o Sporting apareceu. A mudança para Portugal seria muito bem-vinda ao inglês, então com 54 anos.

O Sporting não acumulava títulos como em outros tempos, mas vinha de uma conquista relativamente recente no Campeonato Português em 1980. Reunia diversos jogadores de seleção e tinha claro potencial de brigar por novos títulos. A aposta em Malcolm Allison era um movimento ousado do presidente João Rocha, que não ignorava as questões extracampo envolvendo o treinador, mas acreditava em sua filosofia à beira do gramado. Se na Inglaterra prevalecia o descrédito, a Europa continental ofereceria um clima muito mais aprazível e uma relação diferente nos vestiários. O próprio desembarque de Big Mal em Lisboa seria aguardado por centenas de torcedores, que viam ali um dos técnicos mais renomados do continente, não o beberrão mulherengo.

Malcolm Allison se juntou inicialmente ao Sporting como observador técnico. O time disputaria um torneio de fim de temporada na Venezuela, em junho de 1981, e o futuro comandante pôde se aclimatar, tanto ao ambiente do clube quanto ao elenco. Porém, não demorou a tomar o controle nos vestiários. O iugoslavo Srecko Radisic, que havia trabalhado no Real Madrid e dirigia a equipe naquela viagem, logo passaria a se dedicar apenas à preparação física. Big Mal se encarregou da condução do futebol, ao propor um estilo de jogo mais ofensivo, e também da modernização, em tempos nos quais os leoninos ainda tinham estruturas um tanto quanto amadoras.

Como sequer se prontificou a aprender o Português, Allison precisava contar com a presença de um tradutor, Jaime Lopes. Porém, também teria seus jogadores de confiança por dominarem o Inglês. O lateral Virgílio se aproximaria bastante do comandante e, pelos companheiros, era chamado de “filho do técnico”. Não à toa, foi o mais utilizado naquela temporada. Ainda havia o atacante reserva Christian N’Wokocha, nigeriano que primava pelos estudos, já que realizou até mesmo formação universitária nos Estados Unidos. Eram aqueles que transmitiam a revolução pretendida por Big Mal.

Na Venezuela, Malcolm Allison viu que não tinha tempo a perder. Passou a comandar treinos fortes e a demarcar sua presença junto ao grupo. E isso não se restringia aos assuntos de campo, como bem era conhecida a fama de Big Mal. Numa excursão de fim de temporada, os jogadores tinham mais expectativas de aproveitar a noite de Caracas. Manuel Fernandes e Francisco Barão, os dois capitães, perguntaram ao técnico se tinham permissão para sair. Allison não lhes negaria isso. “Depois do jantar, anunciou que, não só sairíamos, como sairíamos todos juntos. A equipe toda, sem exceções. Para mim, nasceu nessa noite o espírito de grupo – para onde um for, os outros vão também”, contou Barão, ao livro ‘Big Mal & Companhia: Os bastidores da dobradinha do Sporting em 1981/82’, de Gonçalo Pereira Rosa.

O meio-campista Ademar ainda relembra no livro: “A atitude caiu-nos bem. O capitão de equipe tinha informado que o grupo gostaria de beber uma cerveja se ele não se importasse. E foi muito reconfortante ouvi-lo dizer: ‘Finalmente! Vejo que vocês bebem. Estava a ver que ninguém bebia aqui’. A malta estava sempre a medir o pulso aos treinadores e ficou encantada nesse dia”. Ou como complementa o lateral José Eduardo, falando das passagens por discotecas com garrafas de champanhe nas mãos: “Fui com ele e mais dois colegas no táxi, e ele passou-me a garrafa para a mão. Bebemos todos à inglesa. E isso era inaudito num treinador profissional”.

As noitadas cobravam seu preço na rotina do dia seguinte, quando Big Mal comandava seus fortes treinos. O técnico instauraria uma nova máxima entre os leoninos: “Vive como um leão, mas treina sempre como um leão”. Sem camisa e com uma extravagante faixa vermelha na cabeça, Allison também não aliviava na intensidade que ele mesmo muitas vezes puxava nas atividades. Mas deixava claro, desde o princípio, que não era o comandante que enjaularia seus atletas. Logo se estabeleceria também a dinâmica do grupo, com Radisic dirigindo os treinos físicos e Big Mal cuidando da parte tática e técnica.

Malcolm Allison, além do mais, guardava seu show com as coletivas de imprensa espirituosas e as declarações peculiares. Parecia muito mais contente, até por se livrar de funções administrativas que geralmente eram atribuídas aos técnicos na Inglaterra – e ele, sem se prender a tetos de gastos, tinha problemas constantes com isso. “Eu aprecio o estilo continental dos treinadores, por poderem fazer o que sabem de melhor – que é treinar. Para mim, essa é a parte mais importante do jogo e a chance de concentrar exclusivamente nesse aspecto é muito melhor. Tenho um conselheiro financeiro e um contador que analisam o aspecto econômico do clube”, comentou à biografia ‘Big Mal: The High Life and Hard Times of Malcolm Allison, Football Legend’, de David Tossell.

O clima no Sporting ficaria ainda melhor porque a equipe conquistou o título na Venezuela. Depois de empatar com o Valencia, bateu o Millonarios por 3 a 2 e levou a taça. Também ficava evidente a maneira como Allison pensava a equipe, com um futebol mais agressivo e direto, tendo em mente sempre o gol. Pedia toques rápidos e muita pressão sem a bola, no que era visto como uma inovação dentro do futebol português. Até por isso, foi importante também o senso coletivo que imprimiu dentro de um grupo essencialmente solidário.

De qualquer maneira, tudo ficava mais fácil pela forma amigável como Malcolm Allison fincou sua hierarquia dentro dos vestiários sportinguistas. “Desde o primeiro dia, não impôs regras. Disse-nos que gostava de funcionar com pessoas inteligentes às quais concedia liberdade para poder exigir responsabilidade”, afirma Barão, ao livro ‘Big Mal & Companhia’. Visão parecia com a do meio-campista Marinho: “Chegava ao pé de nós e não dava apertos de mão: dava-nos palmadonas amigáveis no ombro. Tanto fazia se era o goleador da equipe ou o terceiro goleiro. Tratava todos da mesma forma”. Tal postura não fazia Allison afastar de si os holofotes, pelo contrário. Nos jogos em Alvalade, entrava em campo antes dos jogadores e dava uma volta acenando seu chapéu. Causava enorme empolgação na torcida. Não causava ciúmes, pelo contrário: deixava a massa ainda mais incendiada para a entrada dos atletas.

Faria diferença também a qualidade do elenco do Sporting para aquela temporada de 1981/82. Uma das raras contratações pedidas por Malcolm Allison foi o goleiro Ferenc Mészáros, do Vasas e da seleção da Hungria. O veterano transmitiria bem mais segurança aos leoninos. Já a liderança na defesa ficava com Eurico Gomes, zagueiro da seleção portuguesa e um raro elemento que conseguiu conquistar títulos pelos três grandes de Portugal – trazido do Benfica, faria parte do Porto campeão europeu na sequência dos anos 1980.

O meio distribuía nomes importantes – mais experientes como Francisco Barão e António Nogueira, mas também jovens do talento de Carlos Xavier e Mário Jorge. Já na frente, Rui Jordão era um dos principais artilheiros do futebol português e isso se potencializou ainda mais com Big Mal. Outro nome importante na ligação era Manuel Fernandes, ponta talhado na Seleção das Quinas que empilhava gols. E o setor teria uma adição decisiva com a chegada de António Oliveira, armador de longa história no Porto e na própria seleção, que chegava após uma temporada com o Penafiel.

O trabalho de Malcolm Allison no Sporting não demorou a engrenar. Apesar do empate com o Belenenses na estreia do Campeonato Português, os leoninos dariam início a uma sequência invicta que chegou a 18 partidas em todas as competições. Algumas goleadas logo vieram. Em setembro, os leoninos enfiaram 6 a 0 no Penafiel, além de iniciarem sua campanha na Copa da Uefa com um 11 a 0 agregado sobre o Red Boys Differdange, de Luxemburgo. Já uma das partidas mais lembradas daquela temporada ocorreu na Inglaterra, onde Big Mal conduziria os sportinguistas contra o Southampton, pela segunda fase do torneio continental.

O Southampton atravessava um momento de enorme investimento. Reunia vários jogadores com nível de seleção, incluindo os veteranos Alan Ball e Mick Channon. Já a estrela da companhia era Kevin Keegan, ganhador da Bola de Ouro duas vezes pouco antes, que chegou como um reforço estelar aos Saints. Apesar do respeito que os adversários impunham, Big Mal estava disposto a provar que seus infortúnios nos trabalhos anteriores pela Inglaterra não significavam nada e que o futebol continental poderia ser mais prolífico. Principalmente, queria calar os muitos críticos que ouvira. O Sporting venceu logo a ida em The Dell por 4 a 2, a primeira vitória do clube em um jogo disputado na Inglaterra. Manuel Fernandes, com dois gols, comandou aquele triunfo, em que os anfitriões só deram seu sinal de reação quando já perdiam por 3 a 0. Ao apito final, Big Mal deu uma calma e triunfante volta olímpica para ouvir os aplausos. Em Lisboa, o empate por 0 a 0 classificou os lusitanos.

O Sporting encerrou sua campanha na etapa seguinte da Copa da Uefa, superado pelo Neuchâtel Xamax, que provocou a primeira derrota dos leoninos na temporada apenas no início de dezembro. Mas, àquela altura, a campanha no Campeonato Português já era forte o suficiente para fazer a equipe sonhar com a taça. Depois de 11 rodadas, os sportinguistas lideravam à frente de Porto e Benfica. Nesta arrancada, outro momento decisivo veio no início de 1982. Entre janeiro e fevereiro, o Sporting emendou uma série de seis vitórias consecutivas na liga. Bateu adversários tradicionais como Belenenses e Braga. Já o principal triunfo veio com o 1 a 0 sobre o Porto no Alvalade, fechando o primeiro turno, que permitiu uma vantagem de quatro pontos no topo – em tempos de dois pontos por vitória.

Um momento de dificuldade do Sporting aconteceu na virada de março para abril, quando a equipe sofreu suas duas primeiras derrotas no Campeonato Português, nas visitas a Boavista e Portimonense, depois de 21 compromissos de invencibilidade na liga. Tais tropeços não foram custosos porque, entre um e outro, ocorreu o clássico contra o Benfica no Alvalade. Rui Jordão teve uma atuação decisiva contra o ex-clube e emplacou uma tripleta, no triunfo por 3 a 1. Os encarnados, que poderiam ali reduzir a diferença para três pontos, viram os sportinguistas abrirem sete na dianteira da tabela. Já não daria mais para alcançar, mesmo com novos deslizes alviverdes na reta final, incluindo a derrota durante a visita ao Porto na rodada final. O jogo do título, um 7 a 1 sobre o Rio Ave no penúltimo compromisso, teve cinco gols de Jordão.

O Sporting fechou o Campeonato Português de 1981/82 com 46 pontos, dois a mais que o Benfica e três a mais que o Porto. A equipe de Malcolm Allison fez jus à sua capacidade ofensiva e terminou com o melhor ataque, somando 66 gols em 30 partidas. Rui Jordão seria o vice-artilheiro do campeonato com 26 tentos, mas a equipe também teria grande participação de Manuel Fernandes (15 gols) e António Oliveira (12 gols). O tridente ofensivo tinha oferecido nada menos que 80% das bolas nas redes anotadas pelos sportinguistas naquela campanha. E teria sede para mais.

Paralelamente, o Sporting demoliu os adversários até a decisão da Taça de Portugal. Após a conclusão da liga, seria a cereja do bolo, com a chance de render a dobradinha. O adversário na final seria o Braga, algoz do Benfica na fase anterior – que, por sua vez, tinha despachado o Porto. Os leoninos não tomaram conhecimento de seus adversários e aplicaram uma goleada por 4 a 0. António Oliveira anotou dois gols, enquanto Manuel Fernandes e Rui Jordão completaram o baile. Indiscutivelmente, os leoninos eram a melhor equipe do país. E o responsável mais reconhecido estava no banco de reservas. Big Mal eternizava sua imagem no Jamor, com o tradicional chapéu na cabeça e o charuto na boca.

Como na temporada anterior, o Sporting disputou um torneio amistoso de pós-temporada. O destino escolhido era Paris. Palco melhor não havia para os festejos liderados por Big Mal. “Depois do jantar, retornamos ao hotel às duas da manhã, e eu lhe perguntei: ‘A que horas temos que acordar amanhã?’. Ele respondeu: ‘Hoje ninguém vai dormir. Vamos beber em Paris. Já fomos campeões. Agora temos de nos divertir e conviver uns com os outros’. Voltamos às seis da manhã”, relembrou o atacante Manuel Fernandes, ao jornal Público.

Porém, não houve troféu que salvasse a pele de Big Mal diante dos atritos com a diretoria. O comandante permaneceu à frente do Sporting para a temporada de 1982/83 e dirigia a pré-temporada realizada na Bulgária. Os “excessos” cometidos pelo excêntrico treinador durante a viagem serviram de justificativa aos dirigentes, com famosas noitadas no hotel em Sófia e uma quantidade irreal de álcool consumido. Reza a leda que o presidente João Rocha botou sobre a mesa o contrato e uma garrafa de uísque, dizendo que “era um ou outro”. Big Mal escolheu a bebida e deixou a sala.

Na época, Malcolm Allison negou veementemente as acusações. “Esta comédia tem de acabar. Na Inglaterra, a minha mulher e os meus amigos devem estar todos abismados”, afirmou, conforme o site Contacto. “Falam insistentemente no meu interesse em algumas moças que trabalhavam na recepção do hotel. Pois bem, estava interessado, sim. Interessado apenas no modo de vida delas, todas emigrantes e filhas de cirurgiões. Era um exemplo de vida que me interessava estudar. Quem for passar três semanas na Bulgária e se portar melhor que nós, dou-lhe um prémio de dez mil libras. Num país de cenário verde, com ótima gente e uma vida excepcional, nunca vi um policial, quanto mais terem inventado que até foi preciso a intervenção da polícia para meter a comitiva do Sporting em ordem numa determinada noite. Melhor comportamento? Nem no convento mais severo do mundo”.

“Foi profundamente injusto o processo que acabou desencadeado contra Mister Allison. Um empresário estava preparando a sorrateira chegada de Jozef Venglos e inventou histórias sobre a relação entre Allison e o presidente Rocha”, afirmou ainda António Oliveira, em entrevista à revista Blizzard. “Malcolm era um homem que aproveitava a vida ao máximo e queria transmitir a alegria de trabalhar na indústria do futebol a todos os jogadores e funcionários”.

O próprio Oliveira assumiu como jogador-treinador pelos meses seguintes, enquanto Jozef Venglos (comandante renomado da Tchecoslováquia na Copa do Mundo de 1982) negociava com o Sporting e chegaria no fim da temporada. Rumores também diziam que João Rocha tinha ciúmes de Big Mal, por sua boa relação com a imprensa e com os jogadores. Aquela demissão não demoraria a se provar um erro – para os sportinguistas, sobretudo. Tão dominante em 1981/82, o Sporting caiu nas quartas de final da Champions contra a Real Sociedad e ficaria apenas em terceiro no Campeonato Português. Iniciava-se uma seca que completou 17 anos na liga.

Malcolm Allison também não se reencontrou depois de deixar o Alvalade. Chegou a dirigir o Middlesbrough e a seleção do Kuwait, mas teria um mínimo brilho mesmo em Portugal, quando conquistou o acesso com o Vitória de Setúbal – buscando vários veteranos daquele Sporting e ainda contando com um jovem aprendiz chamado José Mourinho. Longe do futebol a partir dos anos 1990, lidaria com o alcoolismo e desenvolveria demência. Passaria a viver os últimos anos de sua vida numa casa de repouso, onde atendeu as últimas entrevistas. Com pensamentos vagos e memória afetada, ainda assim falava sobre seu carinho ao Sporting. Faleceu em 2010, aos 83 anos, na Manchester que tanto representou na sua vida. Recebeu honras de lenda do City no funeral.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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