Champions League

Por “conduta inadequada”, e não racismo, Uefa suspende quarto árbitro de PSG x Basaksehir até o fim da temporada

A Uefa anunciou nesta segunda-feira o resultado da investigação conduzida por seu Inspetor de Ética e Disciplina, após a acusação de racismo ocorrida no jogo entre Paris Saint-Germain e Istambul Basaksehir em dezembro, pela Champions League. Principal acusado do episódio, o quarto árbitro Sebastian Constantin Coltescu violou o código disciplinar da entidade, mas por comportamento inadequado, e não necessariamente por racismo ou outra conduta discriminatória. O romeno foi suspenso de exercer qualquer função de árbitro até 30 de junho e também atenderá a um programa educacional.

Segundo a nota oficial da Uefa, Coltescu teve um “comportamento inapropriado durante uma partida”. O quarto árbitro violou um artigo do Regulamento Disciplinar da Uefa e outro dos Termos e Condições Gerais para Árbitros em Jogos da Uefa. No entanto, segundo o Comitê de Ética, Coltescu não violou o Artigo 14, que aborda racismo e outras condutas discriminatórias. Além da suspensão de suas atividades, ele também precisará comparecer a um programa de educação antes de 30 de junho.

A Uefa também repreendeu Octavian Sovre, assistente de arbitragem naquela partida. O bandeira também violou os mesmos dois artigos dos regulamentos da entidade, com um comportamento inadequado, mas a confederação não aplicou punições. Ainda assim, Sovre precisará participar igualmente de um programa educacional até o final da temporada. Ovidiu Hategan, árbitro principal daquela partida, não foi punido.

Vítima no episódio e assistente técnico do Basaksehir, Pierre Webó teve sua suspensão mantida em relação à expulsão ocorrida naquele jogo, por “conduta antidesportiva”. Coltescu chamou o camaronês de “aquele negro” para apontar ao árbitro qual membro da comissão técnica do Basaksehir havia sido expulso. Conforme a Uefa, a conduta inadequada de Webó ocorreu “antes dos incidentes que desencadearam as sanções aos árbitro e, portanto, não foram provocados por elas”.

O Comitê de Ética ainda apontou que “os árbitros da Uefa devem receber um treinamento mais adequado e específico para tomar as melhores decisões sobre a escolha da linguagem e das palavras a serem usadas”. A nota oficial afirma que “no contexto internacional, o uso correto da linguagem é essencial para evitar situações como as que ocorreram na partida citada”. Assim, a entidade considera que houve uma questão de incompreensão, e não de racismo, apesar das reações dos próprios jogadores e das discussões geradas.

Por fim, a Uefa não se manifestou sobre as acusações de xenofobia ocorridas no mesmo jogo. Segundo alguns presentes, membros da comissão técnica do Basaksehir teriam feito afirmações discriminatórias contra o quarteto de arbitragem romeno, por conta de suas origens.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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