Champions League

Pobreza do Atleti ajudou, mas impressiona o quanto Tuchel já melhorou a defesa do Chelsea

Durante mais de 20 minutos, o Atlético de Madrid não deu um chute a gol no segundo tempo. Seria indesejável, embora até compreensível dentro da estratégia habitual de Diego Simeone, se estivesse em vantagem nas oitavas de final. Mas não estava. Precisava fazer dois gols. Eventualmente, acabou chutando, até teve uma chance boa de empatar o jogo antes de Emerson fechar o caixão nos minutos finais, mas a pobreza do ataque colchonero foi marcante. Como também foi a solidez defensiva do Chelsea.

A baixa produtividade espanhola acabou sendo uma mistura dos dois. O Atlético estava em um dia especialmente ruim na sua parte ofensiva – que tem oscilado na temporada; às vezes melhor do que o normal, às vezes até pior. Mas um time com Luis Suárez e João Félix, com o apoio de Marcos Llorente, Koke e Saúl, precisando correr atrás do resultado, deveria ter causado mais problemas ao Chelsea mesmo em um dia ruim.

Acontece que, desde que Thomas Tuchel se tornou treinador, poucos conseguem. Mesmo os que tentam mais.

Com exceção do último jogo contra o Leeds, quando preferiu o 4-2-3-1, Tuchel tem adotado um esquema com três zagueiros desde que estreou contra o Wolverhampton, no final de janeiro. São 13 jogos por todas as competições. E apenas dois gols sofridos. Onze jogos sem ser vazado em menos de dois meses são quase o mesmo que Frank Lampard havia conseguido em todo o restante da temporada (13).

O trio de defesa tem dois zagueiros, geralmente Thiago Silva e Rüdiger. Nas últimas semanas, Christensen e Zouma têm ganhado oportunidades com a lesão do brasileiro. O terceiro homem é sempre Azpilicueta que, com versatilidade para atuar tanto na zaga quanto como lateral, ajuda bastante na saída de bola pelo lado direito. Contra o Barnsley, pela Copa da Inglaterra, Tuchel fez o mesmo, mas com Emerson fechando pelo lado esquerdo.

Na proteção, a dupla preferida ainda é Kovacic e Jorginho, mas Kanté tem ganhado mais espaço nas últimas cinco partidas. Contra o Atleti, ele atuou ao lado do croata. Essa estrutura permite que Marcos Alonso ataque sem tanta preocupação ofensiva e que Tuchel tenha a flexibilidade de experimentar na ala direita. Quando não joga Reece James, o treinador alemão tem colocado o ponta Hudson-Odoi na posição.

Além do baixo número de gols, os outros números defensivos são impressionantes. Segundo a Sky Sports, nos seis primeiros jogos pela Premier League com Tuchel, o Chelsea foi o time que menos permitiu finalizações e o que concedeu aos adversários o menor Expected Gols – estatística avançada que analisa a qualidade das chances criadas. E desde então, teve outras atuações defensivas marcantes contra Manchester United, Liverpool, Everton e Leeds.

Por outro lado, o ataque ainda não engrenou, apesar das várias formações diferentes que Tuchel tem tentado, variando entre Havertz, Mount, Giroud, Abraham, Ziyech, Pulisic, Werner e Hudson-Odoi. Foram apenas 15 gols nesses 13 jogos. “É muito complexo ser sólido e ainda conseguir marcar, como não ser apenas ofensivo e abrir três ou quatro chances claras para o adversário. Estamos trabalhando nisso. Não é fácil”, afirmou, no começo de março. “Se encontrarmos uma solução, todos a verão, mas, neste momento, é uma vantagem ser competitivo no mais alto nível. A partir daí, vamos começar a encontrar soluções”.

Segundo Antonio Rüdiger, Tuchel, como bom aluno da escola Klopp, quer que seus jogadores recuperem a bola no campo de ataque, diferente do que faziam com Lampard – quando, mesmo mais recuados, tinham um ataque mais fluído e uma defesa mais desprotegida. Mas, para isso, é necessário que eles tenham confiança de que podem avançar para fazer a pressão sem se preocupar tanto com o contra-ataque.

Assumindo o projeto no meio da temporada, Tuchel acertou em começar o seu trabalho pela defesa. Transformou um time que oscilava demais em outro muito competitivo que ainda não foi derrotado. Parece o melhor caminho para somar os pontos necessários ao principal objetivo – uma vaga na próxima Champions League -, mas também é uma base sólida para avançar em torneios de mata-mata. Se conseguir alguma melhora no ataque, pode ser até um candidato mais forte ao principal troféu do continente.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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