Champions League

Pelo potencial de suas equipes, Real Madrid e Napoli prometem um duelo com vocação ao ataque

Que o Real Madrid possui um dos melhores ataques da Europa, isso não é novidade para ninguém. Faz parte da filosofia merengue há décadas, colocada em prática pelos investimentos de Florentino Pérez. Ainda que a defesa tenha muitos predicados, é impossível deixar de exaltar um setor ofensivo tão estrelado. Mas que, a partir desta quarta, encontrará um adversário de respeito na Liga dos Campeões. Afinal, em questão de mentalidade, o Napoli também possui sua vocação ofensiva há anos. Aurelio De Laurentiis é um presidente que prioriza o “entretenimento” gerado por sua equipe, segundo suas próprias palavras. E, mesmo após a perda de Gonzalo Higuaín, os celestes exibem uma fome maior pelo gol. Após 24 rodadas na Serie A, os napolitanos marcaram mais gols do que em qualquer outra temporada ao longo das últimas três décadas – superando até mesmo os tempos de Maradona.

Em números absolutos, o Napoli anotou mais gols por sua liga nacional do que o Real Madrid – 57 tentos a 54 para os italianos. Contudo, com quatro jogos a menos por La Liga em relação aos adversários na Serie A, os espanhóis estão à frente na média, 2,7 gols por jogo contra 2,375. Somadas as outras competições da temporada, a vantagem dos madridistas sobe, especialmente pelas goleadas aplicadas na Copa do Rei: 2,85 a 2,25. Nada que diminua, porém, os méritos dos partenopei, de caminhada mais curta na Copa da Itália.

Levando em conta outras estatísticas, o Napoli possui inegavelmente o setor ofensivo mais poderoso do Campeonato Italiano na atualidade. É o time que mais marca gols, que mais chuta a gol, que mais vezes acerta o alvo, que tem mais tem posse de bola, que mais efetua passes e que tem o melhor aproveitamento nos passes. Como uma equipe que controla o jogo, nem precisa do contragolpe ou das bolas paradas para construir os seus resultados: 79% de seus tentos na Serie A saem em jogadas de bola rolando, em ataques “normais”. Já na fase de grupos da Champions, em uma chave equilibrada, o time de Maurizio Sarri não conseguiu ser tão efetivo. Mas também não fez feio, assegurando a liderança – e entre as 10 melhores em todas as estatísticas mencionadas acima. Tem muita penetração pelas pontas e também jogadores velozes para a transição, se assim precisar.

O Real Madrid, por sua vez, é uma equipe voraz a sua maneira. Pela superioridade técnica em relação à maioria dos adversários, acaba quase sempre dominando o controle do jogo. Não que isso seja totalmente um plano, diante de sua capacidade nos ataques mais rápidos. Possui muita qualidade no controle, especialmente por Luka Modric e Toni Kroos. Mas sua linha de frente, especialmente pela velocidade nas pontas, potencializa a verticalidade. E, assim como os napolitanos, os comandados de Zinedine Zidane não costumam economizar na hora de arrematar: é o time que mais finaliza em La Liga e só está atrás do Bayern de Munique nesta Champions.

Individualmente, também são duas equipes que costumam distribuir bem a incumbência de balançar as redes. Os alvos óbvios são dois, Cristiano Ronaldo e Dries Mertens. O português já anotou 21 gols na temporada e o belga só fez um a menos. Karim Benzema e Álvaro Morata são outras referências ofensivas em Madri, enquanto Marek Hamsik e José Callejón também ajudam bastante em Nápoles, todos os quatro acima dos 10 tentos. E a missão de contribuir ofensivamente costuma ser ampla: 12 atletas celestes já deixaram sua marca em 2016/17 e, entre os blancos, 21 no total.

É uma pena que as ausências de Gareth Bale e, provavelmente, de Arkadiusz Milik (que voltou só agora a figurar no banco após meses parado por lesão no joelho) deixem de melhorar ainda mais a força ofensiva dos oponentes. É claro que o retrospecto não necessariamente irá determinar os 180 minutos, com estratégias traçadas priorizando o duelo. De qualquer maneira, dá para esperar uma valorização aos ataques no embate. A indagação maior cabe à postura do Napoli, que começa visitando o Estádio Santiago Bernabéu e, diante dos favoritos, não deve se abrir tanto para levar um resultado mais favorável ao reencontro no San Paolo. De qualquer maneira, potencial não falta por duas noites com sede de gol na Champions.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo