Champions League

Parlamentar britânico leva “cartão vermelho” por perder votação para ser bandeirinha na Champions

Douglas Ross ganhou um assento no parlamento britânico pelo Partido Conservador da Escócia, nas eleições gerais do último mês de junho, e tem precisado equilibrar o serviço público com o seu trabalho como assistente de arbitragem. Nesta quarta-feira, seus ofícios tornaram-se inconciliáveis porque, 45 minutos depois de a Casa dos Comuns começar uma votação sobre políticas de bem-estar social, Ross estará no Camp Nou para ser bandeirinha da partida entre Barcelona e Olympiakos, pela Champions League.

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Em novembro do ano passado, Ross, parlamentar pelo distrito de Moray, passou pelo mesmo problema ao perder uma reunião do comitê de Justiça do Parlamento Escocês para ser assistente do jogo entre Sporting e Real Madrid, em Portugal. Agora no governo central, seu dilema ganhou novas proporções, principalmente quando um deputado opositor, John McNally, do Partido Nacional Escocês, levantou do seu assento na Casa dos Comuns para um teatral discurso em que mostrou cartão vermelho para Ross.

“O honorável membro de Moray não está em seu lugar. Na verdade, ele está em Barcelona fazendo seu outro trabalho, justo hoje. Que sinal a primeira-ministra acha que isso passa para os trabalhadores do povo que precisam aparecer em seus trabalhos ou serem punidos?”, questionou McNally, em direção à primeira-ministra Theresa May, do mesmo partido de Ross. May respondeu: “Os escoceses conservadores estão fazendo mais pelos interesses da Escócia neste Parlamento do que os nacionalistas escoceses jamais fizeram”.

A discussão que Ross perderá será sobre o crédito universal, benefício social que unifica outros seis aos quais desempregados tinham direito no Reino Unido em um único pagamento. Ele existe desde 2013 e está sendo introduzido paulatinamente. Estava programada uma grande ampliação para esta semana, mas o Partido Trabalhista entrou com uma moção para adiar a expansão, alegando problemas no sistema que estão obrigando pessoas a esperarem mais de seis semanas para receber o dinheiro.

Esta moção será debatida e colocada em votação não-vinculante, nesta quarta-feira, sem a presença de Douglas Ross no Parlamento. Paul Sweeney, importante parlamentar do Partido Trabalhista Escocês, criticou o “senso de prioridades perverso” do bandeirinha. “A expansão do crédito universal prejudicou a vida de muitas pessoas ao redor do país, forçando-as a recorrer a bancos de comida e subsídios para sobreviver. Mesmo assim, o senhor Ross não tem nem a decência de comparecer ao Parlamento e explicar por que apoia que as pessoas passem por tanta miséria”, disse.

Em entrevista à rádio BBC da Escócia, o companheiro conservador de Ross, Andrew Bowie, defendeu o colega: “Eu acho que o povo de Moray está muito feliz por ele continuar sendo árbitro ao mesmo tempo em que é membro do parlamento, e ele está fazendo um bom trabalho nos dois”, avaliou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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