Champions League

Os insistentes erros afundaram a Roma em mais uma frustrante derrota ante o Real Madrid

A Roma tinha a sua grande chance para tomar a liderança do Grupo G da Liga dos Campeões. Os giallorossi recebiam o Real Madrid no Estádio Olímpico, empurrados por sua torcida. E se a derrota no Santiago Bernabéu parecia enganosa àquilo que vem sendo a sequência da temporada dos merengues, o duelo na capital italiana providenciava o troco perfeito aos anfitriões contra um adversário em crise. Não foi o que se viu. O time de Eusebio Di Francesco apresentou uma postura razoável e buscou o gol, desperdiçando oportunidades claríssimas durante o primeiro tempo. Jogou fora o resultado e, por culpa de seus erros, engoliu a derrota por 2 a 0. A classificação dos romanistas às oitavas de final foi assegurada indiretamente, mas o tropeço aumenta o descontentamento com o nível apresentado pela equipe.

Antes que a bola rolasse, a Roma já precisou lidar com um problema considerável: Edin Dzeko sentiu dores musculares e não ficou nem no banco, ampliando a recheada lista de desfalques. O ataque jovem era comandado por Patrik Schick, com o apoio de Cengiz Ünder, Stephan El Shaarawy e Nicolò Zaniolo. Já do outro lado, o Real Madrid precisava lidar apenas com as ausências de Casemiro e Isco, desfalques contornáveis. E a entrada em campo ainda contou com uma bela homenagem no Estádio Olímpico. Francesco Totti entrou para o Hall da Fama giallorosso e foi exaltado em cerimônia que incluiu a presença de antigos ídolos – entre eles Paulo Roberto Falcão e Bruno Conti.

O início do jogo contou com momentos intensos, entre duas equipes buscando o ataque. Isso não durou mais do que cinco minutos, porém. Logo o ritmo caiu e a falta de criatividade preponderou, sem chances mais claras. Em um desses lances, Aleksandr Kolarov reclamou de pênalti por toque de mão de Lucas Vázquez, mas o árbitro não assinalou. O Real Madrid poderia ter marcado aos 19, em chute de Luka Modric que desviou e Robin Olsen defendeu com as pernas. Logo na sequência, El Shaarawy sentiu lesão e precisou ser substituído por Justin Kluivert. O garoto daria mais velocidade à linha de frente, o que ajudou os romanistas a se soltarem.

O melhor momento da Roma na partida aconteceu durante os 15 minutos finais do primeiro tempo. Os giallorossi apresentavam um jogo mais fluido e começaram a encontrar brechas na defesa do Real Madrid. Aos 33, um verdadeiro bombardeio se deu na área espanhola, com direito a uma defesa à queima-roupa de Thibaut Courtois quando Schick tentou encher o pé. Já a chance mais evidente aconteceu nos acréscimos. Cengiz Ünder recebeu na linha da pequena área e tinha a meta aberta. Fez o mais difícil, ao mandar por cima do travessão. O turco saiu aos vestiários chorando, precisando ser consolado pelo capitão Alessandro Florenzi.

E não demorou para a Roma perceber o preço do erro, graças a outras falhas. Federico Fazio e Olsen colecionaram lambanças em uma saída de bola logo no primeiro minuto do segundo tempo. A bola sobrou a Gareth Bale na entrada da área e, com toda a liberdade, o galês abriu o placar. Os romanistas até acordaram depois disso, partindo à pressão. Botavam a defesa merengue contra a parede, mas faltava um pouco mais de espaço nas conclusões. A defesa espanhola travava.

O problema é que a Roma se expunha aos contra-ataques. Olsen já tinha evitado o segundo no mano a mano com Bale. Já aos 15, não teve o que fazer. Em mais um avanço rápido, Bale cruzou pelo lado direito. Benzema ajeitou de cabeça e Lucas Vázquez completou na pequena área, totalmente desmarcado. Este tento baqueou os romanistas. O time de Eusebio Di Francesco estava à mercê dos contragolpes e Olsen evitava um estrago pior. Steven N’Zonzi saiu de campo vaiado. A equipe melhorou um pouco na reta final, mas nada suficiente para driblar sua impotência a uma reação. A decepção é óbvia.

O resultado confirma a liderança do Grupo G ao Real Madrid. O time atenua a crise e chega aos 12 pontos. Até pode ser alcançado pela Roma, mas leva vantagem no confronto direto. Os nove pontos dos giallorossi também rendem a segunda colocação, sem que possam ser alcançados por Viktoria Plzen ou CSKA Moscou. No entanto, a noite infeliz é mais um retrato da equipe que custa a engrenar na temporada e vê a pressão sobre Di Francesco aumentar.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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