Champions League

Oblak vive temporada estranha, mas apresentou sua melhor versão para ser decisivo ao Atlético de Madrid

O goleiro esloveno fez uma defesa impressionante e outras muito boas para assegurar a vitória em Old Trafford

A temporada de Jan Oblak estava estranha. Os milagres diminuíram, os erros cresceram (ou apareceram quase que pela primeira vez). Talvez um dos fatores para que o sistema defensivo do Atlético de Madrid tenha entrado em pane alguns meses atrás. Mas nesta terça-feira, os colchoneros puderam contar com o bom e velho Oblak: o Oblak das defesas impossíveis e decisivas.

Estatísticas nem sempre refletem o desempenho de um goleiro. Tem o famoso clean sheet, jogos sem ser vazado, que depende muito da proposta do treinador ou da qualidade do sistema defensivo. Mas vai lá, vamos com ele. Oblak passou apenas 11 jogos sem sofrer gols nesta temporada. Desde que virou titular no Atleti, em 2015, o menor índice nessa estatística foi 20, em 2020/21. Para chegar lá, teria que passar incólume em dez de potenciais 15 jogos (caso chegue na final da Champions) até o fim da temporada.

Aliás, foi o primeiro jogo do Atlético de Madrid pela Champions League desde a estreia na fase de grupos, contra o Porto, no Wanda Metropolitano, que o Atleti não foi vazado. E quantos gols Oblak tem sofrido? Foram 49 nesta temporada, o que supera (em muito) o pior dos seus seis anos anteriores como o preferido de Simeone – 38 em 2019/20 e 2018/19. Mas de novo, o sistema defensivo, coletivamente, tem influência nisso também.

Um jeito, imperfeito, mas que vale a menção, é analisar o Expected Goals. É aquela estatística que avalia a qualidade das finalizações para gerar a quantidade de gols que são esperados a partir delas. Segundo levantamento do Manchester Evening News, Oblak tinha um histórico ótimo de levar menos gols do que “deveria”. Foram 32,8 a menos desde 2017. Por outro lado, nesta temporada, ele sofreu 10,2 a mais do que a estatística previa, entre os piores da elite espanhola.

E tem também uma métrica ótima que é ver os jogos do Atlético de Madrid e perceber que as defesas difíceis de Oblak diminuíram. Houve até erros, como em um jogo contra o Getafe, em setembro, ou diante do Cádiz, em novembro. Um dos melhores goleiros do mundo na última década, o melhor para tantos, não passava mais a mesma segurança.

Mas se a temporada do Atlético de Madrid ficar marcada pela campanha na Champions League, o que é sempre uma possibilidade com esse time, Oblak começou o mata-mata com uma atuação decisiva. Foram cinco defesas, de diferentes níveis de dificuldade, para segurar o Manchester United – e nenhuma delas contra Cristiano Ronaldo, que sequer finalizou na partida.

A primeira, convenhamos, foi meio no acaso. Bruno Fernandes cruzou da direita, Anthony Elanga desviou à queima-roupa, e a bola bateu na cabeça de Oblak. Ele teve mais méritos ao se posicionar bem para encaixar o chute de Diogo Dalot de fora da área e principalmente para não ser enganado pela bomba venenosa e cheia de curva de Bruno Fernandes nos acréscimos do primeiro tempo.

Mas principalmente, na cabeçada de Varane no segundo tempo que aumentaria em muito as probabilidades de uma prorrogação. Foi em uma cobrança de falta da direita, e um desvio a poucos metros de distância. A bola saiu com alta velocidade e havia pouco tempo de reação. Os reflexos de Oblak estava em dia para fazer a defesa.

A mistura entre um sistema defensivo forte, como o de Simeone voltou a ser, e um excelente goleiro é assim mesmo. Não foi um daqueles bombardeios que exigem dezenas de defesas. Mas ele estava atento para aparecer de maneira decisiva nos momentos cruciais, e foi justamente assim que Oblak construiu a sua reputação como um dos melhores goleiros do mundo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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