Champions League

O Shakhtar estava pronto para uma vitória heroica em Varsóvia, mas o Real Madrid ressurgiu e empatou no último minuto

O Shakhtar Donetsk evoluiu bastante em relação ao encontro passado e foi melhor, contra um Real Madrid que poupou jogadores e acionou astros no banco

O Shakhtar Donetsk apresentou uma capacidade de aprendizado enorme em menos de uma semana. Na rodada anterior da Champions League, os ucranianos foram presas fáceis para o Real Madrid dentro do Santiago Bernabéu, quando a derrota por 2 a 1 ficou barata. O reencontro, todavia, viu outra equipe na Polônia. Os comandados de Igor Jovicevic se defenderam com uma competência imensa, além de exercerem um perigo maior nos contra-ataques. Foram mais elétricos, contra os merengues que pouparam forças no primeiro tempo e precisaram acionar seus astros no banco na etapa final. O Shakhtar parecia pronto a uma vitória histórica, ainda mais pelo contexto de tensões ampliadas na Ucrânia. Abriu o placar, teve chance de fazer o segundo e segurava valentemente a vantagem. No entanto, o Real Madrid não é um time fácil de se vencer na Champions. E ressurgiu no último minuto, com o empate por 1 a 1, que não tira os méritos dos ucranianos pela evolução.

O Real Madrid entrou em campo com uma escalação bastante modificada. Jogadores importantes ganharam um descanso, incluindo Vinícius Júnior. A defesa tinha Antonio Rüdiger e Nacho Fernández no miolo de zaga. Toni Kroos e Aurélien Tchouaméni eram os volantes. Mais à frente, Federico Valverde, Eden Hazard e Rodrygo (este aberto pela esquerda, na vaga de Vini) davam apoio a Karim Benzema, recuperado após se ausentar por lesão no final de semana. Já o Shakhtar apostou em Lassina Traoré no comando de ataque, com Oleksandr Zubkov aberto na ponta direita. A esquerda contava com o ótimo Mykhaylo Mudryk, destaque da campanha dos Mineiros.

 

O Shakhtar Donetsk acertou sua marcação em relação ao duelo da semana passada. O Real Madrid tinha a posse de bola, mas as trocas de passes não penetravam, contra linhas oponentes mais recuadas. Não havia a fluidez que se notou durante as duas últimas exibições dos merengues, até pelas escolhas no ataque, com Eden Hazard apagadíssimo. Com isso, o time encontrava dificuldades claras para criar chances de gol. Benzema só apareceu aos 18, mas parou no goleiro Anatolii Trubin.

Com o passar dos minutos, o Shakhtar Donetsk começou a se soltar. O Real Madrid se resguardava dos contra-ataques, mas logo os espaços surgiram. As tentativas de finalização dos ucranianos eram travadas, às vezes no último instante, e a equipe mostrava ímpeto para abrir o resultado. Não era um jogo simples para os merengues. Quando o time visitante teve um pouco mais de lucidez na construção, conseguiu sua melhor jogada, aos 36. A troca de passes envolveu a defesa adversária, até que Rodrygo achasse Benzema entrando pela esquerda da área. Todavia, sem tanto ângulo, o atacante foi bloqueado por Trubin. O goleiro também fez boas defesas contra Rodrygo e Valverde. Mas não era isso que evitava o incômodo dos contragolpes de Mudryk.

Se o primeiro tempo já tinha sido difícil o suficiente para o Real Madrid, o Shakhtar abriu o placar com segundos na etapa complementar. Mudryk puxou o ataque pela esquerda, Bogdan Mykhaylichenko cruzou com espaço e Zubkov cabeceou no canto. O mapa da mina do jogo no Bernabéu se repetia. Os merengues precisavam de uma resposta e um sinal de vida surgiu em cabeçada de Tchouaméni para fora após escanteio. Entretanto, sem que o time melhorasse tanto, Carlo Ancelotti acionou seu banco. Vinícius Júnior e Luka Modric eram as cartas na manga, e entraram nos lugares de Hazard e Tchouaméni. O croata seria muito aplaudido, inclusive pelo apoio que já ofereceu a ucranianos em meio à guerra.

De fato, o Real Madrid tinha mais posse de bola. Porém, continuava vulnerável aos contragolpes. Foi por sorte dos merengues que o segundo gol do Shakhtar não saiu. Aos 20, depois de um avanço deslumbrante puxado por Zubkov, Traoré foi lançado em velocidade e tentou driblar Andriy Lunin, parcialmente travado pelo goleiro. A meta estava aberta para o rebote e o atacante bateu de primeira, mas a bola caprichosamente tocou no travessão e saiu. Pouco depois, num chute de longe de Zubkov, a bola quase traiu Lunin, que espalmou com dificuldades. Viria então uma troca tripla, com as entradas de David Alaba, Eduardo Camavinga e Marco Asensio – saíram Ferland Mendy, Valverde e Rodrygo.

O Real Madrid tentava exercer um abafa e apostava mais nos cruzamentos, o que não gerava necessariamente oportunidades tão claras. O Shakhtar renovou seu ataque aos 31, com Danylo Sikan no posto de Lassina Traoré. Único brasileiro no elenco atual, o lateral Lucas Taylor seria novidade na sequência, para reforçar a marcação com a saída de Zubkov. E a resistência dos ucranianos fazia o relógio correr, sem que os espanhóis encontrassem uma solução. Vinícius teve uma chance claríssima aos 42, num cruzamento de Lucas Vázquez, mas cabeceou da pequena área por cima da meta adversária.

A reta final via um Shakhtar vibrante para se defender e tentar gastar o tempo. Contudo, o Real Madrid ainda ameaçava nas bolas pelo alto. Rüdiger quase foi o herói aos 47, num cruzamento de Kroos que ele mandou ao lado da meta. Os ucranianos apostavam nas ligações diretas e assim mantinham a vitória, com um contragolpe salvo no limite pelos espanhóis. Já no último minuto, o empate merengue finalmente se consumou. A jogada se repetiu: Kroos alçou a bola na área e Rüdiger se antecipou a Trubin para desviar de cabeça, nas redes. Os dois ainda se trombaram, com o zagueiro muito ensanguentado e o goleiro caído por alguns minutos. Quando o jogo foi retomado, ainda houve um último escanteio para o Shakhtar, sem sucesso. Ficou a valentia, mas não o melhor resultado para a noite dos Mineiros.

O Real Madrid se encontra em situação garantida no Grupo F, mesmo com o empate. Os merengues lideram com dez pontos e se classificam por antecipação. O RB Leipzig toma a segunda posição, com seis pontos, ao derrotar o Celtic por 2 a 0 em Glasgow. Já o Shakhtar cai para a terceira posição, com cinco pontos. Os escoceses somam apenas um, praticamente eliminados.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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