Champions League

O Rostov ignorou a grandeza do Bayern para conquistar uma vitória gigantesca

As preliminares da Champions já serviram de cartão de visitas ao Rostov. Ao eliminar o Ajax sem tomar conhecimento dos tetracampeões continentais, o clube russo mostrou que não há camisa pesada que intimide sua capacidade de jogar futebol. Um passo para a classificação à fase de grupos, na qual os estreantes conquistaram um feito ainda maior nesta quarta. O Rostov fez uma senhora partida no Estádio Olimp 2 e venceu o poderoso Bayern de Munique, dono de cinco títulos europeus, por 3 a 2. O resultado não evita a eliminação já consumada dos russos, mas ajuda na briga com o PSV pela Liga Europa e se transforma em um orgulho para os seus torcedores carregarem por muito tempo.

Vale ponderar que o Bayern entrou em campo com alguns desfalques. Ainda assim, possuía um time muito mais estrelado que seus oponentes, com a obrigação de vencer mesmo fora de casa. E o primeiro tempo foi controlado pelos alemães. A pressão era grande, comandada por Douglas Costa, de volta ao time titular – embora, do outro lado, o Rostov também tenha assustado em uma bola salva por Bernat. Coube ao brasileiro abrir o placar, aos 36 minutos. Após confusão na área, a bola sobrou limpa para o camisa 11, que encheu o pé para estufar as redes.

O próprio Douglas, contudo, iniciou a derrocada do Bayern. Pouco antes do intervalo, ele contribuiu para o empate do Rostov. Um passe errado permitiu o contra-ataque dos russos. Sardar Azmoun partiu em velocidade, deixou Jérôme Boateng no chão e tirou do alcance de Sven Ulreich – que substituiu Manuel Neuer na meta bávara. O atacante iraniano, aliás, é um nome a se observar. O jogador de 21 anos vem sendo um dos destaques do clube desde a temporada passada e marcou oito gols em oito partidas pela seleção de seu país em 2016.

Já no segundo tempo, o desastre começou a se consumar com a virada do Rostov. Em cobrança de pênalti, Dmitryi Poloz fez 2 a 1. O Bayern reagiu rapidamente, em um míssil de Juan Bernat para empatar. Todavia, o problema recorrente dos bávaros nesta temporada se repetiu mais uma vez: o time de Carlo Ancelotti tinha presença no ataque, mas não conseguia concluir da melhor maneira. As tentativas de Ribéry eram inúteis, enquanto Thomas Müller passou em branco mais uma vez, saindo do banco. Melhor para o Rostov, que matou o jogo aos 22, em uma bola parada. Cobrança de falta colocada de Christian Noboa, que mandou no canto, mas também contou com o mau posicionamento de Ulreich. Depois disso, só deu Bayern. Pressão pura dos visitantes, que tinham pressa, mas também estavam desorganizados. Valeu mais o empenho do time da casa para afastar cada bola e comemorar com sua torcida a vitória gigantesca.

Logo após a derrota para o Borussia Dortmund na Bundesliga, Ancelotti tem um problema sério a resolver. O Bayern não vem rendendo conforme o esperado em suas mãos e não há um encaixe do esquema tático. Se alguns destaques dos bávaros jogam abaixo de seu nível habitual, não dá para questionar apenas as individualidades. Coletivamente, também, a equipe deixa a desejar. E isso deve custar a liderança do grupo na Champions, com o Atlético de Madrid precisando apenas de um empate nesta quarta. Nada que anule, porém, os méritos do Rostov. Os russos jogaram com sede de fazer história, principalmente sem a bola. Aproveitaram-se das brechas dadas pelos alemães para serem letais. Conquistam a vitória mais significativa do clube, entregando muito suor para isso.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo