Champions League

O Real Madrid superou as dificuldades em Parkhead e contou com o talento para vencer um valente Celtic

O Celtic fez um primeiro tempo melhor, com direito a bola na trave, mas o Real Madrid abriu o caminho no segundo tempo, mesmo depois de perder Benzema por contusão

O Celtic conseguiu colocar o Real Madrid nas cordas dentro do inflamado Parkhead, durante a primeira rodada da fase de grupos da Champions League. Os alviverdes foram superiores no primeiro tempo em Glasgow, com uma marcação implacável e também uma bola na trave. Apesar de algumas chances perdidas pouco antes do intervalo, os merengues suavam e ainda precisavam lidar com a saída de Benzema por lesão. Até por isso, a vitória dos atuais campeões continentais na Escócia é tão valiosa. A qualidade do elenco preponderou para abrir o caminho na segunda etapa, com dois gols num curto intervalo permitindo o triunfo por 3 a 0. Vinícius Júnior deixou o seu, assim como Modric. Eden Hazard, que entrou no lugar de Benzema, deu assistência e fechou a conta.

Como prometido pelo técnico Ange Postecoglu, o Celtic manteve sua formação costumeiramente ofensiva. Nomes como Jota, Liel Abada, Reo Hatate e Callum McGregor davam qualidade do meio para frente. No gol, um velho conhecido era Joe Hart. Já o Real Madrid manteve a escalação mais experiente, apenas com Aurélien Tchouaméni como novidade no meio. Acompanhava Toni Kroos e Luka Modric. Federico Valverde era o escolhido na ponta direita, com Karim Benzema e Vinícius Júnior.

A intensidade do Celtic era notável durante os primeiros minutos. Os Bhoys chegaram primeiro ao ataque e Liel Abada forçou a defesa de Thibaut Courtois no primeiro minuto. A marcação dos alviverdes era intensa no campo ofensivo, o que gerava incômodo aos merengues mesmo com a posse de bola. O Real Madrid tinha problemas para superar a marcação e não conseguia criar chances claras. Era um bom jogo dos escoceses, que teriam um contra-ataque aberto aos 13, mas Abada chutou em cima de Courtois.

O Celtic parecia se sentir cada vez mais cômodo na partida. A marcação estava encaixada e a torcida empurrava o time. Hatate esbarrou na defesa de Courtois, pouco antes que o capitão McGregor mandasse uma pancada na trave aos 21. O Real Madrid parecia atordoado em Parkhead. As oportunidades aconteciam só de um lado e os alviverdes exploravam o lado esquerdo, com Jota. A forma como os escoceses também travavam a construção dos espanhóis era exemplar. Um raro respiro do Real viria num chute de Valverde para fora. E os problemas dos merengues ficaram maiores quando Benzema se lesionou, substituído por Eden Hazard aos 30.

O ritmo da partida caiu um pouco nesse momento, mais concentrada na intermediária. Mas não que o Celtic tivesse abaixado sua guarda. A maneira como os alviverdes mordiam a cada lance e buscavam os desarmes impressionava. O Real Madrid encontrava dificuldades para superar a linha central e encontrar os seus atacantes. Não era uma partida inspirada da linha de frente e, quando Hazard apareceu, pegou mal na bola aos 41. O melhor lance do time caiu nos pés de Vinícius Júnior, sozinho num contragolpe aos 43. Todavia, o brasileiro não definiu bem e Joe Hart fechou o ângulo para a defesa decisiva.

Outra mudança por lesão no Real Madrid aconteceu no intervalo, com Antônio Rüdiger no lugar de Éder Militão. Já o Celtic renovava seu ataque, com Daizen Maeda no posto de Liel Abada. O japonês conseguiu aparecer na área logo de cara, sem pegar em cheio na bola no primeiro ataque do segundo tempo. Ainda era uma partida muito difícil para os merengues, com a marcação dura dos escoceses. O gol saiu quando o time fugiu dessa pressão e pegou as costas da defesa aberta num contra-ataque, aos 11. Valverde acelerou pela direita e cruzou no capricho. Vinícius Júnior não perdoou diante de Joe Hart, com um tiro no contrapé do veterano.

Quatro minutos depois, a partida parecia resolvida para o Real Madrid. Luka Modric anotou o segundo do gol. O Celtic estava mais desatento e permitiu outro contragolpe, agora com uma boa arrancada de Hazard pelo meio. Modric recebeu na área e, apesar da marcação fechada, deu um tapa de trivela. Hart tocou na bola, sem salvar. Os Bhoys não apresentavam o mesmo fôlego e passaram minutos silenciosos. Apostaram numa mudança tripla aos 25, com as entradas de Kyogo Furuhashi, Aaron Mooy e David Turnbull. Já os espanhóis renovaram as energias no meio, com Eduardo Camavinga no posto de Tchouaméni.

A vitória do Real Madrid se tornou ainda mais elástica aos 32. Eden Hazard aproveitou a oportunidade para marcar seu gol. Kroos deu um lançamento excelente, para Dani Carvajal aparecer na linha de fundo. O lateral aparou e o trabalho de Hazard seria fácil na conclusão. Mais mudanças vieram depois disso, com Vinícius e Modric substituídos sob aplausos, com as entradas de Rodrygo e Marco Asensio. A reta final teria a insistência do Celtic pelo gol de honra. Depois de alguns chutes para fora, Sead Haksabanovic mandou uma pancada em cima de Courtois. Não conseguiram o tento, mas pelo menos a torcida reconheceu a postura valente contra os atuais campeões europeus.

O placar acaba sendo cruel por aquilo que foi o primeiro tempo do Celtic. Entretanto, a equipe não aproveitou suas oportunidades por detalhes e desmontou depois do gol. A derrota não surpreende em Parkhead, mas pelo menos deixa a impressão de que o time continuará brigando pela classificação. O Real Madrid, por outro lado, apresenta a consistência de seu trabalho. Se a ausência de Benzema preocupa, os merengues conseguiram encontrar caminhos para vencer. Outros protagonistas se reivindicam e Hazard indica que pode ser útil.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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