Champions League

O que a compra de direitos de transmissão da Champions na Alemanha pela Amazon indica

Lenta e progressivamente, a Amazon vai testando as vantagens de se transmitir partidas de futebol. Depois da rodada exclusiva na Premier League no meio da semana passada, a gigante norte-americana anunciou, nesta terça-feira (10), a compra de direitos de transmissão de jogos da Champions League na Alemanha para a sua plataforma de streaming Prime Video. O acordo vale para o triênio entre as temporadas 2021/22 e 2023/24.

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O contrato prevê que a Amazon transmitirá com exclusividade 16 jogos da Liga dos Campeões por temporada, tendo prioridade na escolha das partidas de terça-feira na fase de grupos e no mata-mata.

O restante dos pacotes de direito de transmissão da competição na Alemanha ainda está em disputa, tanto para quem pega os outros jogos de terça-feira quanto para todas as partidas de quarta-feira – e a final. De qualquer forma, a mera investida da empresa de tecnologia já vale a atenção.

No meio da semana passada, toda a 15ª rodada da Premier League foi transmitida pelo Amazon Prime Video no Reino Unido. Conforme previsto no acordo que fecharam com a liga inglesa, transmitirão ainda nesta temporada nove jogos do tradicional Boxing Day e uma outra partida em 27 de dezembro.

O número de partidas ainda é baixo porque a gigante do varejo, do streaming, dos servidores e do e-commerce está testando as águas da transmissão de futebol, de olho no retorno que isso trará a seus negócios. A forma como escolheu fazê-lo, com toda uma rodada exclusiva, já indica o objetivo imediato: o máximo de assinaturas possível em um intervalo curto de tempo.

Pelo menos em público, a empresa diz que a primeira empreitada na Inglaterra, onde também tem direitos de transmissão de vários torneios importantes de tênis, foi um sucesso. “Milhões de pessoas” teriam assistido às partidas da rodada, o que, com a exclusividade, deve ter atraído um bom número de novos assinantes.

A subsequente aquisição do pacote na Champions League é mais um indício de que, por enquanto, o investimento tem feito sentido. Em um mercado cada vez mais concorrido como é o de serviços de streaming, com a líder Netflix levando uma boa fatia e Disney e Apple lançando suas próprias iniciativas, a Amazon entende que os esportes podem ser um diferencial.

O futuro das transmissões esportivas ainda é um cenário em formação, difícil de se prever. Novos modelos vão se apresentando, e outras indústrias começam a entrar na disputa com as emissoras. Em países como o Brasil, de acesso limitado e caro à internet e velocidades não tão altas, a mudança que temos visto recentemente deverá ter maior resistência do que em outros lugares com melhor infraestrutura. Porém, cada vez mais, o modelo tradicional parece se solidificar como coisa do passado.

As dificuldades encontradas por emissoras de TV, combinadas com os valores cada vez mais altos envolvidos nas negociações de direitos de transmissão de campeonatos, abre ainda caminho para uma outra alternativa: a Uefa não descarta criar o seu próprio serviço de streaming em países em que as ofertas não sejam suficientemente atrativas. Antes da atual temporada, a federação já transmitiu o Campeonato Europeu Sub-21 em seu site, de graça.

Esta, no entanto, parece uma fase ainda mais avançada de um processo maior que está apenas em seu início. Por ora, o momento é das OTTs (serviços de transmissão de vídeo pela internet). E, com o dinheiro que tem à disposição – ao menos US$ 7 bilhões anuais para produções exclusivas e compras de direitos televisivos –, a Amazon tem plenas condições para se tornar um dos atores importantes nesta transição de modelos.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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