Champions League

Liverpool dominou primeiro tempo, Benfica ressurgiu no segundo, mas Luis Díaz garantiu placar confortável no fim

O Liverpool teve ampla superioridade na primeira etapa e sofreu com os muitos erros na segunda, mas o Benfica sofreria um baque com os 3 a 1 confirmados no apagar das luzes

O Liverpool sustentava um claro favoritismo nas quartas de final da Champions League, mesmo na partida dentro do Estádio da Luz. A campanha do Benfica na competição, todavia, demandava respeito suficiente dos visitantes em Lisboa. Assim, por mais que os Reds tenham voltado com a vitória por 3 a 1, a história do jogo não seria tão linear assim. O primeiro tempo, de fato, viu o time de Jürgen Klopp ser amplamente superior. O domínio no ataque era grande, bem como a precisão nos combates defensivos. A vantagem de dois gols era até magra, pela quantidade de chances. Já na segunda etapa, um gol logo de cara reavivou os encarnados. A equipe de Nélson Veríssimo passou a acreditar no resultado e teve oportunidades de empatar, enquanto os ingleses abusavam dos erros. Foi só mesmo na reta final que a segurança do placar dilatado seria confirmada, com um gol de Luis Díaz. A diferença de dois tentos facilita bem o serviço do Liverpool antes do reencontro em Anfield.

O Benfica manteve sua base no 4-4-1-1. Odysseas Vlachodimos era o goleiro. Nicolás Otamendi e Jan Vertonghen formavam a zaga, com Alejandro Grimaldo e Gilberto nas laterais. Adel Taarabt e Julian Weigl protegiam a cabeça de área, enquanto Everton Cebolinha e Rafa Silva abriam nas pontas. Já na frente, Gonçalo Ramos dava apoio a Darwin Núñez. O Liverpool, em seu 4-3-3, tinha um ataque mais leve. Mohamed Salah e Luis Díaz abriam pelos lados, enquanto Sadio Mané se movimentava a partir do centro. O meio-campo reunia a trinca Fabinho, Naby Keita e Thiago Alcântara. Já na zaga, além de Alisson no gol, a dupla sólida de zaga era mantida com Ibrahima Konaté e Virgil van Dijk, além de Trent Alexander-Arnold e Andrew Robertson nas laterais.

O Benfica estava disposto a jogar na velocidade. Deixava a bola com o Liverpool durante os primeiros minutos e tentava algumas escapadas, mas a firmeza da marcação dos Reds não permitia que os encarnados se criassem. Logo a imposição dos ingleses se tornou mais visível, até render as primeiras chances de gol. Numa linda troca de passes, Mané serviu de calcanhar e Salah bateu para Odysseas Vlachodimos realizar boa defesa com o pé. A presença ofensiva dos visitantes se tornava maior e Vlachodimos repeliu de novo um tiro de Naby Keita aos 12. E a confiança do Liverpool logo rendeu o gol, aos 18 minutos. Andy Robertson cobrou escanteio e Ibrahima Konaté concluiu de cabeça, para baixo, indefensável.

Por mais que vislumbrasse alguns espaços para contra-atacar, o Benfica não conseguia encaixar suas jogadas. A resposta demorou e, quando Everton Cebolinha invadiu a área, bateu pelo lado de fora da rede. O Liverpool tinha bem mais volume de jogo e era direto. Aos 24, depois de uma enfiada precisa de Sadio Mané, Luis Díaz viu Vlachodimos fechar a porta à sua frente e impedir o tento. O controle dos Reds era expresso, pela maneira como o time era mais consistente com a bola e também pela solidez sem ela. Os benfiquistas não conseguiam expor a defesa adversária, numa atuação impecável em especial de Konaté. Uma rara finalização viria aos 33, em cabeçada de Otamendi que seguiu para fora, após escanteio.

E a superioridade do Liverpool se tornou mais condizente no placar aos 34, com o segundo gol. Alexander-Arnold descolou uma inversão sensacional, pegando Luis Díaz em velocidade pelo lado esquerdo da área. O colombiano ajeitou de cabeça e Mané apareceu em condições ótimas para apenas rolar à meta aberta. Parecia difícil de encontrar uma solução aos encarnados. Everton até testaria Alisson, mas os perigos seguiam maiores do outro lado, como num chute de Luis Díaz que seguiu ao lado da trave aos 39. E a situação só não ficou pior aos 45 porque, depois de mais um ótimo lançamento de Alexander-Arnold, Salah parou no mano a mano com Vlachodimos. Rafa Silva teria um contra-ataque aberto do outro lado, mas chutou por cima, longe da meta. Foi um primeiro tempo frustrante aos lusitanos, impotentes.

O jogo voltou a se abrir na volta para o segundo tempo. O Liverpool retornou a campo desligado e o Benfica, mais elétrico, se aproveitou. Os encarnados descontaram aos quatro minutos, num erro de Konaté, que vinha em grande noite. Rafa Silva avançou pela direita e fez o cruzamento rasteiro. O zagueiro furou e Darwin Núñez teve todo o tempo para definir. Os sinais de desatenção eram claros. Pouco depois, Alisson precisou sair fora da área para brecar um contragolpe e uma transição errada da zaga permitiu uma finalização para fora de Darwin, tudo num intervalo curtíssimo. O centroavante, aliás, não deixava de lutar. Antes dos 10, também buscaria uma cabeçada de peixinho, em que não pegou bem na bola. Os papéis pareciam invertidos, com os encarnados mais inteiros e objetivos. Alisson salvaria aos 15, num chute rasteiro de Cebolinha.

O Liverpool precisava de mudanças e elas viriam num pacotão. Salah, Mané e Thiago deixaram o campo. Diogo Jota, Roberto Firmino e Jordan Henderson davam outra cara ao time, com mais intensidade no meio e também nova energia no ataque. Apesar dos nomes de peso substituídos, as atuações de Salah e Mané não agradavam, e tirá-los parecia prudente até pensando na decisão contra o Manchester City pela Premier League no final de semana. A partir de então, os Reds recuperaram o controle, mas com dificuldades de finalizar. Pelo menos isso esfriava os encarnados, com avanços mais esporádicos. Quando Darwin ia invadindo a área, seria parado por Van Dijk com uma mão no peito – o que a arbitragem ignorou. A primeira troca de Nélson Veríssimo, aos 25, tinha Soualiho Meïté garantindo mais combatividade no meio, na vaga de Taarabt.

A reta final da partida tinha menos aberturas. O Benfica ainda exibia mais ímpeto, mas lidava com o cansaço. O Liverpool seguia cometendo erros, mas a marcação um pouco mais recuada evitava riscos. Já na frente, as infiltrações dos ingleses não ocorriam. Os encarnados fechavam bem as duas laterais, o que neutralizava uma das virtudes dos adversários. Uma raríssima finalização dos Reds viria aos 37, em chute torto de Luis Díaz na área. Logo na sequência, Roman Yaremchuk era uma cartada no ataque benfiquista, na vaga de Cebolinha. O herói contra o Ajax voltava a campo, numa boa exibição do brasileiro apesar de sua saída.

O Liverpool até parecia ter mais interesse em trocar passes e fazer o tempo passar. Nem isso evitava os sustos, como num recuo para Alisson em que o goleiro quase perdeu a bola na entrada da área. Com a cadência dos Reds, algumas tentativas foram bloqueadas, até que a conexão rápida rendesse o alívio do terceiro gol aos 42. Otamendi errou um passe na intermediária e Keita arrancou. O meio-campista deu uma enfiada para Luis Díaz, nas costas da defesa. O colombiano driblou Vlachodimos e mandou ao gol escancarado. Enfim, a vitória se confirmava. Keita e Alexander-Arnold ganharam um descanso na sequência, para as entradas de James Milner e Joe Gómez. Já nos acréscimos, a preocupação ficou com Fabinho, que sofreu um choque de cabeça e precisou de longo atendimento, mas voltou a campo. Isso até que, num novo erro de Otamendi durante o último minuto, Vlachodimos evitasse o quarto tento quando Diogo Jota estava sozinho na área. O goleiro também teve sua parte para manter vivas as esperanças dos lusitanos por tanto tempo.

O Benfica teve uma atuação valorosa no Estádio da Luz. O primeiro tempo dominado não era culpa dos encarnados, e a reação no segundo tempo se centrou nos méritos da equipe de Nélson Veríssimo. Porém, não dá para vacilar contra um adversário tão qualificado quanto o Liverpool. Se o primeiro tempo dos ingleses beirou a perfeição em termos de imposição, a segunda etapa viu erros raros na equipe. Os talentos, ao menos, pesaram para consolidar o resultado. Luis Díaz e Alexander-Arnold foram decisivos, enquanto Konaté merece destaque apesar do erro. A vantagem mais ampla deixa a classificação encaminhada para Anfield. E permite que, agora, Jürgen Klopp se concentre na decisão diante do Manchester City.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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