Champions League

O Manchester City executou seu futebol como uma perfeita sinfonia e deu espetáculo no Alvalade

A precisão do Manchester City impressionou e, mesmo que o Sporting não jogasse mal, cada chegada dos ingleses rendia um gol no primeiro tempo que permitiu o baile

Existem times que parecem tornar o futebol mais fácil. As ações funcionam com a precisão de um relógio e permitem que jogos se abram num piscar de olhos. O Manchester City depende de intensidade, de movimentação, de entendimento entre seus jogadores. Porém, tudo até pareceu acontecer sem um pingo de suor nesta terça-feira, pelas oitavas de final da Champions League. O Sporting não fazia uma atuação ruim no início do embate no Estádio José Alvalade, mas cada investida dos Citizens se transformava em um gol, e isso levou os anfitriões a desabarem. O que se viu, então, foi uma das grandes demonstrações da eficiência da máquina celeste. O primeiro tempo estraçalhou as esperanças leoninas, com quatro gols na caixa. Já a segunda etapa, bem mais econômica, não sairia do claro controle dos ingleses. Deu para acontecer o tento mais bonito, com os 5 a 0 sacramentando a noite avassaladora da equipe de Pep Guardiola.

O Sporting vinha com sua base no 3-4-3 de Rúben Amorim. Contava com um retorno importante no ataque, onde Pedro Gonçalves novamente compunha a trinca com Pablo Sarabia e Paulinho. Outro destaque ficava para a dupla de volantes composta por Matheus Nunes e João Palhinha. Do lado do Manchester City, John Stones era escalado na lateral direita e João Cancelo ficava na esquerda. O português poderia se associar com Bernardo Silva por aquele lado, além de Raheem Sterling mais à frente. Phil Foden era o homem de referência no ataque, enquanto o lado direito contava com as combinações entre Kevin de Bruyne e Riyad Mahrez.

O Sporting dava sinais de que não se fecharia na partida. Logo durante os primeiros minutos, os leoninos buscaram as jogadas pelas pontas. Porém, bastou uma chegada do Manchester City para que o placar fosse aberto, aos sete minutos. Num avanço pela esquerda, Phil Foden recebeu com espaço na área e queimou o chute para cima de Antonio Adán. O goleiro rebateu, mas o rebote ficou com De Bruyne, que deu o passe para trás. Mahrez apareceu no meio da área e definiu. Havia dúvidas sobre o impedimento do belga e o tento inicialmente foi anulado, mas, depois de uma longa revisão, o VAR confirmou. O segundo ainda quase veio na sequência, em cabeçada de Stones que perigosamente saiu ao lado da meta.

A sequência da partida ainda teria uma postura ligada do Sporting, que se posicionava no campo ofensivo, mas não conseguia arredondar os passes finais. O problema era lidar com a precisão do City, que conseguiu ampliar o placar aos 17. Depois de uma cobrança de escanteio, Rodri não conseguiu pegar em cheio a cabeçada e a bola ficou viva no segundo pau. Bernardo Silva chegou com tudo e pegou na veia, com um chutaço que triscou no travessão e entrou, sem chances para Adán. Os sportinguistas seguiram na mesma toada, mas a eficiência dos celestes reforçava as diferenças entre as equipes. Pedro Gonçalves, por mais que chamasse a responsabilidade na frente, não destravava a segura marcação dos Citizens.

Quando o Manchester City tomava a posse de bola, a equipe tinha paciência. Rodava os passes, quase sempre nas imediações do círculo central. Não havia motivos para pressa ou risco. Enquanto isso, o Sporting tentava morder e tinha sua capacidade de recuperação, mas sem criar. E a facilidade dos Citizens rendeu o terceiro gol aos 32. Mahrez fez um carnaval na borda da grande área e cruzou rasteiro. A zaga não conseguiu cortar e ficou bem fácil para Foden apenas concluir diante do vendido Adán. Até parecia que o City não dependia de esforço, tão azeitada sua movimentação quando arriscava um pouco mais o passe. E mesmo que os celestes não pisassem no acelerador, bastou mais uma estocada para o quarto gol aos 44. Lançado em profundidade pela esquerda, Sterling brecou na linha de fundo e rolou para Bernardo Silva assinar mais um. Foi um baile.

Sem que Pedro Gonçalves estivesse em suas melhores condições físicas, ganhou um descanso no intervalo, com a entrada de Manuel Ugarte para recompor o meio. E para quem esperava um segundo tempo diferente, cinco minutos bastaram para o Manchester City repetir seu ciclo. As redes até balançaram pela quinta vez, num grande passe por elevação de De Bruyne para a cabeçada de Bernardo Silva. Para a sorte do Sporting, o português estava impedido. Os próprios sportinguistas pareciam mais preocupados com um cenário pior, e não se expunham, ainda sem uma finalização certa sequer. O ritmo seguia ditado pelos ponteiros celestes.

Tinha espaço para mais, claro. E teria para uma obra de arte assinada por Sterling, aos 13 minutos, o quinto gol de sua equipe. Depois de uma recuperação no meio, o atacante abriu para o chute de fora da área e mandou na gaveta. Adán não passou nem perto de alcançar a bola cheia de curva. Ilkay Gündogan e Oleksandr Zinchenko vieram para campo na sequência, nos lugares de Foden e Stones. O Sporting até parecia ter vontade de marcar um gol de honra em suas subidas esporádicas, mas se via totalmente paralisado pela supremacia dos visitantes, capazes de destroçá-los num estalar de dedos.

A sequência do jogo parecia mera formalidade. O Manchester City deixava o tempo passar. Fernandinho ganhou uma chance no lugar de Rodri e Ederson precisou fazer uma rara intervenção aos 28, quando cabeceou uma bola longa fora da área. Do lado do Sporting, Islam Slimani e Bruno Tabata tentaram dar novo gás ao setor ofensivo, sem muito resultado diante da solidez dos Citizens. Por volta dos 35, até soava estranho ver que o City podia sim errar chutes. Cancelo mandou para fora, antes de Mahrez e Rúben Dias serem travados na área. Na reta final, os Citizens até pareciam dispostos ao sexto e Adán salvou um gol contra aos 40. A defesa leonina pelo menos segurou um resultado pior, o que não aliviava o ânimo, mas indicava ainda mais como o City sobrou.

O Manchester City chegou aos mata-matas da Champions League como clube em melhor fase dentre os 16 sobreviventes. Se os celestes vão cumprir o favoritismo é outra história, e não atender as expectativas não seria exatamente inédito à equipe na competição. De qualquer maneira, o que se viu no Alvalade é suficientemente imponente, por mais que o adversário se mostrasse acessível. E não que o Sporting seja um time ruim, pelo contrário. O problema é se equiparar a um adversário que, além de ser muito mais forte no papel, apresenta tal nível de entendimento e de eficácia para fazer sua engrenagem rodar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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